"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 13 de junho de 2026

Letra da marcha de Alfama 2026

Alfama venceu o concurso das Marchas Populares de Lisboa 2026.
Maria do Rosário Pedreira é a autora da actualíssima letra da marcha.

São Pedro não acredita
Que há samba nos arraiais;
E, ao confirmar a desdita,
Vê Santa Luzia, aflita,
Encher seu templo de ais.
Ao ver tudo tão mudado,
Santo Estêvão perde a fé;
Que futuro malfadado
quando o vizinho do lado
Já ninguém sabe quem é.
Os Santos devem estar loucos
E os motivos não são poucos,
Está tudo doido, não vês?
Dança-se a salsa no baile,
Canta-se o fado sem xaile,
(e) Só se ouve falar francês.
Já não se salta a fogueira;
O manjerico não cheira,
Não há arquinho e balão.
Mas, se o bairro perde a chama,
A marcha devolve a Alfama
O sonho e a tradição.
S. Miguel olha quem passa
E é quase tudo estrangeiro;
Nem a comida tem graça
E até S. João da Praça
Fez kebab do cordeiro.
Ao ver tudo assim mudado,
Os Santos perdem o tino.
E Santo António, chocado,
Fica tão desnorteado,
Deixa cair o menino.

Fotografia de José Manuel Costa



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