"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Salazar morreu há 56 anos



«É verdade que muita nostalgia, muito fanatismo e quase todo o Portugal retrógado e ultramontano vieram a Lisboa verter a sua lágrima e ver as pompas fúnebres. Mas desde a operação do dr. Vasconcelos Marques ao hematoma craniano do ditador até à lamentável mensagem televisionada que o apresentara, gaguejante, trôpego e inútil, ao país atónito, completara-se o percurso da última etapa da sua vigência de quatro décadas. Só lhe faltava, portanto, aquele cortejo imperial pelas ruas de Lisboa a arrastar um símbolo sem herança sólida, cujos guerreiros se cansavam de guerrear sem esperança e cujos velhos patrícios fiéis deixavam já roçar pelas fímbrias das respeitáveis togas meia dúzia de rapazes que, antes do fim daquele ano, pela voz do dr. Sá Carneiro, haveriam de fazer corar Salazar, na sua tumba, e as múmias adiadas, em S. Bento, denunciando a evidência: os direitos e liberdades não eram respeitados em Portugal.»
Álvaro Guerra, Café Central 


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