"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Há sempre alguém que nos faz falta

A surpresa e a tristeza da notícia da morte de Luís Represas.

Vi-o no passado 21 de Março, na Meo Arena, Viver tudo numa noite. Os colegas saberiam que era a despedida. Não sabíamos nós, na alegria do reencontro.  

A voz não podia ser a de há 30 ou 40 atrás, mas era... "aquela voz" e parecia estar bem.


Tive oportunidade de o ver na FIL, em 1976, na primeira Festa do Avante. 

«Tínhamos começado há dois meses, aquilo era ainda muito imberbe, mas tocámos umas quatro ou cinco músicas no palco 1, com 5 mil pessoas à frente. Foi o prenúncio de alguma coisa que estava para vir.» (Luís Represas)

Revi-os, já mais crescidos - a sair da adolescência -, em 13 de Dezembro de 1977, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, num espectáculo promovido pelas Associações de Letras, Medicina e ISCTE. 

Foi a época da minha entrada na Faculdade, o meu primeiro acto académico, quase diria, num ano lectivo em que as aulas, com a enchente de alunos, só começaram em Fevereiro-Março. 

Depois foi o seguir a carreira, as várias festas do Avante, concertos outros, os discos (vinil e CD).

Em 1989, qual coroa de glória (porque eu estava lá e tive alguma coisa a ver com isso...), o Trovante actuou no campo de jogos da então Escola Preparatória Paulo da Gama (Amora), espectáculo integrado na Semana da Música.







Teriam sido mais de 3 mil pessoas naquele espaço, momento inesquecível, quando o grupo atravessava uma fase de enorme sucesso. Espectáculo com as canções de Terra Firme como principal suporte, logo um disco em que o local da foto da capa é a Ponta dos Corvos, no Seixal.

O Trovante (no singular) foi um grupo charneira entre gerações e a música portuguesa seria muito mais pobre sem eles, no colectivo, a solo ou em colaboração com outros.

Sempre valorizei mais a sua actividade artística (tal como a dos outros elementos) no seio do Trovante.

Agora, mais do que nunca, é ouvir e recordar.

Obrigado, Luís!


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