"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 18 de julho de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - 70.º aniversário

O Decreto-Lei nº 40 690, de 18 de Julho de 1956, oficializava os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 – 1955), magnata e filantropo de origem arménia, visava o apoio à Arte, à Ciência, à Educação e à Beneficência.

Calouste Gulbenkian acumulou uma fortuna colossal com base nos negócios de exploração de petróleo no Médio Oriente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo na primeira metade do século XX. Construiu, também, uma fabulosa colecção de arte, constituída por mais de 6 mil obras.

Refugiou-se em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial (vindo de França, em 1942, com a ideia de aqui “fazer escala” para seguir para os EUA) e aqui acabou por viver até ao final da sua vida, no Hotel Aviz, à época o mais luxuoso hotel da capital (demolido em 1962).  

Hotel Aviz - sala de estar


Para edificar o complexo da sede e museu da Fundação, para além dos jardins, foi comprado o terreno do Parque de Santa Gertrudes, em Palhavã, onde antes funcionara o primeiro Jardim Zoológico de Lisboa (1884) e a Feira Popular (1943).   

Vista aérea do Parque de Santa Gertrudes (ao centro),
ainda com equipamentos da Feira Popular. 

Esse complexo, a que foi acrescentado, em 1983, o Centro de Arte Moderna (CAM), foi inaugurado a 2 de Outubro de 1969. Mas nessa data já funcionavam serviços de atividades na área da educação, saúde, música, belas-artes e bibliotecas, tinham sido criados o Instituto de Investigação Científica Gulbenkian, o Plano de Edições de obras estrangeiras traduzidas, a Orquestra Gulbenkian, o Grupo Gulbenkian de Bailado e o Coro Gulbenkian. Em 1965 patrocinara a primeira Campanha Nacional de Vacinação.

O projecto da sede, do museu e do jardim foi uma obra marcante em termos arquitectónicos, tendo sido classificada como Monumento Nacional. Os edifícios são da autoria de Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e os jardins de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.

A sede, o museu e os jardins em construção (final da década de 60) 

Com 70 anos, a FCG continua a ser uma referência global em todas as suas áreas de actuação.

José Carlos Vasconcelos, na revista Visão de 16 de Junho, escreve:

«(…) a Fundação Calouste Gulbenkian mudou Portugal. Ou ajudou decisivamente a mudar Portugal. Para melhor. Sempre. Numas fases mais do que noutras, com picos e menos altos, dependendo também de factores externos. E, creio, sobretudo, ou de forma mais nítida, nos seus primeiros quase 20 anos, durante a ditadura.

Nesse tempo a Fundação foi, quanto possível, uma espécie de Ministério da Cultura e de Ministério da Ciência que não existiam. Além, quanto as circunstâncias o permitiam, um exemplo de autonomia perante o totalitário poder vigente, no sentido de não condicionar aos seus, desse poder, interesses e critérios políticos os apoios nas suas áreas de intervenção (artes/cultura, social/desenvolvimento humano, educação, ciência).»



Desde o princípio da década de 70 que beneficiei da frequência dos seus espaços, quando o meu pai me levava e eu ficava a ler nos jardins, enquanto ele ia trabalhar.   

Depois foram muitos dias passados na Biblioteca - final do liceu (pós-25 de Abril) e faculdade. Seguiram-se as temporadas de concertos, alguns espectáculos do Ballet Gulbenkian e as visitas ao Museu. Regularmente as exposições e, sempre, os espaços dos jardins, recentemente ampliados.



Brevemente, será a visita ao Museu renovado... com o regresso ao passado, ao espírito original - recriação do museu inicial. 
E as entradas serão gratuitas até dia 26 de Julho.


P.S.: 
Foi na Biblioteca da Gulbenkian que conheci aquela que é a minha marida.
Digam lá que a cultura não é importante nas nossas vidas!...



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