"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

terça-feira, 26 de maio de 2026

Miles Davis, o "mago da trompete", nasceu há 100 anos

Dizem os entendidos que Miles Davis foi o músico de jazz que mais vezes se reinventou, embora as polémicas não estejam ausentes dessas mudanças.

Mas, como aconselhava um crítico musical, "Tentem concentrar-se exclusivamente na voz do trompete. Talvez consigam momentos óptimos."

Nome incontornável do jazz, apresentou-se várias vezes em Portugal, a última das quais em 1991, ano em que faleceu, com concertos no Porto e em Lisboa.

A primeira vez tinha sido no 1.º Cascais Jazz, em Novembro de 1971.

Foi o músico que abriu esse Festival, quando estava previsto que fosse Ornette Coleman. João Braga, um dos organizadores, recorda a forma como a exigência foi feita: "Este é o primeiro festival de jazz em Portugal e quero ser eu a abri-lo. Os outros só podem tocar a seguir a mim".  

Luís Villas-Boas apresentou-o em palco: “Eu nem acredito no que vou dizer, eis Miles Davis!”


Sobre esse concerto, Maria Antónia Palla escreveu na revista O Século Ilustrado
«Quando Miles pára e deixa tocar o seu conjunto, fica a um canto do palco, o corpo inclinado para a frente, as mãos fixadas nos joelhos, balançando-se como um felino selvagem pronto a saltar sobre a presa. O rosto cerrado, sem deixar transparecer a menor emoção, fixa o olhar num ponto indeterminado.»



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