«Três cousas há na Índia que são escápulas [esteios] de todo o comércio das mercadorias daquelas partes e chaves principais dela.
A primeira, Malaca (...). A segunda, Adem, que está em vinte e um grau de altura, e na entrada e saída do estreito do mar Roxo (...). A terceira é Ormuz, a qual está em quinze graus, e na entrada e saída do estreito do mar da Pérsia. Esta Ormuz a meu ver é a principal de todas. E se el-Rei de Portugal tivera senhoreado Adem com uma boa fortaleza, como tem Ormuz e Malaca, senhoreando estes três estreitos que tenho dito, pudera-se chamar senhor de todo o Mundo (como fez Alexandre, quando chegou ao Ganges), porque com estas três chaves fechava as portas a tudo.
(...)
Ormuz cousa muito antiga é e por razão do seu comércio e navegação é muito nomeada por todo Mundo (...). Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa, que dizem que o anel é o Mundo, e a pedra Ormuz, e assim deve ser, porque ali vêm todas as mercadorias da Pérsia, Tartária, Turquemana, do reino do Gilan, de Bagdad, Cairo e de todas as partes da Índia; e todas as mercadorias que se podem cuidar se acham em Ormuz. É a mais abastada terra de mantimentos que há naquela parte.»
Comentários do Grande Afonso de Albuquerque Capitão Geral que foi das índias Orientais em tempo do muito poderoso Rei D. Manuel o primeiro deste nome
O rei local foi tributário do rei de Portugal, no século XVI. Aí foi construído o Forte de Nossa Senhora da Vitória ou da Conceição.
Turquemana - terra dos turquemanos: Anatólia e partes do Azerbaijão
Reino do Gilan - no Norte do actual Irão, na região costeira do mar Cáspio

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