Eclipse
Naquela tarde eu contemplava, ansioso,
A lua das marés:
Ia ver um fenómeno curioso,
Pela primeira vez.
Desde as sete horas que eu me achava pronto,
Pois vinha no jornal
Que se daria, às sete e meia em ponto,
O eclipse total.
Na praia, Miss! àquela hora havia
Enorme sensação:
Entusiasmada, a gente discutia
Com o óculo na mão.
E como, é certo, com a vista nua,
Tão fraca e tão subtil,
Tu não podias observar a lua,
Astrónomo gentil.
(...)
António Nobre, Primeiros versos e cartas inéditas

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