"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A contra-reforma laboral travou a fundo...

Mensagem dirigida à esquerda no dia de ontem

E quando os astros pareciam estar todos alinhados... André Ventura surpreendeu.
Quando ontem, no parlamento, num fantástico exercício de demagogia, vulgo cagaçal, já tinha garantido, por parte do Governo, tantas medidas boas... 
Hoje, por coerência - o Chega "não se vende, nem verga" - o voto foi contra. Lá se perderam tantas medidas boas!...
E o PSD ficou pendurado!

Bem que ironizou Rui Tavares, evocando o escorpião que anda aos ziguezagues e que depois acaba por matar quem o leva às costas.


As verdadeiras razões? 
Essas terão de ser analisadas com a ajuda do VAR - o fora de jogo é milimétrico!    

Lá se foi a (que não chegou a ser) nova legislação laboral, resultado de um trabalho de gabinete, sem surgir de uma necessidade evidente (apesar do argumento falacioso da produtividade), sem responder a um compromisso eleitoral, sem um debate prévio mais aberto à sociedade (tal como acontece noutras áreas: o que está a ser preparado, por exemplo, na unificação do 1.º e do 2.º ciclo do Ensino Básico?).

É o modus operandi deste Governo e corresponde a uma noção de (falta de) exercício de democracia. 
A proposta correspondia ao pensamento da Ministra - faz parte da sua fé! - e apareceu "do dia para a noite", num Governo em que cada um toca o que sabe. Fazia (e irá continuar a fazer) parte de um programa ideológico liberal, visando, neste caso, contrariar a Agenda do Trabalho Digno do último Governo de António Costa (Abril de 2023). 

Nunca a esquerda se terá sentido tão satisfeita com o sentido de voto do Chega na Assembleia da República. 

Bem podem as centrais sindicais e os partidos mais à esquerda falarem da luta dos trabalhadores e do seu papel nesta decisão...
Habituados que estamos a que AV não dê ponto sem nó, e porque é o homem das estratégias, não das políticas, qual será o ganho que pensa tirar da posição do seu partido?
Estrategicamente, para o seu objectivo de ascensão eleitoral e influência política, terá feito uma jogada de mestre ou ter-se-á esbardalhado?  
Inclino-me mais para a hipótese do esbardalhamento, embora tenha garantido mais tempo de antena para estes dias.

Mais tranquilo fica António José Seguro: tem menos uma batata quente.
Este fim-de-semana vai saber-lhe bem. Amanhã pode ir descansado à Praça da Fruta, nas Caldas.



P.S.: Será que o Ministro Pinto Luz tem razão e André Ventura é realmente mais socialista que o PS? :)


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