"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Cidade da Horta

A Horta foi elevada à categoria de cidade em 4 de Julho de 1833.
Foi o reconhecimento, por D. Pedro IV, da adesão da ilha do Faial à causa do liberalismo, depois do Conde de Vila Flor, partindo da ilha do Pico, ter atravessado o canal até à Praia do Almoxarife e corrido com as forças absolutistas, em 1831.

Horta vista do mar (1997)
«Cerca das três horas da tarde, lançámos ferro ao fundo na baía da Horta. Terminada a barulhenta manobra e ferradas as velas, veio de terra um barco verificar se havia doenças ou tabaco a bordo e dar-nos licença de desembarque. Enquanto isso se fazia, íamos observando a cidade da Horta (há pouco elevada por D. Pedro a esta categoria), cujo aspecto é o que melhor impressão deixa, de entre outras cidades ou vilas açorianas que visitáramos. A sua situação não podia ser melhor, tanto sob o ponto de vista comercial, como no que concerne à sua beleza natural. (...) A cidade está edificada junto à praia, estendendo-se ao longo da baía larga linha de casas brancas sem chaminés, sobressaindo de entre elas igrejas, conventos e edifícios públicos.»
Joseph Bullar, médico inglês (1839)
in Maria Filomena Mónica, Os Dabney, uma família americana nos Açores



Horta vista do Monte da Espalamaca (1996)
«Já vejo a Horta ao fundo da baía limitada por dois morros, o Monte Queimado numa extremidade e na outra o Monte da Espalamaca. É uma cidade de uma só rua, como eles dizem, a branco e cinzento. Alguns conventos, algumas igrejas pesadas, velhas e simpáticas casas de província com varandas de madeira e reixas: às vezes na varanda um postiguinho para a mulher falar ao namoro acocorada no chão. - Cheguei-me ao ralo - dizem as meninas.»
Raul Brandão, As ilhas desconhecidas (1926)


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