"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 28 de julho de 2023

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Algumas verdades politicamente incorrectas

 

Estou de acordo com muito do que o Ministro da Cultura disse (sobre deputados, comentadores e jornalistas) neste extracto da entrevista:

E ofenderam-se as virgens púdicas que se dedicam às coreografias e aos jogos florais.


domingo, 9 de julho de 2023

Elton John no adeus aos palcos

Elton John despediu-se dos palcos, ontem à noite, com um concerto em Estocolmo, na Suécia, no qual agradeceu a todos por "52 anos de pura alegria a tocar música". Alguma dessa música também me trouxe alegria, há muitos anos... Agora é mais uma certa nostalgia: Crocodile Rock foi o primeiro single de música pop-rock que comprei.

E terminou com Goodbye Yellow Brick Road (uma dessas músicas).

Há 50 anos, na BBC...


O solista com voz polifónica

 

My Tuvan land

Dos cafundós da Federação Russa (seja isso o que for), onde o Diabo perdeu a mãe (seja isso onde for), encostada à Mongólia, música da República de Tuva.

"Dizem as lendas que o canto tradicional tuvano nasceu entre os pastores que passavam largos dias isolados nas montanhas, ao tentarem imitar o som dos elementos da natureza: a cascata de um rio, o vento nas árvores, os pássaros. Hoje, este estilo musical é uma das mais distintivas heranças culturais da região."

O canto tradicional tem passagens em que o cantor produz duas notas em simultâneo, surpreendendo-nos com os seus sons. O solista da Orquestra Nacional de Tuva até nos faz ouvir os cavalos!


sábado, 8 de julho de 2023

José Mattoso (1933-2023) - A visão da História Contemplativa

«A História como totalidade designa a própria Vida do Homem sobre a Terra. É o conjunto de tudo o que é, e tudo o que foi humano. (...)

Tudo tem sentido, tudo pode desencadear a exaltação de quem descobre esse mesmo sentido. 

(...) a minha visão da História humana, da História-vivida é contemplativa. (...) Requer um olhar atento, global, pacífico, não interventivo. Um olhar que capta as relações do pequeno com o grande, do singular com o plural, do diferente com o semelhante, do mesmo com o contrário. Um olhar que coloca as coisas na sua ordem, que permite descobrir os géneros e as espécies, que classifica os conjuntos e lhes atribui qualidades. Um olhar que reconhece o movimento e as mutações, sem que a diferença de tempo altere a identidade. Um olhar que compreende os percursos e os destinos da Humanidade, a atração e a repulsa, o amo e o ódio. (...) Só a praxis, a consideração da totalidade, nos introduz na "espantosa realidade das coisas".

José Mattoso, A História Contemplativa

Morreu hoje o Historiador contemplativo.

Historiador mas também cidadão activo, exemplo de empenhamento cívico e um mentor e fonte de inspiração de muitos historiadores.

Fica o seu legado. 

Obrigado!



quinta-feira, 6 de julho de 2023

See Pink Floyd play

6 de Julho de 1967 é a data da primeira aparição dos Pink Floyd na BBC, no Top Of The Pops, para promoção do single See Emily play.


Uma canção muito Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Era a fruta da época. Os dois discos foram gravados na mesma altura.


Atelier-Museu Júlio Pomar - 10 anos


Júlio Pomar, 10 anos de museu, para comemorar os primeiros 10 anos do Atelier-Museu Júlio Pomar.

As obras expostas abrangem diversas épocas e temáticas, "dos cadernos de desenho da infância às grandes pinturas", destacando-se um conjunto de estudos e documentos relativos aos murais criados no Cinema Batalha, no Porto, recentemente recuperados.




Duvido que haja reportagem das televisões... 


Apresentação de Di María

Estão 6 canais de TV (pelo menos) a transmitir em directo a apresentação de Di María no Benfica (e com tempo para comentadores vários).

Por uns momentos esquecemos a "vergonha democrática" do relatório do inquérito parlamentar à TAP, o desmaio do Presidente, a guerra da Ucrânia, o paradeiro de Prigozhin...

É dose!


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Tão novinhos que eles eram!

5 de Julho de 1969, os King Crimson, ainda sem qualquer LP gravado, participaram no Festival  de Hyde Park em que os cabeças de cartaz eram os Rolling Stones, perante um público estimado entre 250 e 500 mil espectadores (fontes seguras!).  

Quando ouvimos a gravação, percebemos que a actuação revela o nervosismo dos novatos e a música arranca um pouco em "ponto de fuga para a frente", com as vozes vacilantes. Mas o apresentador acertou ao dizer que aquela nova banda iria percorrer um longo caminho. Ainda aí anda!

A Robert Fripp parece não ter faltado auto-confiança: considerou o sucesso tinha sido gigantesco, de uma importância que levaria tempo a ser devidamente avaliado. "Nos próximos anos iremos olhar para este dia e perceber plenamente o seu significado.” 

De acordo: percebemos o seu significado!

P.S.: Não sei quem é a loura da foto do grupo... nem as pequenas de baixo!

Hyde Park, 5 de Julho de 1969


sábado, 1 de julho de 2023

O primeiro Walkman

Há 44 anos, a Sony lançou o Walkman.


O primeiro modelo, o TPS-L2, foi lançado no Japão no 1.º dia de Julho de 1979, chegando aos Estados Unidos no ano seguinte, onde se chamava Soundabout, e depois a outros mercados. No Reino Unido era o Stowaway

Ficou para a posteridade como Walkman, o nome com que a Sony já o tinha registado.

Foi o primeiro dispositivo a permitir a reprodução de músicas de forma portátil, se não contarmos com... os rádios de pilhas.


O espírito de revolta dos franceses

«A história da França é uma história de guerras incessantes. Guerras pelo território e pelo poder, mas também guerras e rebeliões contra o poder.

(...) Criou-se uma tradição de revolta, que atravessou os regimes políticos, monárquicos e republicanos, e que se sedimentou na subjectividade popular. (...) Desde as jacqueries medievais e um sem-número de revoltas populares dos séculos seguintes, até à Revolução Francesa, e às grandes manifestações de 2023 contra a mudança da idade da reforma, o espírito de revolta do povo francês explode regularmente contra os poderosos, detentores do poder político.

(...) A própria formação da sociedade e do Estado tornam mais complexa a natureza e o desenvolvimento desse traço das subjectividades. (...)

A sociedade francesa não é contra o Estado porque é também, sem dúvida, pró-Estado - mesmo se os franceses desconfiem, em geral, do seu poder soberano. Mas, se é certo que, reactivamente, o espírito de revolta se ergue contra o Estado que, paradoxalmente, o vai alimentando, positivamente exprime o desejo profundo de autonomia e liberdade, sedimentado e reforçado por séculos de lutas concretas e de ideias libertárias.»

José Gil, A sociedade contra o Estado? (Revista Visão História, Junho/Julho 2023)


Franceses que, mais do que nunca, vão constituindo uma mistura étnica/social que parece acentuar os padrões de revolta. Mesmo que às vezes esta se afigure gratuita.


quinta-feira, 29 de junho de 2023

A Saucerful Of Secrets - quando os Pink Floyd foram 5

Em 29 de Junho de 1968, os Pink Floyd lançavam A Saucerful Of Secrets, o seu segundo álbum de estúdio e, na minha opinião, a primeira obra-prima das várias criadas pelo grupo no espaço de 7 anos (pararam em 1975, com Wish You Were Here).

Foi o último trabalho do grupo com Syd Barrett e o primeiro com o guitarrista David Gilmour, sendo, portanto, o único disco em que participam os cinco membros que pertenceram ao conjunto. Todos os membros contribuíram com composições e na sua interpretação vocal.

Mas quanto a tocarem juntos, só na faixa Set the Controls for the Hearts of the Sun isso acontece. Jugband Blues é a última composição de Barrett nos Pink Floyd, sendo cantada pelo próprio a encerrar o disco.

Em público, a primeira apresentação dos Pink Floyd como quinteto aconteceu em 12 de Janeiro de 1968, na Universidade de Aston (Birmingham), repetindo-se em mais 3 concertos, pelo menos. A separação definitiva aconteceu antes do lançamento deste disco, considerado um marco para o rock psicadélico.


Set The Controls For The Heart Of The Sun - Live At Pompeii


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Os trabalhadores são uns garganeiros!

 

Tadinhos dos Mercados! 

Pobrezinhas margens de lucro!


Como se escreve num jornal que já foi de referência

Copiado da edição online do DN de 27 de junho:

«Reiterando o que já havia afirmado no seu discurso durante a cerimónia da sua homenagem - que é independente e que não tem cor política - Eduardo Catroga voltou a frisar que é independente e não tem cor política, mas voltou a sublinhar esta ideia que já por várias vezes havia referida em entrevista.

(...)

Com um rasgo de humor, e voltando à questão de os governos só estarem preocupados em proteger o poder, Eduardo Catroga referiu que, se fosse futebol talvez alguém andasse preocupado, mas que, fora isso, não vê ninguém preocupado com o facto de Portugal estar a caminhar para a cauda da Europa, em juntar-se ao pelotão da frente, em termos de prosperidade económica e social".»

https://www.dn.pt/politica/catroga-os-partidos-no-governo-tendem-a-ser-conservadores-para-manter-o-poder-16601148.html


«Aníbal Cavaco Silva afirmou esta terça que a atuação de Eduardo Catroga à frente do Ministério das Finanças entre 1992 e 1993, (…)»

https://www.dn.pt/politica/cavaco-eduardo-catroga-foi-o-melhor-ministro-das-financas-de-portugal-16600315.html

Eduardo Catroga foi Ministro das Finanças entre 7 de Dezembro de 1993 e 28 de Outubro de 1995. 

Poderia, ainda, transcrever mais uma ou duas frases como exemplos de descuido na utilização da língua portuguesa.


À atenção de Luís Montenegro

Aposta na 3.ª idade?

Segundo o prof. Cavaco Silva (acreditando na transcrição do DN online de ontem, a qual deixa a desejar quanto ao Português usado e quanto às datas referidas), Eduardo Catroga «demonstrou bem claro que, na sua mente, entendia que [n]a situação em que o país se encontrava era essencial que a utilização dos instrumentos das políticas orçamental, monetária, cambial e de rendimentos fossem acompanhadas [por] políticas estruturais de modo a reforçar, numa perspetiva de médio e longo prazo, o crescimento potencial da economia e a eficiência económica e competitividade das empresas».

Parece-me o trivial!... (mas eu não entendo de finanças!)

Só à terceira tentativa, o economista terá aceitado o convite para ser ministro de Cavaco Silva, substituindo Jorge Braga de Macedo, envolvido em escândalos mediáticos de utilização "dúbia" de subsídios do IFADAP.
Foi Ministro das Finanças nos últimos 2 anos de Cavaco Silva como 1.º Ministro (7.12.1993 a 28.10.1995), a fase "descendente" do líder do PSD (deixá-lo-ia de ser em breve, conforme o próprio tinha antecipado, após 10 anos de chefia do Governo).

O elogio é natural numa cerimónia em que era atribuído o título de Economista Emérito a Eduardo Catroga, numa homenagem da Ordem dos Economistas.
Mas quando Cavaco destaca a visão do seu ex-Ministro "na situação em que o país se encontrava" (expressão normalmente usada para situações menos positivas) e o enaltece por ser "o impulsionador do lançamento da economia portuguesa em bases sustentáveis", o que (não) foi feito nos 8 anos anteriores pelos outros ministros das Finanças?
E a economia portuguesa ficou com bases sustentáveis? 
Um estudo publicado pelo Banco de Portugal sustenta que "de 1995 até agora [2019, a data do estudo], o PIB per capita português não se aproximou da média da UE" - Como Portugal parou de convergir a partir de 1995 e foi ultrapassado a Leste
"O Banco de Portugal diz que o problema está no crescimento baixo da produtividade e assinala que, ao nível europeu, existe uma dificuldade “em manter ritmos de crescimento económico elevados a partir de determinado patamar de rendimento”.

No meio das alfinetadas aos actuais governantes, distraiu-se e autocriticou-se?

Cavaco Silva (e muita comunicação social), na sua campanha anti-PS, reflecte uma nostalgia abstrusa.


Uma questão de honra

A humildade de reconhecer os erros.

A sobranceria de não os corrigir!

"Olhem, queridos, tenho uma surpresa para vocêses!"

Se calhar, estou a fazer m... outra vez, mas que se lixe!

Recordando (estávamos em 2013)...




Não nos devemos esquecer que a culpa da alta das taxas de juro é dos elevados salários...


Garganeiros!


segunda-feira, 26 de junho de 2023

A cavalgada do Wagner

Wagner, o outro. Cavalgada, a outra, a das Valquírias - Walkürenritt or Ritt der Walküren.



Mercenários & Corsários

Sempre duvidei das parcerias público-privadas.

Na experiência nacional, regra geral, os ganhos tornam-se privados e os prejuízos são públicos... e notórios nos orçamentos.

Transferida a experiência para as empresas de segurança fortemente armadas, a nível das grandes potências, o caso pode ser sério! E quando as situações descambam e se chega ao descontrolo... estamos num perigoso (Prigozhin, em russo) reality show de gangsters. Os Estados Unidos têm sabido gerir muito mais discretamente os seus mercenários.

É como no tempo da pirataria, em que as principais monarquias europeias suportavam os seus corsários. Mas estes podiam tornar-se problemáticos. E também mudavam de equipa... 

São parceiros instáveis. Pessoas sensíveis, sobretudo aos gastos e aos ganhos.

Quando as coisas vão bem...

Quando as coisas azedam...


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Num dia de Verão

 

Nadir Afonso


Atlântico Norte vs Mediterrâneo

O submarino Titan, uma angústia televisiva

«Acontece que, quase em simultâneo com o desaparecimento deste submarino com cinco pessoas a bordo, naufragou junto à Grécia uma traineira, vinda da Líbia, com 700 pessoas a bordo. Até ao momento, foram resgatadas com vida 104 pessoas e mortas 79. A grande maioria continua desaparecida e fala-se em 100 crianças entre elas. A quase simultaneidade das duas notícias permitiu estabelecer com clareza o impiedoso contraste com que elas foram tratadas pela comunicação social e o do interesse que mereceram da nossa parte. Neste contraste está espelhada a miséria coletiva que nos domina e que domina o mundo ocidental.»

Carmo Afonso, Público

Uns morreram no mar porque tinham muito dinheiro, outros morreram porque não tinham dinheiro.


segunda-feira, 19 de junho de 2023

Vou sentir um vazio...


... sem as audições requeridas pela Comissão de inquérito à gestão da TAP.


Depois será a polémica da aprovação do relatório.

Já estão à venda os bilhetes!


domingo, 18 de junho de 2023

Memórias da Mundet na prenda oferecida ao Presidente

O Presidente da República agraciou a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas com a Ordem de Mérito, na cerimónia do seu 38.º aniversário.

O evento decorreu no Seixal e o Presidente do município ofereceu uma serigrafia representando a saída da fábrica dos trabalhadores da Mundet, da autoria de Luis Badosa.

Luis Badosa, falecido em 2015, era um pintor catalão radicado em Bilbau.
Em Janeiro de 1999 teve uma exposição no Núcleo da Mundet do Ecomuseu Municipal do Seixal (Edifício das Caldeiras Babcock), exposição essa organizada especificamente para este espaço, então beneficiado com obras de conservação, com trabalhos realizados entre 1980 e 1998.
A exposição explorava uma das mais importantes facetas da pintura de Luis Badosa: a representação de espaços fabris e de paisagens marcadas pela indústria.

Na base da obra encontra-se uma foto dos anos 50 do século XX representando a saída do pessoal da fábrica do Seixal da Mundet & C.ª Lda.


No final dos anos 90, apenas 10 anos passados sobre o encerramento da importante fábrica de cortiça (1988), o sonho era a musealização dos espaços fabris da Mundet (adquiridos pela C. M. Seixal em 1996).
As fachadas voltadas ao rio eram uma imagem de marca.

Hoje, no lugar dos refeitórios (identificados na imagem), um restaurante moderno que de Mundet tem o nome.
No lugar dos restantes edifícios da imagem está em construção um hotel que de Mundet terá, provavelmente, o nome.
Outros valores se levantaram.

O nome Mundet, no interior do espaço antes ocupado pela fábrica, não aparece uma única vez em qualquer planta, cartaz ou sinalização do Parque Urbano do Seixal, entretanto aí instalado (será distração minha?).
Muitos dos antigos trabalhadores da fábrica já, entretanto, faleceram.
Muitas das memórias da fábrica já se perderam.
Muitas das ideias de musealização dos seus espaços ficaram pelo caminho, muito do seu património se perdeu.
Foi-se património material e vão-se as memórias.

Mas a serigrafia oferecida ao Presidente da República remete para esse património e acorda História adormecida.


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Os rankings das escolas e os valores da burguesia

Hoje é o dia da dose anual dos rankings das escolas.

Mais do mesmo! 

Mas gostei desta justificação burguesa dos bons resultados do Norte Litoral.

Burguesia forte... Regresso ao liberalismo do século XIX, recordo-me da família inglesa do Júlio Dinis... uma afirmação burguesa!

Não sabemos se essa afirmação também serve para justificar o fenómeno recorrente da atribuição de notas de frequência mais altas do que aquelas que os estudantes conseguem ter nos exames nacionais. Porque tal acontece, sobretudo, no ensino privado... na faixa litoral da região Norte (fenómeno reconhecido pelo meio de comunicação social que mais promove a divulgação destes rankings - o jornal Público).


quinta-feira, 15 de junho de 2023

Lisboa com seu nome de ser e de não-ser

(...)
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen



terça-feira, 13 de junho de 2023

Desenrasque à portuguesa

Pelo Público de hoje, ficamos a saber que, apesar do André e da Telma já não viverem juntos (e nenhum deles viver na casa em questão), é possível que o sofá que ambos adquiriram há cerca de 10 anos, e que um grupo de imprescindíveis vizinhos ajudou a entrar pela varanda do prédio sito na Mouraria, permaneça no interior da casa. Porque sair é difícil e vá-se lá saber se ainda existe a solidariedade necessária na vizinhança para o retirar... por onde entrou. 

As fotos, recordadas pelo jornal, são um expoente do “desenrasque à portuguesa”. 

O recurso à canadiana é um achado fabuloso!


Há anos assisti à entrada de um colchão de casal e do respetivo estrado numa habitação de uma vila na Graça.

O esforço que foi!...

Prémios do Património Cultural Europeu 2023

A Europa Nostra, organismo que representa organizações que trabalham na salvaguarda do património cultural europeu, atribuiu os prémios do Património Cultural Europeu, tendo Portugal recebido quatro distinções.

Na categoria de "Conservação", foi contemplado o restauro dos tectos em estilo mudéjar da Sé Catedral do Funchal; na categoria de "Pesquisa", a distinção coube ao projeto para salvaguarda da arte xávega na praia da Tocha; na de "Envolvimento e sensibilização dos cidadãos", foi consagrado o projecto de investigação e divulgação da arte mural de Almada Negreiros na cidade de Lisboa; finalmente, o arqueólogo e historiador Cláudio Torres, grande responsável pela valorização da herança cultural islâmica em Portugal, foi distinguido como "Paladino do património". 



domingo, 11 de junho de 2023

sábado, 10 de junho de 2023

Camões - o seu dia e o estado da língua portuguesa

«(...) o que parece preocupante é o facto de cada vez menos haver em Portugal qualquer espécie de interesse por Camões e por aquilo que ele representa. O nome do autor de Os Lusíadas tende a ser apenas a marca distintiva de um feriado, ambíguo luxo nos tempos que correm, e pouco mais. As questões da identidade começam por estar relacionadas com a língua materna e esta deve a Camões a sua dimensão moderna. Mas estão à vista as consequências que, para a identidade, decorrem do actual estado de coisas: a língua materna está cada vez mais deteriorada (…). Nem sabemos pronunciá-la, nem sabemos escrevê-la ou falá-la com um mínimo de correcção. E nem vale a pena falar da situação catastrófica que virá a ser gerada pelo Acordo Ortográfico se este algum dia se aplicar (...). Vivemos numa época de apoucamento da língua, de empobrecimento do vocabulário, de aviltamento de todas as regras de gramática. (…) Vêmo-la subordinar-se servilmente ao facilitismo e à tecnologia, quando devia contribuir para uma estabilização dos seus paradigmas próprios, procurando equilíbrios permanentes com as tendências que são sinal dos tempos. (...) A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.»

Vasco Graça Moura, A língua de Camões (DN, 9 de Junho de 2010)


sexta-feira, 9 de junho de 2023

O passado de Lisboa resume-se a esta luz

«Lisboa é uma cidade sem passado visível nas pedras. Ou melhor: o passado de Lisboa resume-se a esta luz que, de olhos em olhos, de pele em pele, de caliça em caliça, chega diariamente até nós, lá do fundo dos tempos, sempre com o mesmo peso de espuma voada.

Depois, ao anoitecer, dá-se uma espécie de terramoto e a cidade afunda-se na escuridão. Desaba, desmantela-se, rui (às vezes ajudada pelo clarão explosivo do luar), para surgir reconstruída na manhã seguinte com a fluidez suspensa de pedras de céu azul e o habitual ouro contente das fachadas.

Eis a razão, ou pelo menos uma das razões, por que os habitantes desta cidade não se inibem de deitar abaixo seja o que for (os Jerónimos e a Torre de Belém escaparam até hoje à demolição por milagre), todos, no fundo - repito -, com a convicção de que o nosso único testemunho de passado comum reside nesta bendita luminosidade que, através de mil catástrofes e tormentas, purifica incansavelmente as ruas e os prédios.»

José Gomes Ferreira, nascido a 9 de Junho de 1900, na cidade do Porto, teve épocas de vagabundagens por Lisboa, a "horas desertas da noite, quando o silêncio crepita mais vivo na solidão", de que "resultou o adensamento (...) da lenda que me atribui o conhecimento a palmos de Lisboa e respectivos alçapões".

Citações de José Gomes Ferreira, O irreal quotidiano


A imagem que conservo há anos "para abertura" do meu PC

Considerava JGF como derrotista, mas Lisboa parece-me hoje uma cidade que vai perdendo a memória ao mesmo ritmo que vai sendo ocupada pelos alienígenas. 

Fica-nos a luz...


quinta-feira, 1 de junho de 2023

Há livros e livreiros

 
Público, 30 de Maio

Foi uma antiga aluna que me levou pela primeira vez à Ler Devagar.

Óptimo nome, que denuncia uma filosofia em contracorrente à voragem dos dias. Contra os fast books!


terça-feira, 23 de maio de 2023

Eduardo Lourenço 100 anos


Eduarda Dionísio (1946 - 2023)

Eduarda Dionísio pintada por seu pai, aos 6 anos 

Faleceu Eduarda Dionísio, a dinamizadora cultural - que outro nome sintetiza a sua ação multifacetada, a exemplo de seu pai, Mário Dionísio? Há alguma similitude na ação de ambos (até, por coincidência, na idade do falecimento) e Eduarda Dionísio trabalhou abnegadamente, até ao fim, pela preservação da obra e da memória de seu pai.

Nascida em 1946, formada em filologia românica (como os pais), esteve ligada ao mundo do teatro, foi professora do ensino secundário, nomeadamente no Liceu Camões, onde os seus pais também leccionaram, colaborou em variadíssimas publicações, escreveu sem que quisesse que lhe chamassem escritora, mas chegou a receber prémios literários.

Participou no movimento estudantil contra a ditadura e fundou a Associação Abril em Maio, a quem "não interessa o cultural em que a cultura se transformou, mas a cultura enquanto conjunto de saberes, de saberes-fazer e de saberes-viver, fundado numa prática colectiva em que os indivíduos e os grupos são atores da sua própria existência".

Aquele que terá sido o seu grande projeto, foi a fundação e dinamização da Associação Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, em 2008, onde reuniu o espólio literário e artístico e o arquivo pessoal do seu pai. A Casa da Achada, localizada no bairro da Mouraria, tornou-se um pólo cultural de referência, com uma programação de atividades que ultrapassam a evocação do legado de Mário Dionísio.

Tinha em mãos – não sei se teve oportunidade de concluir – a edição do até agora inédito diário de seu pai, Passageiro Clandestino. Ainda no mês passado, foi lançado o quarto volume (respeitante ao período de 1974 a 1980), acompanhado, como os volumes anteriores, por livros de notas redigidas por si, para contextualizar o período a que os diários dizem respeito.

Eduarda Dionísio era "um monumento de capacidade de trabalho, meticulosa ao pormenor, culta como pouca gente, curiosa como ninguém, operária da memória. Amava a cultura e queria-lhe a marca de uma paixão revolucionária e intransigente na sua contraposição à rotina e à modorra. Queria fazer e fez".  (Francisco Louçã)





Casa da Achada - Centro Mário Dionísio


domingo, 21 de maio de 2023

A estupidez de quem se afirma adepto

 Adeptos?

Energúmenos!


A solidez do pudim

 


A campanha continua. A afirmação de uma solidez tantas vezes repetida... 
The show must go on...

P.S. (não é Partido Socialista!) - Quando é necessário afirmar repetidamente a solidez de um líder... é porque esse líder não é sólido. 


Expo'98 - 25 anos

A inauguração foi há 25 anos.

Na foto, reconheço os "barões" socialistas à esquerda (com um jovem António Costa). 
Faltam António Cardoso e Cunha, primeiro comissário 
da Expo'98, e António Mega Ferreira, que lhe sucedeu, ambos já falecidos.

A Expo'98 veio mexer com Lisboa (deu-lhe uma nova imagem) e com a mentalidade das pessoas - criou uma abertura ao exterior. Tornámo-nos cosmopolitas. 

Foi um mergulho no Futuro...



sábado, 20 de maio de 2023

O Marquês de Pombal gostaria de futebol?

É melhor que o Benfica seja campeão já este fim de semana...

Para a semana quero ir descansado à Feira do Livro!


Fundão (segundo novo acordo ortográfico)

 

Hoje comi umas óptimas cerejas da Gardunha, ali onde o Fundão (a Cova da Beira) se encosta à serra.

O Fundão e as suas cerejas não têm muita sorte com a ortografia - ver aqui

São melhores, mesmo, as cerejas!


O regresso do Festival Islâmico de Mértola

 

Até Domingo, a vontade de voltar a Mértola... 
Talvez mais tarde (espero não me atrasar!)...

Quantas coisas digo que não faço
quantas voltas sem me decidir a pôr meu pé em terra.

Critico os meus olhos e não se convencem;
aconselho minha alma, não aceita os meus conselhos.

Ai quantas coisas se desculpam, dizem:
“talvez mais tarde”. Quantas se demoram.

Em quantas coisas confio
que terei longa vida, e me atraso.
Mas a morte não se atrasa.
Todos os dias brada entre nós

o pregoeiro da caravana: “Alto!”
Depois de setenta e nove anos,
deverei esperar uma vida longa? (…)

Abu Imrane Almertuli
poeta e místico sufi, que viveu em Mértola, junto às margens do Guadiana, no final do século XII


Lindíssimo logotipo, no desenho e nas cores


terça-feira, 9 de maio de 2023

Com a mentira me enganas

A RTP2 estreia amanhã, dia 10, às 23:10, a série documental Verdade e Mentira ou... como a compreensão da história foi moldada pelo uso de mentiras. 

Quem diria?

Como a compreensão da realidade actual é moldada pela manipulação dos factos (incluindo a sua omissão), pelas interpretações interesseiras e seus ecos (uma mentira mil vezes repetida...). Mas isto já sou eu a dizer...





domingo, 7 de maio de 2023

Encerrado "O caso das três Marias"

No dia 7 de Maio de 1974, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, autoras do livro Novas Cartas Portuguesas (e o seu editor, Romeu de Melo, da Estúdios Cor), foram absolvidas em julgamento num processo que tivera início a 25 de Outubro do ano anterior.

As escritoras em questão, antes tratadas como prostitutas, foram reconhecidas como autoras de uma obra de arte, declarando a sentença que "o livro não é pornográfico nem imoral". 

Assim terminava o escândalo de um processo conhecido como "O caso das três Marias", que levara, inclusive, à realização de vigílias de apoio às escritoras junto às embaixadas portuguesas de Paris, Washington e Haia.