"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

7 de Outubro

Na primeira aula de hoje, ao escrever no quadro a data, lembrei-me que, em criança, era nesta data que a escola começava.

Foto de Robert Doisneau


domingo, 6 de outubro de 2013

"Desumanização"


Valter Hugo Mãe tem merecido elogios que o elevam a nome cimeiro da literatura portuguesa actual.
Ainda não fiquei preso ao que escreve. Mas agora anunciou-se a sua Desumanização.

Sobre Desumanização afirmou não ter dúvidas de que se trata do seu romance mais poético e que foi "à procura do indizível" já que tentou "dar voz ao esplendor da natureza e de um lugar".
Como leitmotiv a sua paixão por ilhas. E isso já nos aproxima.
Depois a paixão maior, o fascínio pelos Açores e pela Islândia. Perfeito!
Mais do que próximo, Valter Hugo Mãe até me parece íntimo.

Se no seu romance "a Islândia também fala" - se Valter Hugo Mãe a conseguiu pôr a falar - acho que vou gostar.



sábado, 5 de outubro de 2013

Sétima Legião - Mar d'Outubro

O tempo que andei a procurar saber quem era o grupo que tocava esta música...



Palácio das Necessidades

A Open House deste ano deu-me oportunidade de visitar, finalmente, o Palácio das Necessidades.
A expectativa era elevada.
No final, estou como o Sérgio Godinho
"Hoje soube-me a tanto
portanto
hoje soube-me a pouco"

As limitações de acesso aos espaços são muitas, na medida em que no seu interior funciona o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Resultado: a parte do convento, onde funcionou o colégio da Congregação dos Oratórios e se reuniram as Cortes Constituintes de 1821, ficou por ver.
As salas do palácio, mandado construir por D. João V, em 1742, e valorizado pelas intervenções de D. Fernando II, são de grande beleza e riqueza. Mas muitas terão ficado por ver.
A visita foi muito mal guiada - aliás, no início, a guia anunciou logo que não era guia - e "as coisas" ficaram piores.
Não vou culpar a não-guia, em trabalho voluntário, mas... A organização do muito louvável evento não poderia ter arranjado alguém que tivesse conhecimentos sobre o palácio e soubesse orientar a visita?

Depois da experiência do ano passado, em que tive visitas muito bem guiadas, a minha primeira visita às Necessidades - espero voltar - revelou-se frustrante.
E nem fotografias do interior pudemos fazer. Sempre seria uma compensaçãozinha.




P.S. - Provavelmente, foi por vingança dos monárquicos que a visita decorreu assim: estamos a 5 de Outubro e D. Manuel II teve de fugir deste palácio, fez 103 anos, para se exilar.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ballade pour violoncelle


Fotografia de Robert Doisneau


Há música no ar



O espírito do outono

"Terei de falar do espírito do outono
agora que setembro 
chegou ao fim."


Há já dois dias que chove: céu
árvores e até o mar, tudo tem
a mesma cor da lama.
A chuva trouxe também a derrota
dos democratas americanos
nas duas câmaras do Congresso.
Poro a poro o frio
negro da melancolia vai
penetrando fundo. Procuro
na Missa em Si Menor
qualquer coisa parecida com a luz
mesmo ferida
que a corrente leva consigo.
Música assim, feita com um saber
que é paixão seja pelo que for, deuses
ou homens, já não é possível.
Por não haver deuses? Por
não haver homens?
Eugénio de Andrade, O Sal da Língua



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Rui Manchete



Rui Machete será concorrente de si mesmo.
Qual será a melhor manchete?

Ilegal?
É capaz de não ser.
Imoral?
Certamente. Vive muito acima das nossas possibilidades!!!


Portugal: uma economia pujante


A troika que se cuide!


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Glenn Gould

Este génio do piano faria hoje 81 anos.
Glenn Gould, o músico singular - quão pouco elegante - que se enrolava sobre si e o piano e que, não raro, acompanhava a música que tocava... cantando.
J. S. Bach era o seu mundo preferido.
Deixou de tocar em público aos 32 anos de idade, dedicando-se exclusivamente à gravação de discos. Faleceu aos 50 anos, cumprindo a "promessa" de que deixaria de gravar música com essa idade.





Também hoje faria anos o compositor Dimitri Shostakovich, nascido em 1906.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cortiça portuguesa no Victoria and Albert Museum


Está em exposição no Victoria and Albert Museum um pavimento de cortiça natural criado pela Corticeira Amorim e pelo estúdio de design e arquitectura FAT (Fashion Architecture Taste), por ocasião do London Design Festival, um evento anual de âmbito mundial na área do design.
O piso é composto por uma série de mosaicos de cortiça, de forma a criarem um padrão geométrico baseado na própria estrutura celular da cortiça.
Sendo um dos principais produtos da indústria corticeira, este pavimento demonstra o potencial da cortiça, permitindo percepcionar as suas qualidades de isolamento térmico e acústico.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Outono de Pablo Neruda

LXXIV

Porque permanece nos ramos
até que as folhas caem?

E onde ficam dependuradas
as suas calças amarelas?

É verdade que o Outono parece
esperar que algo aconteça?

Talvez o tremor duma folha
ou o trânsito do universo?

Há um íman sob a terra,
íman irmão do Outono?

Quando se dita sob a terra 
a designação da rosa?

Pablo Neruda, Livro das Perguntas


António Ramos Rosa e Pablo Neruda

No mesmo dia que Pablo Neruda, há 40 anos - que se passará com a entrada do Outono? - morreu António Ramos Rosa.


A Festa do Silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa, Volante Verde


O Outono entra legalmente
ou é uma estação clandestina?
Pablo Neruda


Como previsto, de volta ao mercado




domingo, 22 de setembro de 2013

Outono - vindimas e vinho

Ilustração de finais do século XV

Com o Outono, as vindimas e a produção de vinho.

«Eu estava com sono e a Sabedoria me disse:
A rosa da felicidade não se abre para quem dorme;
por quê te entregares a esse irmão da morte?
Bebe vinho; tens tantos séculos para dormir.»
Omar Khayyam
(séc. XI - XII)


Passagem Verão - Outono

Ainda passei este Domingo no Verão, como se vê pelas fotos.

Praia da Parede
O equinócio contribui para a grande amplitude das marés.
As marés baixas são mesmo baixas (como esta manhã)

Dizem que o Outono entrou agora, às 21.44 h.
Preciosismos.

Lisboa não é a cidade perfeita






Lisboa (zona de S. Bento)

Lisboa  -  Alfama

No fim do Verão

No fim do verão as crianças voltam,
correm no molhe, correm no vento.
Tive medo que não voltassem.
Porque as crianças às vezes não
regressam. Não se sabe porquê
mas também elas
morrem.
Elas, frutos solares:
laranjas romãs
dióspiros. Sumarentas
no outono. A que vive dentro de mim
também voltou; continua a correr
nos meus dias. Sinto os seus olhos
rirem; seus olhos
pequenos brilham como pregos
cromados. Sinto os seus dedos
cantar com a chuva.
A criança voltou. Corre no vento.
Eugénio de Andrade, O Sal da Língua


Convento de Santos-o-Novo

Convento de Santos-o-Novo ou Convento das Comendadeiras da Ordem de Sant'Iago de Espada.
No Google Maps chamam-lhe Igreja da Madre de Deus.
Visita no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

Santos pelos 3 Mártires de Lisboa: Veríssimo, Máximo e Júlia.
De Santos (depois o-Velho) para Xabregas, ao Alto do Varejão (depois Santos-o-Novo).
Filipe II de Portugal (III de Espanha) o mandou erguer, porque o que D. João mandara (ali ao pé) já era pequeno e pouco confortável.
Filipe gostava das coisas em grande. Quem pode... pode. A obra também era para senhoras ricas ou de boas famílias, não obrigatoriamente freiras professas.
Mas o dinheiro foi faltando, as obras foram-se arrastando... Os Filipes foram corridos, a Duquesa de Mântua foi lá enclausurada (antes de ser posta na fronteira) e as obras continuaram até 1685, reinado do pouco falado D. Pedro II.

Um "caixotão" por fora, um tesouro lá dentro.

Dizem que o seu número de janelas é o número de dias do ano (não bissexto)

Claustro - dizem que o maior da Pen. Ibérica

Igreja

Capela da Encarnação
Capela da Encarnação (pintura do tecto)
Pintura dos 3 Santos Mártires: Veríssimo, Máximo e Júlia
Os 3 Santos Mártires (na capela lateral da igreja)
Tábuas da autoria (presumida) de Gregório Lopes

Museu da Electricidade

Jornadas Europeias do Património, visita nocturna ao Museu da Electricidade.

Vários aspectos fizeram-me recordar o trabalho no Ecomuseu do Seixal - as caldeiras Babcock & Wilcox da Mundet e as secções da coqueria e da sinterização da Siderurgia Nacional.




Gosto destas fotografias, correntes na época, do conjunto de trabalhadores de uma fábrica. Gente sem nome, aprumada e composta para uma fotografia a que por uma vez tinha direito. 
Ao contrário do que dizia o anúncio, "as crianças à frente".


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Jornadas Europeias do Património - 2013

Começam amanhã e prolongam-se pelo fim de semana.
O objectivo é a sensibilização dos cidadãos para a importância da preservação do património.

Em Portugal, a entidade responsável pela coordenação do evento é a Direcção-Geral do Património Cultural que apresenta aqui o seu programa.


O Alentejo tem mel



Lua cheia de fim de estação


Imagem de 
Felicidário


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bom descanso




Discoteca Roma

Quando passo na Av. de Roma, naquele recanto onde era a Discoteca Roma, lembro-me sempre dos vinis que aí comprei, depois de escolhas criteriosas, porque a mesada tinha de ser muito bem contada.

Agora é uma triste agência bancária, daqueles bancos em que já foram injectados capitais públicos que, qualquer dia...
Eu, por mim, investia em discos.


Mais vale o destino da antiga Valentim de Carvalho de Cascais



Jardim-Miradouro do Torel

Um jardim que é miradouro.
Agradável mas restrito - nas vistas e no público. Desconhecido de muitos, torna-se pacato.



É difícil imaginar como é que o Paiva Couceiro disparou daqui uns canhonaços contra as posições republicanas na Rotunda, a 4 de Outubro de 1910.

Dali perto, via-se a Senhora do Monte com as cores de fim de tarde de Setembro.




Poesia Sempre - Rosa Branco

Sábado, a Rosa lançou o seu livro de poesia.


A Rosa estava feliz (e o irmão vaidoso).
Ambiente familiar, descontraído... tempo para rever uma série de gente da escola que já não encontrava há algum tempo.
O livro:


Na gente que revi... estou a falar dos felizes reformados, para esclarecer a cambada de más línguas que costumam dizer mal dos professores. Já os estou a ouvir: 
"Isto é forrobodó! Os professores continuam de férias e não põem os pés nas escolas."


Início da época balnear

Gosto de começar as aulas à 2.ª feira mas, depois de duas semanas cheias de escola, incluindo os fins de semana, para pôr coisas em ordem, soube-me muito bem, com as recepções aos alunos do 3.º Ciclo, ter o dia de 2.ª livre.

Painel de azulejos de Nadir Afonso
(Monte-Estoril)
É já nestes dias de Setembro que as praias ficam mais agradáveis. O gentio que as enxameava já partiu em debandada.

Há espaço, até para cheirar a maresia e ouvir o som do mar.


O problema das minhas épocas balneares é que começam no dia em que acabam.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Tem consciência do que está a fazer à educação?"

Uma professora interrompeu o discurso do Ministro da Educação, hoje, durante a tomada de posse do presidente do Instituto Politécnico de Viseu.
A pergunta que a minha colega lhe fez é a mais óbvia: "Tem consciência do que está a fazer à educação?"

A resposta é NÃO
(mas eles também não querem saber) 



P.S. - Pensando bem... eles sabem!
(e estão a fazer o que querem)

Como disse Baptista-Bastos: "Senhor: não lhes perdoeis, porque eles sabem o que fazem."