"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sandy Denny










Usufruir...

Chegou-me este filmezinho via fb, acompanhado da mensagem "A felicidade do último dia de férias!".

O bichinho está a usufruir. Faz bem.
Para quem já tem, hoje, umas horinhas de secretária - acabar de preparar aulas e a reunião do Pedagógico de amanhã... - recorda-me mais a felicidade do penúltimo ou do antepenúltimo dia de férias!


É tudo isso e o seu contrário

E hoje mais estas...

Diário Económico


Público

É só tesourinhos deprimentes!
Mentiras, meias verdades, omissões, metade do Governo diz uma coisa, metade diz outra... Baralha, volta a dar... Geneticamente aldrabões! Incompetência ou estratégia para nos baralhar?
Despedi-los... não se está a revelar fácil.
É mais fácil reunir uns milhares de pessoas para festejar um campeonato de futebol do que reunir os mesmos milhares para reclamar outras políticas.
Prioridades ou descrença: há mais fé no pontapé na bola do que nos políticos. Os resultados de uma sondagem recente revelavam uma maior preferência por Passos Coelho como 1.º Ministro do que por António José Seguro.

As sondagens valem o que valem, o futebol idem e os políticos choninhas também!


domingo, 20 de abril de 2014

Sport Lisboa e Benfica... antes da República

Em dia de festa do Benfica, pela vitória no campeonato, a equipa em 1910, no campo da Feiteira (onde hoje passam a Estrada de Benfica e a Rua Emília das Neves, próximo da esquina com a Estrada de A-da-Maia), com uma bandeira britânica e a bandeira portuguesa (ainda monárquica) hasteadas.



A selecção nacional, no mesmo campo, em 1911.
Ao fundo, a igreja de Benfica.


Miró, mirones



«Há muito que, para os mirones, Miró estava na moda e, cumulado de homenagens e honrarias, diga-se que bem as mereceu.
Miró passou pela vida (...) como um inocente. Havia nele a atitude do rapazinho que lança ao ar passarinhos de papel e fica, extasiado, a seguir-lhes o voo. Salvo erro, foi ele quem disse que a arte moderna havia começado nas grutas de Altamira. Era um primitivo, não um naïf. Procurava o essencial ou, melhor, o essencial saía-lhe das mãos como que por milagre. O essencial da cor, do desenho, da escrita. Porque Miró foi um dos pintores/escultores que, pintando ou esculpindo, mais escreveu. E que escreveu ele? Que tudo pode ser promovido, por toques de mágica, à categoria de objecto de arte, que nada é canónico, que arte e vida estão de tal modo entrosadas que é impossível saber onde acaba uma e começa a outra. A sua imaginação nem era imaginação, era um ritual de homenagem ao mundo maravilhoso que o rodeava.
Quando lhe perguntaram (um mirone, claro) "Você é partidário da arte pela arte ou prefere a definição utilitarista de Belinsky de que a arte é só um meio para usar como instrumento de mentalização do povo? Que incidência tem a política na sua obra? A arte deve ser para o povo?", Miró, a esse mirone, respondeu da única maneira que lhe era possível: "Tudo isso são questões acidentais. O que interessa é a formação de um homem novo." E, com esta resposta, dava, ao mesmo tempo, o que era a arte/vida para ele e fechava a porta às consabidas especulações sobre para onde se deve "orientar" a arte. E para "a formação de um homem novo" Miró, pese embora aos mirones, deu um contributo inestimável.
É que ele sabia, como ninguém, que o homem é filho do menino.»
Alexandre O'Neill, Uma coisa em forma de assim

Miró, um artista de quem tanto se tem falado em Portugal - o nosso elevado nível cultural!... - nasceu a 20 de Abril de 1893, em Barcelona.

John Eliot Gardiner

Não era pela Paixão, é pelo aniversário de Sir John Eliot Gardiner. Mas pode ser pelas duas coisas...
John Eliot Gardiner nasceu a 20 de Abril de 1943.


Muitos anos de vida (e ainda muitos discos, para juntar aos inúmeros que já gravou) 


Aleluia




sexta-feira, 18 de abril de 2014

Já se encontraram, de certeza!




Uma Santa Páscoa



Via Sacra


Duro caminho de chegar à morte!
E dura condição
De ser nele,
Como eu,
Conjuntamente o Cristo e o Cireneu!

Condenado,
Açoitado,
A cair
E a sangrar
Sob o peso do lenho,
Se me quero sentir humano e ajudado,
O recurso que tenho
É cantar como um carro carregado.

É pedir a coragem dos meus passos
À força dos meus versos.
Versos que são apenas o sudário,
Solidário
E crispado,
Do meu rosto de carne, desenhado
No chão da caminhada.
Como ajuda que desse ao próprio corpo
A sombra por ele mesmo projectada.
Miguel Torga, Orfeu Rebelde


Instrumentos da Paixão


Cerca de 1360 - 1375


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gabriel García Márquez

«[Sobre Cem Anos de Solidão] (...) escreveram-se toneladas e toneladas de papel, disseram-se coisas absurdas, coisas importantes, coisas transcendentes, mas ninguém tocou o ponto que a mim mais me interessa ao escrever o livro, e que é a ideia de que a solidão é o contrário da solidariedade. Creio que é essa a essência do livro. (...) E eu creio que aqui há um conceito político: a solidão considerada como a negação da solidariedade é um conceito político. E é um conceito político importante.»
Gabriel García Márquez


"(...) já tinha compreendido que não sairia nunca daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilonia acabasse de decifrar os pergaminhos e que tudo o que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham um segunda oportunidade sobre a Terra.»
Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão


Rimsky-Korsakov, Páscoa Russa

A Grande Páscoa Russa foi tocada, pela primeira vez, em 1888, em São Petersburgo, sob a direcção do próprio Rimsky-Korsakov.
Desenvolve vários temas de cantos religiosos do Ofício da Páscoa, da tradição ortodoxa, partindo do dogma da Ressurreição.



Anima Eterna Orchestra, sob a direcção de Jos van Immerseel


A Paixão de Cristo segundo Rafael Bordalo Pinheiro


Em exposição no Museu José Malhoa (Caldas da rainha), a obra com 60 esculturas de terracota, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, recentemente restauradas.







Passeio pelo Parque Florestal de Monsanto

Organização da ASPEA - Associação Portuguesa de Educação Ambiental.

Pensei num regresso à infância - Mata de S. Domingos de Benfica - mas o percurso, a partir do sítio do Calhau, foi para Sul.



Parque na zona do Calhau
A manhã, felizmente, esteve azul, contrariando o que tem sido este mês: Abril, Abrilão, de manhã Inverno, à tarde Verão.

Ruínas de moinho

Aqueduto


Pedreira da Serafina

Respiradouro da água (em 2.º plano)


Ainda bem que há quem conheça as árvores e os arbustos.

Medronhos

Giestas

Gilbardeira

Salsaparrilha



Regresso ao Calhau


Faltou a visita à Igreja de S. Domingos de Benfica (só avistada). Já há muito tempo que espero revisitá-la, agora com olhos de adulto. Está debaixo da alçada da Força Aérea e raramente se encontra aberta. 


quarta-feira, 16 de abril de 2014

As fortificações ribeirinhas do Tejo

As fortificações já não são o que eram...
Restam poucas, adulteradas, arruinadas e, hoje, muito acinzentadas.

Passeou-se no Tejo, fizeram-se "uns bonecos"...
(até parece que não navego quase todos os dias neste rio)








A Troika no 25 de Abril


Só falta ser convidada para falar na Assembleia da República.


Entrevista (ilustrada) de Passos Coelho

Passos Coelho, na entrevista de ontem à SIC, afirmou: "Possivelmente em 2016 vamos desonerar as pensões e salários".

Significa que já está a falar como Primeiro-Ministro do próximo Governo.
(será que a maioria dos eleitores não terá memória?)

Os cortes, agora, vão ser suaves.


Passos Coelho não acompanha a ideia de que existe menos qualidade nos serviços públicos prestados à população.


"(...) a perspectiva para os próximos anos é melhor para os portugueses."


Era tão bom uma Páscoa sem Coelho!



terça-feira, 15 de abril de 2014

Nights in white satin

Velhinha, velhinha...
Delicodoce...
Os jovens e penteadíssimos Moody Blues (1967).


Have a good night


Compensação (para equilibrar...)

Para compensar o post anterior...

Nadir Afonso, Desequilíbrios ponderados


Mixórdia de temáticas (ou tesourinhos deprimentes)

Uma curta viagem pela comunicação social dos dois últimos dias...







Visita ao Convento das Trinas do Mocambo

Continuo o percurso por Monumentos e Sítios.
Convento das Trinas do Mocambo, actual sede do Instituto Hidrográfico.
Foram-se as freiras, expulsas pelos republicanos, mais radicalmente do que pelos liberais.


Remonta o convento ao século XVII, fruto da herança de um casal flamengo sem filhos - Cornélio Wandali e Martha de Bóz. Um aglomerado de casas a Santos-o-Velho ("um dos melhores subúrbios da cidade") foi legado à Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos.
«(...) as casas que tinha no Mocambo e a ermida que lhe tinha acrescentado fossem para se accomodar alli um mosteyro de freyras da Ordem da Sanctíssima Trindade, e pêra fábrica do dito convento e sustento das Religiosas deyxava seos bens.»

Este Mocambo não é aquele cafezito instantâneo do "gosto bom, bom, bom", é nome que virá dos negros que habitavam a zona - significava choça em que os negros se abrigavam quando fugiam para o mato. Também encontrei a possibilidade de ser a adulteração de "mocâmo" (casa ou local sagrado) e teria origem no facto de ter existido no lugar uma mesquita.
Ao convento pertencia, juntamente com o da Boavista, o casal de Buenos-Ayres, hoje zona da Lapa onde fica a sede do PSD, urbanizada pela burguesia comercial da cidade, afastada do centro com o terramoto de 1755.

Saída a Ordem Trina do reino, ocupado o convento pelas irmãs Hospitaleiras da Ordem de S. Francisco, a implantação da República, com a sua vertente anti-clerical, veio baralhar a ocupação do(s) edifício(s).
Entre outros serviços, aqui funcionou o tribunal que julgou os conspiradores monárquicos (1911) e o Arquivo de Identificação. Em 1969, foi instalado o Instituto Hidrográfico, na sequência do incêndio nas suas instalações da Rua do Arsenal.

Episódios:
Expulsão das religiosas (1910)
À direita, duas (o)varinas da Madragoa


Em toda esta história, muito sofreram os edifícios.
Do que resta:

Átrio principal - pormenores de silhares de azulejos
(anjos com a estrela, a Lua e o Sol)
Painel de azulejos sobre a porta do átrio interior
- figura do Anjo Libertador dos Cativos
Tecto do coro baixo
- Coroação de Nossa Senhora

Lavatório

Tecto da primeira cozinha

Cozinha grande
(pormenor da biblioteca instalada na antiga chaminé)

Pormenor do tecto da cozinha grande
- figura do Anjo Libertador
Azulejos do coro baixo

Uma visita muito bem guiada pelo Dr. Carlos Gomes (penso que o nome esteja certo) a um espaço original já muito adulterado, com marcas de muitas outras histórias (que também já são a sua história).