"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O futebol é qu'induca

A acreditar nos valores... (nos dias de hoje, devemos sempre prevenir-nos das fake news. E de alguns jornais, então!...)


Lá estão 600 milhões... que não podem pagar aos professores!


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Georges Dussaud - homenagem

«La photographie est devenue un prétexte pour aller vers l’autre, vers ceux qui par leur mode de vie simple, communautaire et chaleureux, me sont proches.»
Georges Dussaud


«Trás-os-Montes é muito fotogénico. É teatral. Os interiores são rústicos, com a luz crua da pintura holandesa, como nos interiores de Vermeer. Trás-os-Montes é uma região autêntica. Autêntica, mas não folclórica. Miguel Torga dizia que quando os camponeses saem para o campo com o rebanho parece que levavam uma constelação de estrelas atrás do capote. É isso. É essa poesia.»

(Georges Dussaud, quando da inauguração do Centro de Fotografia com o seu nome, em Bragança)

Georges Dussaud foi homenageado, há dias, em Bragança.
Bem o merece!


domingo, 28 de outubro de 2018

Como (se) muda a hora neste relógio?



Relógio de Sol na Casa de Pascoaes


Como nossos pais




Frases ditas...

«Os pobres só têm uma utilidade para o nosso país, votar com diploma de burro no bolso.»
A fazer fé na comunicação social, frase proferida por Jair Bolsonaro, entretanto eleito Presidente da República Federativa do Brasil.

«Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.»
Nelson Rodrigues
Não chamo idiota ao eleito, esse é "chico-esperto", se aproveita dos idiotas. 


Manta 90/40


Exposição que celebra os 90 anos de idade de João Abel Manta e os 40 anos da publicação do conjunto de desenhos Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar.
A exposição inclui, também, trabalhos em que o autor reflecte sobre Portugal e a sua História, abrangendo o período pós-Salazar e o PREC.

«Nascido em Lisboa em 1928, João Abel Manta alinhou desde cedo pela oposição ao Estado Novo enquanto dividiu a sua vida profissional e artística pela arquitectura, a gravura, o desenho, o cartoon, a cenografia, a ilustração e o design gráfico. Premiado no país e no estrangeiro, os seus desenhos e colagens para a imprensa durante o marcelismo e o período revolucionário de 1974-75 deram-lhe fama duradoura. Deixou-nos uma obra-prima chamada Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978).»







«Um individualista assim, de tamanhas ferocidades contra o fácil e o demagógico; um artista tão trabalhado e paciente como uma pétala de mil nervuras; e sempre que necessário tão directo (às vezes em perfil grosso, sublinhado). A recusa de João Abel às seduções do habitat dos artistas contentados vem daí, do traço natural da sua exigência.»

«(...) em vez da galeria foi-se ao jornal e ao cartaz, em vez do investimento plástico do cheque e da glória à vista, empenhou-se na crítica imediata da nossa realidade de todos (...)»
José Cardoso Pires

Salazar 1926-1968



domingo, 21 de outubro de 2018

António Borges Coelho - História e Paisagem

O historiador Borges Coelho parece ter sido (re)descoberto, agora que cumpriu os 90 anos de vida (7 de Outubro).
Foi ouvido pela Agência Lusa (e citado em vários jornais) a propósito do Museu das Descobertas ou da Expansão ou qualquer que seja o nome que venha a ter, são reeditadas obras suas e a Editorial Caminho promove um ciclo de palestras em sua homenagem, durante a próxima semana, na Livraria Buchholz (R. Duque de Palmela), sob o título O Trabalho do Historiador (sessões com entrada livre).



Recordo o seu poema Paisagem, musicado e cantado por Luís Cília (1967), poema escrito na prisão de Peniche, onde esteve detido entre 1957 e 1962
O porto e a vila eram a paisagem possível de quem estava naquela prisão.





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Escrevo...

«Escrevo, sim, mas soberana é agora a modéstia com que escrevo. Há uma discrição fundamental em tudo o que tenho a dizer. A minha voz deverá ser extremamente ténue, delicada, fiel a esse "quase nada" que é a minha parte inalienável.»
António Ramos Rosa


António Ramos Rosa nasceu a 17 de Outubro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Agustina Bessa-Luís - a casa em que nasceu


«Começo por visitar a casa onde Agustina nasceu. (...) 
Passamos pela antiga Câmara do concelho, pelo velho pelourinho, e descemos a rua até uma casa de pedra, de fachada ampla, erguida mesmo rente à estrada. Tem portas de armazém e um portão de ferro pintado de prata, que deita para um pequeno patamar lajeado, a partir do qual dois pequenos lanços de degraus de pedra dão acesso à casa.
Está quase em ruínas e prestes a ser vendida, anuncia o meu guia. (...) O dono cumprimenta-nos e abre-nos as portas. Acedemos ao pátio, subimos ao andar superior. Atravessamos um largo corredor envidraçado, onde a claridade levanta uma poalha luminosa. Ao fundo, transpondo uma porta pintada de amarelo ocre, há um quarto forrado de papel azul, com uma janela sobre o pátio, onde o sol se reflecte especialmente. Foi aqui, noutro Outubro, que Agustina nasceu. Sei que nessa tarde chovia torrencialmente, "aquela chuva do fim do Verão, ríspida e quase alegre". Virado a Sul, era o quarto mais iluminado e aquecido da casa, mas, nesse fim de tarde chuvosa, lá dentro já devia estar escuro. Suponho que os candeeiros de azeite iluminassem frouxamente o espaço. Que já tivessem caído as folhas das glicínias. E que a água formasse poças no estreito patamar lajeado. Pelas seis da tarde, estando o vento de feição, deviam ouvir-se os sinos do mosteiro de Travanca. Sem que se soubesse, aquela casa convertia-se num lugar.»
Isabel Rio Novo


Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã.


domingo, 14 de outubro de 2018

Violência epistolar


Como terá sido? 

Arremessaram as cartas um ao outro? 
Projectaram-nas à distância?
Assentaram-nas batendo com o punho na mesa? 

Por que razão não se desafiaram para um duelo?


Lembrei-me da abstenção violenta do António José Seguro...


Remodelação ministerial - a luz do dia

«Remodelação ministerial. De surpresa. Mas logo saltam à praça as feras televisivas. São os comentadores e os intérpretes do dia. Eles sabem tudo, dizem tudo, não deixam que ninguém pense pela própria cabeça. Estão todos em grande, em triunfo e em glória - mesmo os poucos que não lutaram por uma causa nem tiveram uma finalidade pessoal na sua ânsia de doutrinação política. Sendo assim, o pobre de mim dispensa-se de pensar, de dizer, de discutir o óbvio e o obscuro.»
João de Melo


Em frente, marche!...

«A demissão de Azeredo Lopes é uma derrota do Governo e uma Grande Derrota do Estado.
O que deveria ter sucedido era uma GRANDE VASSOURADA numa instituição que goza em Portugal de um estatuto fortemente desajustado da realidade. As Forças Armadas tornaram-se uma casta intocável, um submundo onde tudo pode acontecer impunemente.
(…)»

Paulo Querido



quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Neo-fascism is on the rise


Mensagem projectada na tela durante o espectáculo de Roger Waters no Allianz Parque, São Paulo.

Resposta: apupos e aplausos.
As posições estão extremadas e a discussão política anda a um nível abaixo de cão - ideias nada!

Acho muito bem que se vá pondo a boca no trombone.
Grande Rogério Águas!




sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Prémio Nobel da Paz

Com o respeito e a admiração que o seu trabalho merece...



A palavra República

«Nessa Calçada do Sol que só tinha casas construídas de um lado para se ver o longo panorama de Lisboa em que, certa madrugada, ouvi um tiro de canhão para o povo se reunir na Rotunda e descer aos tiros até à Câmara onde se proclamaria a República. Muitos revolucionários usavam chapéus altos e outros, mais radicais, chapéus de coco.
(...)
Mas a palavra República é que nos apaixonava. Tinha lá tudo dentro e resolvia todos os problemas do mundo - esperança de barrete frígido.»
José Gomes Ferreira, Calçada do Sol

Miradouro do Monte Agudo
(ali perto da antiga Calçada do Sol)

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

domingo, 30 de setembro de 2018

José-Augusto França (1922 - X)

Retiro o 2018 do título (e aguardo que faça o século de vida!)
Tinha ouvido a notícia na Antena 1...


Hoje, último dia de Setembro, partiu José-Augusto França, 95 anos vividos.

«"A beleza da vida está em viver de acordo com a sua natureza e o seu ofício" Fray Luis de León. 
Há muito o cito!»
José Augusto França

Personalidade incontornável do meio cultural português do século XX e já do XXI, com forte ligação às artes (pintura, literatura, arquitectura, cinema...), deixa uma extensa obra publicada e, acredito, alguns estudos por publicar. Aos 92 anos ainda tinha planos para escrever...

Como ele próprio se definiu, numa entrevista em Abril de 2015: «Escritor (que é aquele que escreve, também romances); historiador (que é aquele que escreve história, não só da arte); académico por docência profissional, desde 1974.»

No quadro Os críticos, de Nikias Skapinakis, pintado para A Brasileira,
José-Augusto França é o primeiro da direita.

Na semana passada, a Imprensa Nacional lançou a colecção Biblioteca José-Augusto França, com títulos escolhidos pelo próprio.

Era É natural de Tomar, a cuja Câmara doou a sua colecção de arte, criando o Núcleo de Arte Contemporânea.
«A certa altura da vida (e da idade) ou é leilão ou é doação.»

Aí se pode ver um conjunto de obras de um número vasto de artistas por quem José-Augusto França nutria nutre apreço e, em muitos casos, com quem manteve relações de amizade.

José-Augusto França por José de Guimarães

sábado, 29 de setembro de 2018

Michelangelo Merisi

Michelangelo Merisi, (mais) conhecido como Caravaggio, nasceu a 29 de Setembro de 1571.



Não me ocorreria a música J. S. Bach para acompanhar a pintura de Caravaggio, tão distantes são as suas personalidades.


Morreu fundador dos Jefferson Airplane

Marty Balin, fundador dos Jefferson Airplane, grupo fundado na década de 1960, morreu na passada semana, com 76 anos.


Os Jefferson Airplane no Festival de Woodstock (1969)

Marty Balin era o vocalista (também tocava guitarra) e "homem da pandeireta".
Com Grace Slick em palco, era mais fácil focarmo-nos na vocalista.


Dia de S. Miguel Arcanjo


Nas Jornadas do Património Europeu, de visita ao Museu de S. Miguel de Odrinhas, em dia do Arcanjo.
O Arcanjo S. Miguel a matar o demónio - escultura do séc. XV.
A (desaparecida) mão esquerda segurava a balança
com que pesava as almas dos fiéis. Conforme o peso dos pecados,
assim a alma seguiria para o Céu ou para o Inferno.
O Purgatório era a via intermédia...
Museu de S. Miguel de Odrinhas

Necrópole medieval
Mosaico romano

«O renovado Museu de Odrinhas é herdeiro de uma longa tradição de salvaguarda dos vestígios antigos do local, verificando-se as primeiras iniciativas neste local em pleno Renascimento, ao abrigo do Humanismo e fascínio pelo passado romano do Ocidente europeu. Em 1955, a Câmara Municipal de Sintra lançou as bases modernas do museu, por intermédio de Joaquim Fontes, primeiro director da instituição, depois de uma tentativa frustrada de alguns eruditos em transportar o espólio para um grande museu nacional. O actual plano museológico iniciou-se em meados da década de 90 do século XX e teve como principal impulsionador José Cardim Ribeiro.»
(Direcção-Geral do Património Cultural)






Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas
Exposição permanente


P.S. - Com tantas referências a S. Miguel, agora reparo que o programa que inicialmente tracei para hoje era... ter visitado o Paço de S. Miguel, em Évora.


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Helena Almeida (1934 - 2018)

«Espero que tenha contribuído de uma maneira original para a arte do meu tempo.»


Fiquei surpreendido pela notícia da morte de Helena Almeida. 



"A ideia de Flaubert de que a fotografia tornaria a pintura completamente obsoleta e que, por sua vez, o daguerreótipo ocuparia o lugar da pintura, é completamente desprezada na obra de Helena Almeida. A artista combina as técnicas de criação (manualmente cria o seu azul, mistura as cores; faz desenhos e colagens) com as técnicas de reprodução (a fotografia e o vídeo) contaminando a pureza modernista da separação das disciplinas.

Existe na sua obra um movimento permanente de ocultamento e desocultamento, um vaivém entre dar a ver e esconder; que é igualmente o movimento que vai da experiência individual ao carácter universal que toda a obra de arte deve perseguir.

Do minimalismo ao conceptualismo, da performance à fotografia, a obra de Helena Almeida lida com todos os grandes movimentos artísticos que marcaram a segunda metade do século XX. E fá-lo de um modo que nunca é epigonal, mas sempre profundamente inventivo e pessoal, uma vez que consegue criar um vocabulário e inventar um mundo, sem se desprender dos seus referentes."
(Fundação Calouste Gulbenkian)

«Um gesto pode ser muito enganador: uma mão mais para o lado é já outra coisa.»



«Eu quero a fotografia tosca, expressiva, como registo de uma vivência, de uma acção.»



«Ando em círculo; os ciclos voltam. O trabalho nunca está completo, tem de se voltar a fazer. O que me interessa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o tecto, o canto, o chão; depois, o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar de emoções. São maneiras de contar uma história.»

Penso que Helena Almeida contribuiu de uma maneira original para a arte do seu tempo.
Contribuiu para a nossa felicidade.


















domingo, 23 de setembro de 2018

Equinox




Oblíquo Setembro

Oblíquo Setembro de equinócio tarde
que se alonga e depara e vê e mira
Tarde que habita o estar do seu parado
Sol de Sul pelo sal detido

Assim o estar aqui e o haver sido
Quasi a mesma que sou no tão perdido
Morar aberto de um Setembro antigo
Com o mar desse morar em meu ouvido

Pura paixão que não conhece olvido
Sophia de Mello Breyner Andresen


Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa, 2h54m é a hora do Equinócio de Outono de 2018.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Fui aos Açores...



Cozido das Furnas 
(e a respeitável barriga do Sr. Alfredo Alves)


Mentira!
Fui só ao Espaço Açores.
E matei (algumas) saudades.


Inconsciente mas seduzida



Pode alguém inconsciente estar seduzido(a)?

Neste e em outros casos semelhantes, gostava de saber o que diriam os juízes se as vítimas fossem as suas filhas.
Manteriam a opinião de uma "mediana ilicitude" e de "danos físicos sem especial gravidade"?


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Nem prós, nem contras, antes pelo contrário

Discutir a educação, em geral, do básico ao secundário, sendo abordadas questões tão diversificadas e com participantes tão variados... não dá para ir muito longe.

E as realidades escolares variam de local para local, muito em função dos níveis social e cultural dos pais. E os meios mais pequenos têm diferenças significativas em relação aos grandes meios urbanos. Lisboa ou o Porto não são o país e, mesmo dentro destas cidades, há diferenças assinaláveis conforme as zonas. Os subúrbios são outra realidade.
Os jornalistas das televisões têm muita tendência a considerar o meio em que vivem como o modelo universal, também aplicável às escolas portuguesas.

Os convidados são pessoas que, muitas vezes, têm experiências de ensino a nível superior (o que não tem nada a ver com o Básico) ou são pessoas... "bem falantes", dos tais níveis superiores (social e culturalmente falando).
Tive de dar uma gargalhada ao ouvir uma encarregada de educação falar do filho que não gostava de ir à escola, porque em casa aprendia com muito mais gosto, de forma muito mais atractiva e desafiante. Os seus filhos jogam internacionalmente e um deles até quer ir ao Butão ou para o Butão.

Gostaria de ouvir encarregados de educação de alunos da minha escola, daqueles que chegam a casa às tantas, cujos filhos estiveram entregues a si próprios e andaram sabem lá os pais por onde, e não têm as aptidões para ensinarem os filhos - é esse papel que eles esperam que a escola cumpra, na esperança de que os filhos possam ter uma vida melhor do que a deles.
E sabem lá eles que existe um Butão para a banda dos Himalaias - nem sabem que os Himalaias existem! O que é isso?
Ir ao Centro Comercial no fim de semana já é uma festa. E Lisboa ali tão perto!...
Ainda bem que o filho da senhora quer ir ao Butão ou para o Butão.

Cá - faltou dizer, como o D. Carlos, "nesta piolheira" - "os professores não se deixam conhecer" e "não criam relações com os alunos".
Passam os alunos mais tempo na escola com os professores do que em casa com os pais! Há alunos que conhecemos melhor do que os próprios pais. Está a falar de quê? 
Há uns anos, perguntava-me um encarregado de educação: "A minha filha está em que ano?". Estava no 8.º. 
(não estou a dizer que são todos assim!)

Eu também ia ao Butão, se aquilo que dizem que eu ganho fosse verdade!...
Eu até sei localizar os Himalaias no mapa!


E a moderadora também podia ir para lá... de castigo, pela falta do trabalho de casa.