"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 23 de março de 2019

A descoberta da fotografia de Artur Pastor


Em Évora, na Galeria da Casa de Burgos, até 18 de Abril, a exposição Paisagens Urbanas no Alentejo, com fotografias da autoria de Artur Pastor.



A partir da próxima semana, em Tavira, no Palácio da Galeria/Museu Municipal de Tavira, a exposição Artur Pastor e os Mundos do Sul. com trabalhos entre 1942 e 1974.  



Assim podem ser vistas algumas das obras do enorme acervo deixado por Artur Pastor (1922 - 1999) e que têm vindo a ser objecto de uma maior divulgação, dando a conhecer este grande fotógrafo.

Foi em Tavira, durante a prestação do serviço militar, que Artur Pastor, alentejano de nascimento (Alter do Chão), se iniciou na actividade fotográfica.


Trabalhou durante toda a vida no Ministério da Agricultura, tendo sido o criador do seu arquivo fotográfico. Produziu um vasto corpo de imagens de grande qualidade sobre a agricultura em Portugal, mas não se quedou pela temática agrícola.

Fotografia...
«(…) Arte de toda a gente, a que melhor compreendemos e executamos, a que melhor (…) reproduz a realidade que nos cerca.» 
Artur Pastor, Diário de Noticias (29 de Agosto de 1948)


Após a sua morte, o espólio foi adquirido pelo Arquivo Municipal de Lisboa à família do fotógrafo.

«Comprava incessantemente móveis para arquivar fotografias e algumas divisões da casa pareciam exigir a perícia de uma gincana para serem atravessadas. Dava gosto abrir os armários e ver a forma
meticulosa como tudo estava arrumado.» 
Artur Pastor
(o filho, que tem tido um papel importante na divulgação da obra do pai)

Aos interessados:

Arquivo de Artur Pastor (extraordinário arquivo fotográfico)

A Paisagem de Artur Pastor (documentário)

Catálogo da exposição da obra de Artur Pastor - CML 

Fotógrafo Artur Pastor (no facebook)


Canções do tempo do telefone (13)

Telefone sempre!




sexta-feira, 22 de março de 2019

Canções do tempo do telefone (12)




No Dia Mundial da Poesia

NO DIA MUNDIAL DA POESIA

Pouco a pouco
constrói-se a poesia

verso após verso
após palavra, após estrofe
após poema

Beleza em beleza
rumorejo em rumorejo

com a sua paixão
com a sua dimensão
mais ávida

Lisboa, 21 de Março de 2019
Maria Teresa Horta


quinta-feira, 21 de março de 2019

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?



E um arrepiozinho quando ouço esta canção!
Memórias...


J. S. Bach e Poesia

Juntar poesia à música de J. S. Bach, nascido (ao que parece) a 21 de Março.

I
Como se modulando neste espaço-tempo
que se desenha espaço em mero som contínuo
de um tempo trespassado,
a fina imarcescível
dor
é timbre e andamento,
e proporção de altura
a desdobrar-se na serena angústia
de um nada preenchido.

Intensamente.
Quietação.
Vácuo.
Tudo.

II
Canta o impossível.
Que voz humana
sustentaria
esta pressa alegre
ou a tensão suspensa
do lento sonho?

III
Madeiras, cordas, gestos, sopros, tudo
avança imóvel, sem parar, quieto,
a passo irresistível.
Não há que os contenha
senão o inaudível.

IV
Neste silêncio, que ficou, flutua?
O quê?
Nós?
Como tão pouco restaria?

Jorge de Sena, Concerto "Brandenburguês" n.º 1, em Fá maior, de J. S. Bach



Gravação dos idos de 1964, ano próximo ao da escrita do poema (1963).


terça-feira, 19 de março de 2019

Velha história de família


O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
da qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve
Fernando Assis Pacheco


Canções do tempo do telefone (10)

Um choradinho ao telefone...




domingo, 17 de março de 2019

Nat King Cole - centenário

Tropecei agora no centenário de Nat King Cole.

O centenário de uma voz que me habituei a ouvir na rádio, era ainda criança. 



Canções do tempo do telefone (8)

Elis, também ela, ao telefone... ocupado.
Faria hoje 74 anos.




Graça Morais


Graça Morais, 20 de Janeiro de 2017

Graça Morais faz hoje 71 anos.


As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores

O Facebook divulgou que removeu 1,5 milhão de vídeos que mostravam os ataques às mesquitas, na Nova Zelândia, após a transmissão em directo do atentado, e 1,2 milhão terão sido bloqueados ainda antes de serem publicados. 


O "sucesso" e a reprodução dos atentados terroristas passa pela sua divulgação através dos meios de comunicação social (sobretudo as televisões, pelo poder da imagem) das comunidades visadas ou daquelas que são mais sensíveis a esses actos de violência.

E as televisões, salvo excepções, insistem e repetem e repetem e exploram emocional e sadicamente os sentimentos das pessoas.
E fazem o favor de valorizar os atentados e quem os comete - dão-lhes toda a publicidade. Ajudam o terrorismo!

Mas, educadamente, avisam:
"As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores...", perdão, dos "espetadores".


sábado, 16 de março de 2019

Reina a ordem em todo o país

O 16 de Março, prenúncio do 25 de Abril, abordado na Conversa em Família de Marcelo.





Camilo Castelo Branco aniversariante

Minha Amélia

Depois da constipação veio o flagelo das dores. Estou no uso do ópio em alta quantidade e para me entorpecer os nervos. Depois deste medicamento fico muito prostrado sem forças para ir a Lisboa. Tenho grande pesar em não ir por todas as razões, menos a da Exposição, que essa decerto me não atraía lá.
Vão e lembrem-se, quando passarem no Largo do Carmo. Que eu nasci numa casa onde hoje está um encadernador de livros chamado Lisboa. É defronte das ruínas do Carmo. 
(...)
Carta de Camilo Castelo Branco para a sua filha Bernardina Amélia


Camilo, que nasceu a 16 de Março de 1825, induziu em erro os seus primeiros biógrafos com a informação quanto ao seu lugar de nascimento. A verdade apurada foi outra e a placa evocativa que chegou a estar no Largo do Carmo foi transferida para a Rua da Rosa.

Caricatura da autoria de António


Manuel Cargaleiro


Manuel Cargaleiro completa hoje 92 anos de vida.

O artista está presente no concelho do Seixal, na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, desenhada por Siza Vieira, nos jardins da Quinta da Fidalga (Seixal).

Fotografia de João Morgado, aqui


Fotografia de Luís Eme, aqui

A margem sul do Tejo tem agora uma pe�a de arquitectura assinada por um Pr�mio Pritzker. Trata-se da Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.

Com 500 m2 o maior desafio, confidenciou ao CONSTRUIR Siza Vieira, foi mesmo o de encontrar o lugar ideal dentro da Quinta para o edif�cio, uma vez que a ideia era a de que pudesse se
O edif�cio "enquadra-se bem" na sua envolvente, refere Siza, assumindo contudo que possam existir opini�es contr�rias. �lvaro Siza explicou que as salas expositivas se desenvolvem em torno de um p�tio e que o facto de o Museu n�o ter grande profundidade faz com que seja poss�vel ser iluminad








O projecto expositivo, tamb�m � da autoria do arquitecto, que n�o quis expor os azulejos nas paredes como pinturas, tendo por isso criando umas estruturas em madeira q
Antecipando a pergunta, "como � que se desenha um museu para o Mestre Manuel Cargaleiro e no edif�cio n�o aparecem azulejos?", �lvaro Siza explicou que "a condi��o mais necess�ria num museu contempor�neo � a ruptura �s m�ltiplas actividades que v
Amigos de longa data, Siza Vieira e Manuel Cargaleiro mostraram-se satisfeitos e orgulhosos desta "parceria" que ambiciona ser a sede de um centro de forma��o profissional, principalmente dedicado � cer�mica, ao projecto de azulejos para arquitectura e � marcenaria.
Manuel Cargaleiro classificou o edif�cio de "monumental", ainda que pequeno em metros quadrados e deixou o desejo de que "as pessoas que o visitarem saibam compreender a sua beleza".
Segundo explicou o presidente da C�mara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, ao CONSTRUIR, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro � o ponto de partida e a montra principal de um projecto pensado para toda a Quinta que inclui a cria��o de ateliers e espa�os oficinais.�De acordo com Joaquim Santos, este � tamb�m o momento de colocar o Seixal na rota do Turismo Cultural e de Arquitectura.
A Oficina de Artes Manuel Cargaleiro abre com a exposi��o "A Ess�ncia da Forma", que re�ne trabalhos de Manuel Cargaleiro e trabalhos em azulejo de Siza Vieira, revelando um lado menos conhecido do arquitecto e que ter�o neste espa�o um lugar de destaque.
Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.
Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.
Oficina de Artes Manuel Cargaleiro que �lvaro Siza desenhou nos jardins da Quinta da Fidalga, no Seixal.



Canções do tempo do telefone (7)

É melhor ficar assim combinado.
Está a demorar conseguirem montar o telefone!...



Spring manifestations

Estas (e as dos jovens também)...



quarta-feira, 6 de março de 2019

Gilmour

O meu amigo David Gilmour, também ele aniversariante, hoje.


Saudades de Rick...


Toda a vida

«No dia em que Florentino Ariza viu Fermina Daza no adro da catedral, grávida de seis meses e com perfeito autodomínio da sua nova condição de senhora da sociedade, tomou a decisão feroz de ganhar nome e fortuna para a merecer. Nem sequer se deteve a pensar na inconveniência dela ser casada, porque simultaneamente decidiu, como se dependesse dele, que o doutor Juvenal Urbino tinha de morrer. Não sabia nem quando nem como, mas tomou-o como um acontecimento inevitável, e estava resolvido a esperá-lo sem pressas nem arrebatamentos nem que fosse até ao fim dos tempos.»
Gabriel Garcia Márquez, O amor nos tempos de cólera



Parece, mas não é, o princípio do romance. 
No fim, a decisão de Florentino Ariza concretizou-se. "Toda a vida - disse." foi a sua última frase, referindo-se ao futuro.

Gabriel Garcia Márquez faria hoje 92 anos.


Entrudo chocalheiro - Podence 2019



Foto retirada daqui




As máscaras de Lazarim, na imagem
Uma soberba interpretação de Janita, no último disco de José Afonso


Canções do tempo do telefone (2)

Quando podia haver troca de linhas...


Esta canção revela a nostalgia pelas linhas, pelos fios...


Pra tudo se acabar na quarta-feira




terça-feira, 5 de março de 2019

Bibliotecas


«(...) as bibliotecas são os principais repositórios de nossa própria história e dão uma espécie de modesta imortalidade àquilo de que o passado deseja se apropriar. As bibliotecas transformam o antigo em contemporâneo. O lugar onde vivemos, as pessoas que vemos todos os dias, possuem histórias documentadas, intencional e involuntariamente, em toneladas de papel e tinta, em retratos e fotografias, em vozes gravadas, em papiro e rolos de cera e formatos electrónicos. De uma biblioteca, pode-se dizer que não tem passado: tudo é presente ou, se preferirmos, tudo, inclusive este momento e este lugar em que nos encontramos, pertence a um passado no qual continuamos a existir.»

Alberto Manguel


Manguel


Canções do tempo do telefone (1)

Quando ainda não se partiam os telemóveis...




Por Pascoaes...


«Nascer é pôr a máscara. A criatura não desce ao mundo, sem vestir primeiro o seu hábito.»
Teixeira de Pascoaes












Retrato por António Carneiro


segunda-feira, 4 de março de 2019

domingo, 3 de março de 2019

Moda da Zamburra (Moda do Entrudo)

Tradicional da Beira-Baixa



Outros carnavais

Parece que vamos para mais uma auditoria.
Mas já sabemos como vai terminar...


A partir do fb de Francisco Louçã





Carnavais

Miró, Carnaval do Arlequim

Um retrato irónico da sociedade, onde um permanente espectáculo nos faz esquecer a degradação que atinge uma boa parte da humanidade.


A idiotização da sociedade como estratégia de dominação

«As pessoas estão tão comprometidas com o sistema estabelecido, que são incapazes de pensarem em alternativas contrárias aos critérios impostos pelo poder.

Para conseguir isso, o poder se vale do entretenimento a partir do vazio, com o objectivo de aumentar nossa sensibilidade social fazendo com que nos acostumemos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos para alcançarmos uma consciência crítica da realidade.

No entretenimento vazio, o comportamento desagradável e desrespeitoso é considerado positivo, como vemos constantemente na televisão, nos programas que são lixos chamados “do coração”, e nos encontros de espectáculos em que os gritos e a falta de respeito são a norma, o futebol, a forma mais completa e eficiente que o sistema estabeleceu para converter a sociedade.»
Fernando Navarro
Revista Prosa Verso e Arte
Publicado originalmente na revista Al Margen (Valencia)


Eu parti o telemóvel...

Verdade!

Caiu...
Era o meu Nokia 3310!
Não se partiu verdadeiramente, mas, por incrível que possa parecer, deixou mesmo de funcionar.
Não queria acreditar!
Quase que me atirava para o chão!


Já foi há dois anos!

Quanto ao telemóvel do outro, é o risco de fazer o Festival da Canção na época do Carnaval.
Está ao nível da galinha israelita!
A música (música?) está a tornar-se um mundo estranho!



Vai ser uma trabalheira!

O juiz Joaquim Neto de Moura, criticado por ter sido o responsável por dois acórdãos em que desvalorizou casos de violência doméstica, anunciou que vai processar todos aqueles que proferiram comentários nos jornais, televisões e redes sociais em que o acusavam de "ser misógino, machista ou incapaz de continuar a exercer a profissão."


Comentário de Bruno Nogueira ao anúncio do juiz Neto de Moura


domingo, 24 de fevereiro de 2019

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos   E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites   não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira nasceu a 24 de Fevereiro de 1927.



sábado, 23 de fevereiro de 2019

José Afonso

Sempre...



José Afonso (1969)
com a cadela de Rui Pato, o viola que tantas vezes
o acompanhou no princípio da carreira.


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Carlos Paredes

Para Carlos Paredes, tocar era improvisar sempre um pouco.
«É como falar com alguém. É possível que a guitarra também fale... O improviso é o momento em que se cria qualquer coisa.»



Carlos Paredes nasceu a 16 de Fevereiro de 1925, em Coimbra.


Os rankings das escolas

«Todos os anos as escolas portuguesas são ordenadas pelas classificações médias dos alunos nos exames nacionais. Do ponto de vista técnico, estes rankings são uma fraude. Em termos práticos, produzem efeitos contraproducentes. Não é o seu rigor nem as suas implicações que explicam o destaque que os media lhes dão. Os rankings são visíveis porque são polémicos e uma polémica acesa é sempre motivo de notícia. Mas, além de atraírem audiências, para que servem? 
Quando surgiram em Portugal, em 2001, os rankings das escolas reflectiam uma tendência internacional na condução das políticas públicas. A ideia era simples. Numa sociedade complexa em que a comunicação é tudo, os decisores políticos só dão atenção aos temas que aparecem nos media. Para conquistarem o palco mediático, as mensagens têm de ser simples e curtas. Se puderem ser transmitidas em números, tanto melhor.
(...)
Os rankings das escolas ajudaram de facto a atrair as atenções para o problema da qualidade da educação em Portugal. E mudaram o comportamento dos actores do sistema de ensino (alunos, professores, encarregados de educação, directores escolares). Menos óbvia é a bondade destas transformações.»
Eduardo Paes Mamede, DN



De Paulo Guinote, em O Meu Quintal:
  • Prefiro que exista alguma (ou mais) informação do que nenhuma ou excessiva (o chamado Big Data) por vezes destinada a baralhar tudo.
  • Dados apenas dos exames são redutores, em especial no Ensino Básico quando ficaram reduzidos a duas provas no 9.º ano, pois não permitem qualquer tratamento ao longo do tempo, ao nível da coorte de alunos.
  • Os rankings reflectem apenas uma dimensão do desempenho dos alunos das escolas e devem ser enriquecidos com variáveis de contexto (que as escolas privadas não fornecem) que já são divulgadas há alguns anos, antes deste mandato, com destaque para o trabalho do Público nesse particular.
  • Há no ME informação muito vasta que permite caracterizar de forma adequada a realidade de cada escola de forma estatística, mas não a forma como, internamente, se desenvolvem “micro-políticas de avaliação/sucesso”.

«Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas.»
Mark Twain


Nesta fase, os rankings já "não me aquentam nem me arrefentam"...
Preocupado estou, com o caminho que a educação leva, na esteira daquele que a sociedade segue. 
A realidade escolar não é uniforme - os meios em que as escolas se inserem são múltiplos, mas, numa escola básica da zona metropolitana de Lisboa, consigo antever determinados comportamentos por parte de alunos meus: egocentrismo, desrespeito pelos outros, por princípios e regras fundamentais, violência.

A facilidade de acesso aos meios de informação é confundida com conhecimento. As aulas não lhes agradam, por serem uma forma antiquada de aprendizagem de conteúdos sem interesse - "uma seca", quando eles "já sabem tanto" - têm o mundo nas falangetas! 
Pondo as coisas de forma mais radical, a sensação que tenho, cada vez mais frequentemente ou com um número cada vez maior de alunos, é que estou a pretender que "cavalgaduras" aprendam, o que não é possível, por se considerarem já "puros-sangues". 
Perdoem a linguagem cavalar, quando o desajustado serei eu!...

Escreveu Afonso Cruz, "é muito difícil, senão impossível, explicar a um néscio a importância da cultura, pois ele não tem cultura para perceber a falta dela." 

Talvez por isso, à escola é apontado o caminho da "pedagogia fofinha".
Será o reconhecimento de que não os podemos vencer e, por isso, nos devemos juntar a eles.
Escreveu Daniel Sampaio (JL-Educação, 2 de Janeiro): "Dos jovens 29,6% diz não gostar da escola, a matéria escolar é demasiada para 87,2%, aborrecida para 84,9% e difícil para 82%. Estes dados mostram a necessidade urgente de revisão curricular".
Proponho que sejam os jovens a fazê-la.
Não se esqueçam de chamar aqueles meus alunos que acima referi.
Sejamos inclusivos!