"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Al Berto

«por trás de cada verso nasce uma ave, um silêncio ferido, ou um mineral que se enterra sílaba a sílaba no corpo, estão contaminados de claridade os alicerces daquilo que escrevo. Uma cidade exterminadora vem do odor da tinta permanente, palavra a palavra escavo no coração do texto. Por trás de cada poema existe o corpo que o gerou num instante de pânico. mas uma dúvida persiste, nada fica acabado, definitivo. Ilumina-se outro corpo pela insónia, desassossegado. Nenhuma máscara consegue esconder, nem proteger o rosto magoado. Nenhuma imagem tua se revela no açúcar das veias.»
Al Berto, O Medo

Al Berto, 11 de Janeiro de 1948 - 13 de Junho de 1997


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