O passado passou!
Mesmo que grandioso...
Jornalista com carreira repartida entre a rádio (nos "maiores": Rádio Clube Português, Rádio Renascença, TSF, Antena 1...) e na imprensa escrita (em alguns dos "maiores": Diário de Lisboa, O Diário, O Jornal, Público, Diário Económico...).
Esteve envolvido em cursos de formação profissional de rádio e recebeu dos maiores prémios de jornalismo em Portugal.
Uma personalidade coerente. Escreveu várias obras de pesquisa jornalística e histórica ligadas, sobretudo, à última fase do colonialismo português, à guerra e à descolonização. Avançou, também, pela ficção (li Romance de uma Conspiração - ainda a Guerra Colonial, a luta política de resistência ao Estado Novo). Experimentou o teatro - talvez influência da sua irmã, Maria do Céu Guerra - com a adaptação de Clarabóia, de José Saramago.E hoje morreu outro capitão de Abril.
Na madrugada de 25 de Abril, o então Major José Cardoso Fontão comandou as forças do Batalhão de Caçadores 5, com sede na zona de Campolide, na missão de ocupar o Quartel-General do Governo Militar de Lisboa (S. Sebastião da Pedreira) e de estabelecer um perímetro de segurança em torno do Rádio Clube Português, garantindo a sua tomada por um grupo de oficiais da Força Aérea e do Exército.
A 2.ª etapa da Volta a Portugal em bicicleta foi uma homenagem a Salgueiro Maia, evocando, de alguma maneira, o percurso feito pelas forças militares por ele comandadas na madrugada de 25 de Abril de 1974.
Os ciclistas partiram de Santarém em direcção a Lisboa, com passagem pela chaimite colocada em Santarém.
Em Marvila, onde acabou a etapa, foi inaugurado um busto com a figura do capitão de Abril.
Com o calmo luar triste e belo,
Que faz sonhar as aves nas árvores
E soluçar de êxtase os jactos de água,
Os grandes jactos de água esbelta entre os mármores.
70.º aniversário do guitarrista norte-americano, parceiro de Chick Corea nos Return to Forever, de John McLaughlin, Paco de Lucá, Stanley Clarke, Jean-Luc Ponty...
Várias vezes considerado o melhor guitarrista (estas coisas tão relativas...) - é um dos muito bons!
"Amo a história. Se não a amasse não seria historiador." (Lucien Febvre, 22 de Julho de 1878 - 26 de Setembro de 1956)
História ciência do Homem, e então os factos, sim: mas são factos humanos; tarefa do historiador: encontrar os homens que os viveram, e deles os que mais tarde aí se instalaram com as suas ideias, para os interpretar.
Os textos, sim: mas são textos humanos. E as próprias palavras que os formam estão cheias de substância humana. E todos têm a sua história, soam diferentemente segundo as épocas, e mesmo se designam objectos materiais só raramente significam realidades idênticas, qualidades iguais ou equivalentes.
Os textos, sem dúvida: mas todos os textos. E não só os documentos de arquivos em cujo favor se cria um privilégio (...). Mas, também, um poema, um quadro, um drama: documentos para nós, testemunhos de uma história viva e humana, saturados de pensamento e de acção em potência...»
Lucien Febvre, Combates pela História
Lucien Febvre fundou, em parceria com Marc Bloch, em 1929, uma revista de História que ficou... para a História: os Annales (chamemos-lhe apenas assim, porque o nome foi alterado mais do que uma vez*, pelas contingências... da História, incluindo a II Guerra Mundial e o fuzilamento de Marc Bloch pelos nazis).
Os Annales significaram outra abordagem da História - a ambição de uma História total ou global, que transformou a historiografia e esteve na origem da investigação interdisciplinar, rompendo barreiras entre as diversas ciências humanas e sociais e na criação de novas correntes historiográficas.
Como dizia Marc Bloch, "a História não é somente uma ciência em marcha, é também uma ciência na infância".
Como essa infância parece longínqua...
* Primeiro, Annales d'Histoire Économique et Sociale, depois Annales d'Histoire Sociale, depois ainda, Mélanges d'Histoire Sociale e, finalmente, Annales (Économies-Sociétés-Civilisations).
A luz viaja mais rápido (e mais longe)...
Em noite de luar
«Há uns anos, durante uma conversa sobre planos para férias e respetivos preços, um amigo cunhou uma expressão que ainda hoje utilizamos: “Se tudo falhar, podemos sempre alugar um T2 na Arrentela com vista para o Lidl.”
(...)
À boleia dos hóspedes estrangeiros e do aumento de preços, os proveitos totais do aposento turístico atingiram 1,6 mil milhões de euros (mais 11,9% face ao período homólogo). Pelo andar da carruagem, qualquer dia, ao residente nacional que queira (e possa) fazer férias no país já nem a Arrentela servirá de plano B.»
Pedro Sequeira, DN, 19 de Julho de 2024
P.S. - Não encontrei fotografias com vista para o Lidl (penso que o Lidl mais próximo é o do Seixal).
Foi hoje inaugurado o Museu Aristides de Sousa Mendes, na Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, que foi residência de família do diplomata. A cerimónia acontece no dia em que completaria 139 anos.
O Museu conta com uma exposição permanente, centrada na acção humanitária do cônsul durante o período da Segunda Guerra Mundial. Está organizada em diversas secções que contam a história da casa, da família, da carreira consular de Aristides de Sousa Mendes, o contexto histórico da época, o processo resultante da sua acção de concessão dos vistos de entrada em Portugal a refugiados que desejavam fugir da França, a pena a que foi sujeito na sequência do processo disciplinar que lhe foi posto e a reabilitação da memória do cônsul.
Conta também histórias de outros portugueses cujas acções contribuíram, igualmente, para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Imagens da casa em ruínas, aqui
«Num
mundo como o nosso, marcado por profundas transformações políticas e sociais,
pela polarização política e social, o passado parece querer tornar-se novamente
presente perante o crescimento da extrema-direita, dos discursos de ódio e da
xenofobia. Esta mudança exige que o museu, enquanto instituição cívica, assuma
um papel ainda mais activo na defesa da igualdade, da inclusão e da justiça
social.»
«Não
há exposições neutras e explorar questões relacionadas com as nossas sociedades
contemporâneas — como, por exemplo, a questão dos refugiados, dos Direitos
Humanos, do dever de desobediência civil — coloca-nos desafios.»
Um
dos desafios será «fomentar junto do visitante uma mudança positiva na sua
consciência, afirmando-se como espaço de defesa activa dos Direitos Humanos.»
(Cláudia Ninhos, do Instituto de História Contemporânea, curadora
responsável pela investigação, selecção dos conteúdos e dos textos da
exposição)
«Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
(...)»
Pinturas de Monet, de 1878, destinadas à terceira Exposição Universal de Paris, uma manifestação do espírito nacionalista - da recuperação da França depois da derrota na guerra Franco-Prussiana (1870-71) - e do entusiasmo republicano, pouco depois do início da III República e da aprovação da nova Constituição Francesa.
As duas obras representam as celebrações do primeiro feriado nacional autorizado desde a derrota de Napoleão III, em 1870 - o dia 30 de Junho de 1878.
Frequentemente são consideradas uma representação da celebração do 14 de Julho, mas esta data só foi designada em 1880 como o Dia Nacional de França e associada à queda da Bastilha e à Festa da Federação (promovida pelo rei Luís XVI para festejar a união nacional, em 14 de Julho de 1790).
Se somos todos iguais perante a lei, por que razão destacou o 1.º Ministro no tal comunicado? Tanta atenção da sua parte acarretou a demissão!
Era desnecessário!
«Entendo que Cristiano Ronaldo é uma lenda, mas desde há vários anos impede a projecção de outros jogadores e não dá nada à equipa (...). Isso foi visível diante da França, Portugal jogou com 10. É uma lenda, pode continuar a ser adorado, mas foi ele que impediu que Portugal fosse mais longe no Europeu. Não gosto de ver jogadores consagrados como este a fazerem uma última aparição como se fosse uma volta olímpica. Chega a ser patético e é necessário virar a página»
Daniel Riolo, jornalista da RMC Sport
Acrescento: O mal é haver treinadores que permitem e/ou alimentam isso. Martínez imitou o que Fernando Santos fez quase até ao fim (quando não "respeitou" Ronaldo e o substituiu).
A afirmação é de um jornalista da SIC-Notícias, no telejornal das 20 horas.
Não sabemos como as forças da ordem irão actuar nem como irá reagir a opinião pública inglesa (nomeadamente os que não são trabalhadores).
Continuando o que já parece uma secção de necrologia...
«O espectáculo de Cristiano Ronaldo é imparável e reduz os outros jogadores a atores secundários. Neste mundo de adoração de celebridades, ganhar partidas de futebol parece uma preocupação secundária. É tudo sobre Ronaldo.
Tudo em Portugal é reduzido a Cristiano Ronaldo. O futebol português tornou-se o grande psicodrama do seu envelhecimento. Diogo Costa pode ter defendido três penáltis no desempate (3-0), mas mesmo assim só se fala de Ronaldo.»
Os dias de luto nacional, como se costuma dizer, valem o que valem.
Mas por que razão Manuel Cargaleiro, artista consagrado, mereceu a consideração do decreto de luto nacional e Fausto, artista consagrado, não mereceu?
Porque era "mais à esquerda" e este Governo é "mais à direita"?
Quais são os critérios?
Alberto Manguel, A biblioteca à noite
"Soube escutar as marcas de referência da nossa identidade enquanto povo, enquanto cultura" (Nuno Galopim)
Nome grande da música portuguesa, dos compositores mais criativos partindo da música tradicional portuguesa ou de ritmos africanos (Fausto viveu em Angola até aos 20 anos).
A ele se deve um dos melhores discos de sempre da música portuguesa: Por este rio acima, primeiro duplo da trilogia Lusitana Diáspora, a que se seguiram Crónicas da terra ardente e Em busca das montanhas azuis, o último disco de originais que gravou (e que eu continuo a procurar, como já disse aqui , quando Fausto completou os 75 anos). Com essa trilogia podemos dizer que Fausto se tornou o Fernão Mendes Pinto da nossa música.
"Era um grande criador, intérprete, criador de letras e músicas e criou um universo próprio, muito pessoal e muito personalizado. A gente consegue dizer aquela canção é do Fausto porque de facto ele tinha um carimbo" (Sérgio Godinho)
Lembro-me de ter conhecido a sua música logo após o 25 de Abril de 1974, com o LP P'ró que der e vier, que terá sido acabado de gravar uma semana antes dessa data.
Era o tempo das canções de intervenção, de "luta pura e dura" (Venha cá sr. burguês, O patrão e nós, P'ró que der e vier...), altura em que Fausto esteve envolvido na criação do GAC (Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta), com José Mário Branco, Afonso Dias e Tino Flores, entre outros, embora não se tenha demorado no grupo. Aí compôs O poder aos operários e camponeses, cuja letra é exemplo da cantiga como arma.
Atrás dos tempos, de Madrugada dos trapeiros (1977)
Faleceu Manuel Cargaleiro.
«Comecei a minha vida de artista como ceramista e sou ceramista mesmo quando faço pintura a óleo. Não consigo imaginar uma coisa sem a outra. As minhas duas práticas, claro que se influenciam mutuamente. Não posso esquecer todos os meus conhecimentos sobre a história da faiança ou sobre a decoração mural quando pinto, assim como não esqueço a minha cultura pictórica quando crio em cerâmica. Está tudo muito ligado, e é isso que constitui a minha especificidade.»
Mural na estação de metro Champs-Elysées Clémenceau, inaugurado em 25 de Novembro de 2019.
Set the Controls for the Hearts of the Sun é a única faixa tocada a 5, enquanto Jugband Blues, cantada pelo próprio, é a última composição de Barrett para o grupo.