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| Correio da Manhã de hoje |
"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Sou rico e não sabia!... ou Como se abusa dos dados
Ao ver a notícia na televisão, a minha mulher quis saber onde é que eu ando a gastar o dinheiro e insiste em contratar um detective!
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| Da autoria de Paulo Serra - aqui |
O relatório anual Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), afirma que, em comparação com os restantes trabalhadores nacionais que têm cursos superiores, os professores auferem um salário 35% mais elevado.
Não sei como é que as contas são feitas.
Tratando-se de Docentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário, falar em professores, indistintamente, é falar de professores que tanto podem ter um vencimento bruto de pouco mais de mil euros (1.145€), contratado (licenciado não profissionalizado) com horário completo, como um vencimento bruto de 3.364€, professor no topo da carreira.
São dois níveis muito distintos. O relatório refere esta diferença: "No 2.º e no 3.º ciclo, no início da carreira, os professores portugueses recebem menos 240 euros anuais do que a média dos países da organização."
E dos docentes que estão no início da carreira, a grande maioria não chegará ao topo - poderá, até, ficar longe!
Porque...
... ao contrário do que geralmente se diz, para os professores progredirem na carreira não basta o tempo de serviço. Para além da avaliação no final de cada escalão, há duas transições de escalão que exigem uma avaliação de Excelente ou de Muito Bom e a possibilidade de atribuição dessas classificações está dependente de quotas muito apertadas.
... a dificuldade de entrada na carreira, a juntar à não contagem de anos de tempo de serviço (os tais 9 anos, 4 meses e 2 dias que estiveram congelados e que o Governo não quer - diz que não pode - contar), não permite que muitos professores, mesmo que com as tais boas classificações na sua avaliação, possam chegar, em "tempo útil" de serviço, ao último escalão.
Outra questão são alguns números do vencimento.
Mesmo que estejam no topo (10.º escalão) e mesmo que recebessem por inteiro o vencimento ilíquido (o que não acontece, porque a chegada ao 10.º escalão só se pôde fazer agora, após o descongelamento das carreiras, e o ordenado ainda não foi reposto na totalidade - só em dezembro de 2019), o total anual nunca chegaria aos 56 mil euros anuais que são referidos no relatório:
"quando os docentes chegam ao topo da carreira: 56.401 euros por ano [dos professores portugueses] contra os 51 mil de média da OCDE."
3.364€ brutos x 14 meses (já contando os subsídios) = 47.096€
Sempre é uma diferença de 9.000€.
Sempre é uma diferença de 9.000€.
São 9.000€ por uma mentira, repetida na comunicação social (como outros valores), onde ninguém confirma a informação. Estão comprados ou são incompetentes?
Pode ser verdade que, em média, os professores ganhem mais do que os outros licenciados - haverá muitos licenciados que são mal pagos e, havendo um elevado número de professores com mais idade (no conjunto de escalões mais elevados), isso criará a discrepância.
Mais do que professores com ordenados altos, haverá, então, licenciados com salários muito baixos!
Mas... caramba! Gestores, juízes, arquitectos, engenheiros, advogados, deputados, professores do ensino superior, médicos, comentadores de televisão, etc.
35%?!?!
Na comparação com os professores dos outros países, o relatório reconhece que "os professores portugueses ganham menos do que a média dos seus colegas dos outros países que pertencem à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)", situação que se acentua quando se tem em conta o custo médio de vida.
Quanto ao número de horas que os professores passam na escola, não consigo compreender como se chega àqueles números relativos aos professores portugueses (e dos outros não sei).
Mas o relativo baixo número de horas da componente lectiva (vão-se reduzindo a partir dos 50 anos de idade) é mesmo relativo e pela relativa velhice do quadro docente. A diferença é mínima em relação aos dos outros países (42% do horário de trabalho para 44%). Eu, aos 60, já saio muitas vezes de língua de fora! E gostaria muito que as pessoas que dizem que os professores "só dão umas aulinhas" experimentassem o mesmo exercício.
Em compensação, horas de reuniões, elaboração de planos, preenchimento de papéis, redacção de relatórios, etc. não nos faltam! Devemos ser os maiores!...
Quando, no fim disto tudo, penso que a Cristina Ferreira pode ganhar um milhão por ano...
E os outros que dão chutos na bola...
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Claudio Scimone
Faleceu o maestro Claudio Scimone, aos 83 anos.
Foi dos primeiros maestros cujo nome eu fixei.
Conheci-o de ouvido, a dirigir Vivaldi.
Tinha uma particularidade que me fez estar mais atento às diferentes orquestrações das obras: o ritmo rápido com que as músicas que dirigia eram executadas.
Com o colega de Ed. Musical que me deu a conhecer os discos, demos-lhe a alcunha de "o apressadinho".
Assisti a vários concertos em que esteve à frente da Orquestra Gulbenkian, de que foi maestro titular (1979-1986) e de que era maestro honorário.
Fundou o agrupamento I Solisti Veneti.
Foi dos primeiros maestros cujo nome eu fixei.
Conheci-o de ouvido, a dirigir Vivaldi.
Tinha uma particularidade que me fez estar mais atento às diferentes orquestrações das obras: o ritmo rápido com que as músicas que dirigia eram executadas.
Com o colega de Ed. Musical que me deu a conhecer os discos, demos-lhe a alcunha de "o apressadinho".
Assisti a vários concertos em que esteve à frente da Orquestra Gulbenkian, de que foi maestro titular (1979-1986) e de que era maestro honorário.
Fundou o agrupamento I Solisti Veneti.
domingo, 2 de setembro de 2018
sábado, 1 de setembro de 2018
O tempo...
Independentemente da mudança (ou não) da hora...
O tempo acaba o ano, o mês e a hora
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza.
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões
A mudança da hora
Organizem um calendário de maneira a que da meia-noite de Domingo se salte para a meia-noite de 6.ª feira (ou "uma coisa em forma de assim").
Até dispensava as férias.
O que quer que seja que se decida terá prós e terá contras, defensores e detractores...
Lembremo-nos que, em 1992, quando Cavaco Silva era 1.º Ministro, Portugal adoptou o horário da Europa central (fuso de Berlim), para "facilitar as comunicações e transportes internacionais".Até 1996, altura em que o governo de Guterres nos fez regressar à hora do Meridiano de Greenwich, o Sol acordava mais tarde e punha-se lá para as tantas.
E não foi a primeira vez que se verificou esse "alinhamento".
As raízes da mudança da hora estão associadas ao racionamento de energia no período da I Guerra Mundial.
A poupança energética continua a ser um dos argumentos dos defensores da mudança.
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| Ilustração de João Vaz de Carvalho |
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Os professores, esses malandros!
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Caganifâncias
Oeiras é concorrente ao não sei quê das cozinhas portuguesas, um concurso televisivo modelo antiga FNAT, dos tempos do Estado Novo.
Mas a vila de Oeiras não concorre com o seu nome vulgar: Oeiras.
A vila (será ideia da Câmara, do Isaltino?) encheu-se de caganifâncias e é Villa Oeiras.
Como diria a minha avó, "cheios de nove horas e meio dias ao pescoço".
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Oh Marlene sofrer todos os tolos
Procurava a letra da canção. Tive a sorte de a encontrar... com a tradução ao lado.
Não é tradutor quem quer!
É mais fácil ser tolo e publicar a tradução(?) automática.
Oh Marlene sofrer todos os tolos
Quem escrever na parede
(o que quer que isto seja!)
Minha mãe adorou isso, ela disse
triste pérola olhos e lábios queda
Olhando perfurar homem escritor
Falou quadris silenciosos e frailing
Seus olhos velhos desnatado em vincando tampas
A lágrima cai como ela descreve
Aproximando-se a morte com um coração de saudade
Com orgulho e não desprezar
quentes lágrimas de fluxo como ela relata
Seu símbolo redigido favorito
Perdoe-me por favor para ferir-lo
Não vá embora com o coração partido não
Apenas sábios tons coruja não está de veludo
esmagá-la chamada de veludo
Oh Marlene sofrer todos os tolos
Quem escrever na parede
(...)
(...)
A canção
(com os versos na língua original - graças a Deus -, e em letras góticas, para estarem de acordo com o dito estilo do cantor)
(com os versos na língua original - graças a Deus -, e em letras góticas, para estarem de acordo com o dito estilo do cantor)
Não desistam de ouvir...
domingo, 26 de agosto de 2018
Duplo campeão
É sempre a remar (canoar?)!
1000 m, 5000 m... Fernando Pimenta duas vezes campeão do mundo.
«(...) e, se mais Mundo houvera, lá chegara.»sábado, 25 de agosto de 2018
Leonard Bernstein - centenário do nascimento
Leonard Bernstein faria hoje 100 anos.
Bernstein dirigindo e tocando
Lisboa - 1988-2018
Há 30 anos ardia a Baixa de Lisboa.
A Baixa ressuscitou das cinzas, literalmente, e reconquistou a centralidade.
São assinaláveis as diferenças, mas não deixa de haver sinais de outras preocupações.
Lisboa é uma cidade que está na moda. O turismo tem sido uma galinha dos ovos de ouro.
Mas caminhar na Baixa não significa, apenas, andar no meio de magotes de turistas, é, também, ter de circundar as vedações e telas das obras de inúmeros imóveis, é ver os imóveis recuperados serem ocupados massivamente por hotéis e hostels, é constatar o desaparecimento das lojas "indígenas" substituídas pelas de marcas multinacionais que copiam as existentes em n cidades europeias tudo uniformizando, é circular por entre montes de lixo acumulados (mesmo próximo de esplanadas - e chamar esplanadas a algumas espeluncas no meio da rua é favor!), é passar por recantos onde o cheiro a mijo enoja, é ter paciência para os desregramentos viários dos tuk tuk...
Nestas condições, o que poderá atrair tantos turistas que não seja o andar em rebanho a ver os outros e sentirem-se todos irmanados?
E alguns adaptam-se tão bem que contribuem igualmente para o lixo público - é ver alguns comportamentos nos comboios da linha de Cascais (estes também com falta de cuidados a nível da higiene por parte da CP).
A lógica, para os proprietários de imóveis e dos espaços de comes & bebes, parece ser a de espremer a galinha. Ganhar muito e rapidamente antes que a moda passe e os turistas sigam para outros destinos que, entretanto, se possam tornar mais atraentes.
A cidade temcondições atributos para atrair o turismo, mas pouco vejo de sustentável.
Podendo ser chamado de "Velho do Restelo", vejo uma cidade cujo núcleo central vai perdendo identidade (patrimonial/cultural e social). E os turistas, se motivam as mudanças, não são os principais responsáveis.
A Baixa de Lisboa resistiu ao incêndio, espero que resista a todo o tipo de oportunismos e de especulações financeiras e à deficiente resposta de serviços públicos (porque quando as pessoas são porcas, é preciso redobrar a acção).
A Baixa ressuscitou das cinzas, literalmente, e reconquistou a centralidade.
São assinaláveis as diferenças, mas não deixa de haver sinais de outras preocupações.
Lisboa é uma cidade que está na moda. O turismo tem sido uma galinha dos ovos de ouro.
Mas caminhar na Baixa não significa, apenas, andar no meio de magotes de turistas, é, também, ter de circundar as vedações e telas das obras de inúmeros imóveis, é ver os imóveis recuperados serem ocupados massivamente por hotéis e hostels, é constatar o desaparecimento das lojas "indígenas" substituídas pelas de marcas multinacionais que copiam as existentes em n cidades europeias tudo uniformizando, é circular por entre montes de lixo acumulados (mesmo próximo de esplanadas - e chamar esplanadas a algumas espeluncas no meio da rua é favor!), é passar por recantos onde o cheiro a mijo enoja, é ter paciência para os desregramentos viários dos tuk tuk...
Nestas condições, o que poderá atrair tantos turistas que não seja o andar em rebanho a ver os outros e sentirem-se todos irmanados?
E alguns adaptam-se tão bem que contribuem igualmente para o lixo público - é ver alguns comportamentos nos comboios da linha de Cascais (estes também com falta de cuidados a nível da higiene por parte da CP).
A lógica, para os proprietários de imóveis e dos espaços de comes & bebes, parece ser a de espremer a galinha. Ganhar muito e rapidamente antes que a moda passe e os turistas sigam para outros destinos que, entretanto, se possam tornar mais atraentes.
A cidade tem
Podendo ser chamado de "Velho do Restelo", vejo uma cidade cujo núcleo central vai perdendo identidade (patrimonial/cultural e social). E os turistas, se motivam as mudanças, não são os principais responsáveis.
A Baixa de Lisboa resistiu ao incêndio, espero que resista a todo o tipo de oportunismos e de especulações financeiras e à deficiente resposta de serviços públicos (porque quando as pessoas são porcas, é preciso redobrar a acção).
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
S. Bartolomeu
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Ah, se eu fosse Cristina!
Licenciada em História, Cristina Ferreira chegou a dar aulas no Ensino Secundário.
Cristina Ferreira
Pode sempre voltar a ser professora.
Ganha-se tão bem no início da profissão!...
José Afonso fora do panteão
A SPA defende que os restos mortais do músico José Afonso devem ser trasladados para o Panteão Nacional.
A família já recusou a hipótese.
Sobre isso:
- uma bem apanhada:
«(...) a simbologia em perspectiva perante a sugerida entrada de Zeca no redondel de Santa Engrácia não podia ser pior: convenhamos que colocar o autor da canção-senha da Revolução dos Cravos ao lado de Carmona (e de Cavaco, que daqui por uns anos terá lá com certeza uma assoalhada), era uma condenação a título perpétuo.»
«A SPA devia-se preocupar com outras coisas. Por exemplo: porque é que não há discos de Zeca Afonso à venda? Porque é que não existem discos Orfeu no mercado? Deviam era divulgar a música e deviam impor-se na sociedade e na área da cultura. Se criarem um prémio com o nome Zeca Afonso para novos artistas, isso agradaria mais ao Zé.»
A família já recusou a hipótese.
Sobre isso:
- uma bem apanhada:
«(...) a simbologia em perspectiva perante a sugerida entrada de Zeca no redondel de Santa Engrácia não podia ser pior: convenhamos que colocar o autor da canção-senha da Revolução dos Cravos ao lado de Carmona (e de Cavaco, que daqui por uns anos terá lá com certeza uma assoalhada), era uma condenação a título perpétuo.»
Viriato Teles
- uma boa proposta:«A SPA devia-se preocupar com outras coisas. Por exemplo: porque é que não há discos de Zeca Afonso à venda? Porque é que não existem discos Orfeu no mercado? Deviam era divulgar a música e deviam impor-se na sociedade e na área da cultura. Se criarem um prémio com o nome Zeca Afonso para novos artistas, isso agradaria mais ao Zé.»
Arnaldo Trindade
A propósito disso:
«Ao passar agora defronte da Casa dos Bicos, reparo na oliveirinha que protege as cinzas do inesquecível prosador, e felicito-o em silêncio por ter escapado tão habilmente aos monumentais esplendores do Panteão Nacional. Rezo pois para que a terra lhe seja leve, suspeitando de que o será por certo, e muito mais do que os mármores dos sarcófagos da Igreja de Santa Engrácia.»
Mário Cláudio, Saramago (27 de Novembro de 2015)
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Fim da Primavera de Praga
Na noite de 20 de Agosto de 1968, tropas de 5 países do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia.
A invasão pretendia reverter as reformas de liberalização política que este país do bloco de leste experimentava, sob a liderança de Alexander Dubcek - um "socialismo com face humana" - a chamada Primavera de Praga.
As principais cidades checoslovacas foram ocupadas. A população ofereceu resistência à ocupação, mas sem grande sucesso perante a força invasora - algo semelhante à Hungria de 1956.
A orientação política voltou ao alinhamento com Moscovo, no respeito pela denominada Doutrina Brejnev, em que a União Soviética assumia a liberdade de intervenção política e militar nos países que, situando-se no bloco de leste, pusessem em causa a união entre os países e partidos socialistas - “as vitórias do ideal comunista” -, ameaçando sair da órbita do PC soviético.
A ortodoxia venceu.
As primaveras políticas são apenas primaveras anunciadas. Não me lembro de uma primavera que tenha desaguado num verão...
Fim do resgate da Grécia - discurso de Mário Centeno (vídeo)
"A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor" (Luís Montenegro) e "Portugal está melhor mas os portugueses estão pior." (Bagão Félix)
Sublinhou a necessidade de o governo grego manter o rumo e ser responsável.
«Agora, sejam responsáveis: não podem gastar o dinheiro
todo em copos e mulheres e depois pedir ajuda.»
É estranho ouvirmos Dijsselbloem, Passos Coelho e todos os defensores das orientações da Troika (politicamente derrotados) através de Centeno, um crítico - em tempos idos - dessas orientações.
Centeno, tão ufano quando celebrava o sucesso da política do Governo PS em oposição à do anterior/à da Troika. E agora... converteu-se!
Será esta a forma que António Costa pretendia de Portugal se afirmar forte e com uma voz crítica no seio do Eurogrupo?
Uma vergonha!
Carneirada!
A ver-nos ao espelho
Quanto mais notícias leio/vejo do acidente do viaduto em Génova, mais vou vendo ao espelho determinadas situações já vividas em Portugal. A vários níveis, desde a (não) assunção de responsabilidades à reacção e aos comportamentos das diferentes entidades.
Mais populismo, menos populismo...
Mas quando pensamos que já vimos tudo e...
... chegamos às selfies com o Vice-Presidente do Conselho
de Ministros/Ministro do Interior nos funerais "de Estado"!...
Mais baixo é difícil!
domingo, 19 de agosto de 2018
Pela bênção dos comboios
Ouvi nas notícias que, em Fátima, se faz a bênção de automóveis e de motas.
Pelo estado em que se encontra a CP, a igreja devia antes pensar na bênção dos comboios.
Pelo estado em que se encontra a CP, a igreja devia antes pensar na bênção dos comboios.
Remodelação do Governo, acção revolucionária e comunicação social
A 19 de Agosto de 1968, tomou posse o Governo resultante da última remodelação governativa de Oliveira Salazar.
Entraram 7 novos ministros, tendo o Presidente do Conselho de Ministros dado conta desta remodelação ao Presidente da República durante as férias.
Uma remodelação deste cariz, mais de sete anos depois da última (verificada em Abril de 1961, após o chamado "golpe de Botelho Moniz"), que hoje seria motivo de demoradas análises políticas e de extensos comentários, pouco espaço mereceu na comunicação social da época.
Salazar já tinha caído da cadeira, no Forte de Santo António, no princípio do mês de Agosto, mas isso ainda estava por se saber e tudo decorria aparentemente de forma normal.
A 3 de Setembro seria a primeira reunião do novo Governo. Aí, Salazar já se apresentou pálido e cansado.
«Na manhã seguinte, o secretário da Presidência, Paulo Rodrigues, iria aperceber-se de que ele várias vezes tirava os óculos para passar a mão pela testa, a letra estava tremida. Ainda nesse dia começou a queixar-se de fortes dores de cabeça. Foi então que D. Maria lhe desobedeceu e chamou Eduardo Coelho [médico pessoal de Salazar].»
Depois foi o processo de degradação do seu estado de saúde e o natural afastamento do já longo exercício do poder.
Os novos ministros, no entanto, puderam prosseguir no seu lugar - foram muito poucos aqueles que Marcelo Caetano trocou quando tomou posse a 27 de Setembro de 1968.
A evolução na continuidade.
Nesse mesmo dia 19 de Agosto de 1968, longe do Palácio de Belém, a LUAR tentou pôr em prática um plano de ocupação da cidade da Covilhã - a "operação Matias" - para chamar a atenção para a situação portuguesa.
A operação era ambiciosa: militantes armados deviam dominar o posto emissor, cortar as comunicações, neutralizar os postos da PSP e da GNR e assaltar os bancos para conseguir fundos.
Uma operação de trânsito de rotina da PSP deitou tudo a perder, ao mandar parar as viaturas, apreender as armas e prender os cerca de 25 operacionais da referida organização política, incluindo o seu líder (Hermínio da Palma Inácio).
Sobre isso, como é óbvio, o silêncio forçado da comunicação social.
Entraram 7 novos ministros, tendo o Presidente do Conselho de Ministros dado conta desta remodelação ao Presidente da República durante as férias.
Uma remodelação deste cariz, mais de sete anos depois da última (verificada em Abril de 1961, após o chamado "golpe de Botelho Moniz"), que hoje seria motivo de demoradas análises políticas e de extensos comentários, pouco espaço mereceu na comunicação social da época.
Salazar já tinha caído da cadeira, no Forte de Santo António, no princípio do mês de Agosto, mas isso ainda estava por se saber e tudo decorria aparentemente de forma normal.
A 3 de Setembro seria a primeira reunião do novo Governo. Aí, Salazar já se apresentou pálido e cansado.
«Na manhã seguinte, o secretário da Presidência, Paulo Rodrigues, iria aperceber-se de que ele várias vezes tirava os óculos para passar a mão pela testa, a letra estava tremida. Ainda nesse dia começou a queixar-se de fortes dores de cabeça. Foi então que D. Maria lhe desobedeceu e chamou Eduardo Coelho [médico pessoal de Salazar].»
Depois foi o processo de degradação do seu estado de saúde e o natural afastamento do já longo exercício do poder.
Os novos ministros, no entanto, puderam prosseguir no seu lugar - foram muito poucos aqueles que Marcelo Caetano trocou quando tomou posse a 27 de Setembro de 1968.
A evolução na continuidade.
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| A tomada de posse do Prof. Marcelo Caetano já atraiu a comunicação social |
Nesse mesmo dia 19 de Agosto de 1968, longe do Palácio de Belém, a LUAR tentou pôr em prática um plano de ocupação da cidade da Covilhã - a "operação Matias" - para chamar a atenção para a situação portuguesa.
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| Comunicado da LUAR, Agosto de 1968 |
A operação era ambiciosa: militantes armados deviam dominar o posto emissor, cortar as comunicações, neutralizar os postos da PSP e da GNR e assaltar os bancos para conseguir fundos.
Uma operação de trânsito de rotina da PSP deitou tudo a perder, ao mandar parar as viaturas, apreender as armas e prender os cerca de 25 operacionais da referida organização política, incluindo o seu líder (Hermínio da Palma Inácio).
Sobre isso, como é óbvio, o silêncio forçado da comunicação social.
Kofi Annan e Sérgio Vieira de Mello
E pensar nos reduzidíssimos poderes e meios da organização que deve (deveria) zelar pela paz no mundo, no jogo de cintura que os seus dirigentes precisam de usar, nos inúmeros sapos que são engolidos (tantas metáforas!...)... em todas as hipocrisias da política mundial...
Como é que Timor escapou?
Quando do processo de independência de Timor, Sérgio Vieira de Mello foi o responsável pela missão da ONU em Timor-Leste, entre 1999 e 2002.
Escreveu José-Ramos Horta:
«Falei ao Kofi Annan que o timorense é um povo traumatizado por conflitos, sofrimentos e violência. Nós precisávamos de um representante especial que não fosse um burocrata sem coração. Dito isto, Kofi Annan sabia quem tinha que escolher. Sérgio Vieira de Mello era quem preenchia o desenho humano que eu fiz da pessoa ideal para Timor-Leste.»
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| Sérgio Vieira de Mello e Kofi Annan |
Passam hoje 15 anos.
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Mar em Agosto
A memória de Fiama...
O passado não tem alternativa
não o posso mudar com o pensamento
o oceano de ouro oxidado põe brilhos
baços e frios sobre a pele deserta
O passado está fixo e todavia
posso movê-lo como um jogo em lances
inúteis da memória que não mudam
o que é irreal agora, ou sempre foi
uma ficção vivida como vida
Poderia ter sido diferente?
Está selado o passado,
agora é só agora, a mente mente
quando crê regressar ao mesmo estado:
mente a si mesma como espelho em frente
do qual quem está é já somente o tempo
Gastão Cruz (15 de Agosto de 2014), Óxido
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Assunção
Do amor (IV)
Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.
Fiama Hasse Pais Brandão
Fiama Hasse Pais Brandão faria hoje 80 anos.
Viajar... a cavalo num relâmpago
«No dia 15 de Agosto de 1915, às duas horas da madrugada, eu, meu irmão Álvaro e o Dr. Pedro de Macedo partimos, do Largo do Arquinho, num Fraschini guiado pelo Dr. José Vahio.
O férreo e simpático animal, como ferido na sua vaidade de corredor, estremece, ronca e logo arremete contra as distâncias do planeta, erguendo nuvens de poeira e dardejando fogo com os olhos sobre a estrada. (...)»
«Viajar em auto é correr mundo, a cavalo num relâmpago.
Pessoas, paisagens, vilas, lugarejos passam por nós numa tal velocidade, que as impressões recebidas continuam, em nossa memória, a sua doida cavalgada, numa confusão turbilhonante. A distância que as separa e lhes dá perspectivas é eliminada pelo movimento que as anima; e as suas aparências quase se fundam num todo, caótico e disparatado, que é a fonte caricatural da moderna pintura futurista.»
O férreo e simpático animal, como ferido na sua vaidade de corredor, estremece, ronca e logo arremete contra as distâncias do planeta, erguendo nuvens de poeira e dardejando fogo com os olhos sobre a estrada. (...)»
«Viajar em auto é correr mundo, a cavalo num relâmpago.
Pessoas, paisagens, vilas, lugarejos passam por nós numa tal velocidade, que as impressões recebidas continuam, em nossa memória, a sua doida cavalgada, numa confusão turbilhonante. A distância que as separa e lhes dá perspectivas é eliminada pelo movimento que as anima; e as suas aparências quase se fundam num todo, caótico e disparatado, que é a fonte caricatural da moderna pintura futurista.»
Teixeira de Pascoaes, A Beira (num relâmpago)
sábado, 11 de agosto de 2018
O que lemos e o que a leitura nos transforma
O Adriano que eu leio...
«Em geral, as pessoas não vêem o todo, vêem a saliência, o ângulo que se aproxima delas. As pessoas olham sempre, num livro, para a faceta que reflecte a sua própria vida.»
«A literatura pode ser transformadora, mas não necessariamente. Uma pessoa pode ler a Divina Comédia e não sentir nada, entediar-se. Porque o livro que o leitor cria lendo-o é o produto da troca entre essas palavras que estão na página e a experiência íntima do leitor. (...)
A Comédia que eu leio responde a dúvidas secretas, desejos ocultos, paixões não confessadas que estão diante de mim. Então eu respondo à leitura da Comédia que me dá a possibilidade de transformação. Eu me sinto transformado depois da leitura de certos livros. Mas essa transformação ocorre porque, nos elementos que o texto me dá, eu encontrei a matéria para estimular a minha transformação. É um verbo activo o verbo "ler". É um verbo que preciso de um sujeito que quer transformar-se, que busca transformar-se.»
«Em geral, as pessoas não vêem o todo, vêem a saliência, o ângulo que se aproxima delas. As pessoas olham sempre, num livro, para a faceta que reflecte a sua própria vida.»
Marguerite Yourcenar
«A literatura pode ser transformadora, mas não necessariamente. Uma pessoa pode ler a Divina Comédia e não sentir nada, entediar-se. Porque o livro que o leitor cria lendo-o é o produto da troca entre essas palavras que estão na página e a experiência íntima do leitor. (...)
A Comédia que eu leio responde a dúvidas secretas, desejos ocultos, paixões não confessadas que estão diante de mim. Então eu respondo à leitura da Comédia que me dá a possibilidade de transformação. Eu me sinto transformado depois da leitura de certos livros. Mas essa transformação ocorre porque, nos elementos que o texto me dá, eu encontrei a matéria para estimular a minha transformação. É um verbo activo o verbo "ler". É um verbo que preciso de um sujeito que quer transformar-se, que busca transformar-se.»
Alberto Manguel
Imperador Adriano
Admiro a capacidade de quem sabe fazer as devidas correspondências no calendário e afirma peremptoriamente que essa foi a data.
«-Considera Adriano um génio?
- Certamente. (...) Porque ele inova continuamente, ou reforma sem cessar, com uma inteligência rara. (...) Foi inteligentíssimo em tudo. Se olhou muito para o passado, isso não o levou a negligenciar o futuro. Está muito mais próximo de nós do que o típico imperador romano de Suetónio, ou dos filmes e dos romances de grande espectáculo. Num certo sentido, é um homem do Renascimento. (...) Adriano não é fulgurante. É uma das coisas que gosto nele. É sobretudo lúcido, com grande abertura a mundos que não os seus... (...) Um pequeno poeta latino, Floro, dizia, troçando: "O imperador adora passear-se nos países frios, sob a neve cita e a chuva bretã." E Adriano respondia-lhe mais ou menos assim: "Ficai em Roma, nas tabernas, deixando-vos picar pelos mosquitos e falando de literatura."»
Marguerite Yourcenar, De Olhos Abertos - Conversas com Matthieu Galey
Admiro o génio de Marguerite Yourcenar.
Através dele admiro Adriano.
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
domingo, 5 de agosto de 2018
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