"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

domingo, 19 de agosto de 2018

Remodelação do Governo, acção revolucionária e comunicação social

A 19 de Agosto de 1968, tomou posse o Governo resultante da última remodelação governativa de Oliveira Salazar.
Entraram 7 novos ministros, tendo o Presidente do Conselho de Ministros dado conta desta remodelação ao Presidente da República durante as férias.


Uma remodelação deste cariz, mais de sete anos depois da última (verificada em Abril de 1961, após o chamado "golpe de Botelho Moniz"), que hoje seria motivo de demoradas análises políticas e de  extensos comentários, pouco espaço mereceu na comunicação social da época.

Salazar já tinha caído da cadeira, no Forte de Santo António, no princípio do mês de Agosto, mas isso ainda estava por se saber e tudo decorria aparentemente de forma normal.
A 3 de Setembro seria a primeira reunião do novo Governo. Aí, Salazar já se apresentou pálido e cansado.
«Na manhã seguinte, o secretário da Presidência, Paulo Rodrigues, iria aperceber-se de que ele várias vezes tirava os óculos para passar a mão pela testa, a letra estava tremida. Ainda nesse dia começou a queixar-se de fortes dores de cabeça. Foi então que D. Maria lhe desobedeceu e chamou Eduardo Coelho [médico pessoal de Salazar].»

Depois foi o processo de degradação do seu estado de saúde e o natural afastamento do já longo exercício do poder.
Os novos ministros, no entanto, puderam prosseguir no seu lugar - foram muito poucos aqueles que Marcelo Caetano trocou quando tomou posse a 27 de Setembro de 1968.
A evolução na continuidade.

A tomada de posse do Prof. Marcelo Caetano já atraiu a comunicação social

Nesse mesmo dia 19 de Agosto de 1968, longe do Palácio de Belém, a LUAR tentou pôr em prática um plano de ocupação da cidade da Covilhã - a "operação Matias" - para chamar a atenção para a situação portuguesa.

Comunicado da LUAR, Agosto de 1968

A operação era ambiciosa: militantes armados deviam dominar o posto emissor, cortar as comunicações, neutralizar os postos da PSP e da GNR e assaltar os bancos para conseguir fundos.

Uma operação de trânsito de rotina da PSP deitou tudo a perder, ao mandar parar as viaturas, apreender as armas e prender os cerca de 25 operacionais da referida organização política, incluindo o seu líder (Hermínio da Palma Inácio).


Sobre isso, como é óbvio, o silêncio forçado da comunicação social.


Kofi Annan e Sérgio Vieira de Mello


E pensar nos reduzidíssimos poderes e meios da organização que deve (deveria) zelar pela paz no mundo, no jogo de cintura que os seus dirigentes precisam de usar, nos inúmeros sapos que são engolidos (tantas metáforas!...)... em todas as hipocrisias da política mundial...


Como é que Timor escapou?

Quando do processo de independência de Timor, Sérgio Vieira de Mello foi o responsável pela missão da ONU em Timor-Leste, entre 1999 e 2002.

Escreveu José-Ramos Horta:
«Falei ao Kofi Annan que o timorense é um povo traumatizado por conflitos, sofrimentos e violência. Nós precisávamos de um representante especial que não fosse um burocrata sem coração. Dito isto, Kofi Annan sabia quem tinha que escolher. Sérgio Vieira de Mello era quem preenchia o desenho humano que eu fiz da pessoa ideal para Timor-Leste.»
Sérgio Vieira de Mello e Kofi Annan
Em maio de 2003, Sérgio Vieira de Mello foi enviado como representante oficial do Secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque. Foi morto no dia 19 de Agosto em 2003, durante o ataque suicida ao Hotel que era usado como sede da ONU em Bagdad.
Passam hoje 15 anos.


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Mar em Agosto

A memória de Fiama...

O passado não tem alternativa
não o posso mudar com o pensamento
o oceano de ouro oxidado põe brilhos
baços e frios sobre a pele deserta

O passado está fixo e todavia
posso movê-lo como um jogo em lances
inúteis da memória que não mudam
o que é irreal agora, ou sempre foi
uma ficção vivida como vida

Poderia ter sido diferente?
Está selado o passado,
agora é só agora, a mente mente
quando crê regressar ao mesmo estado:
mente a si mesma como espelho em frente
do qual quem está é já somente o tempo
Gastão Cruz (15 de Agosto de 2014), Óxido




I say a little prayer




quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Assunção


Rubens (c. 1625)
Catedral de Antuérpia

Oficina de Notthingham (séc. XV)
Museu Nacional de Arte Antiga

Jorge Afonso (1515)
(fazia parte do retábulo da Igreja da Madre de Deus,
encontrando-se no Museu Nacional Arte Antiga)

Nicolas Poussin (1649-50)
Museu do Louvre


Do amor (IV)



Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.
Fiama Hasse Pais Brandão

Fiama Hasse Pais Brandão faria hoje 80 anos.


Viajar... a cavalo num relâmpago

«No dia 15 de Agosto de 1915, às duas horas da madrugada, eu, meu irmão Álvaro e o Dr. Pedro de Macedo partimos, do Largo do Arquinho, num Fraschini guiado pelo Dr. José Vahio.
O férreo e simpático animal, como ferido na sua vaidade de corredor, estremece, ronca e logo arremete contra as distâncias do planeta, erguendo nuvens de poeira e dardejando fogo com os olhos sobre a estrada. (...)»



«Viajar em auto é correr mundo, a cavalo num relâmpago.
Pessoas, paisagens, vilas, lugarejos passam por nós numa tal velocidade, que as impressões recebidas continuam, em nossa memória, a sua doida cavalgada, numa confusão turbilhonante. A distância que as separa e lhes dá perspectivas é eliminada pelo movimento que as anima; e as suas aparências quase se fundam num todo, caótico e disparatado, que é a fonte caricatural da moderna pintura futurista.»
Teixeira de Pascoaes, A Beira (num relâmpago)


sábado, 11 de agosto de 2018

O que lemos e o que a leitura nos transforma

O Adriano que eu leio...

«Em geral, as pessoas não vêem o todo, vêem a saliência, o ângulo que se aproxima delas. As pessoas olham sempre, num livro, para a faceta que reflecte a sua própria vida.»
Marguerite Yourcenar


«A literatura pode ser transformadora, mas não necessariamente. Uma pessoa pode ler a Divina Comédia e não sentir nada, entediar-se. Porque o livro que o leitor cria lendo-o é o produto da troca entre essas palavras que estão na página e a experiência íntima do leitor. (...)
Comédia que eu leio responde a dúvidas secretas, desejos ocultos, paixões não confessadas que estão diante de mim. Então eu respondo à leitura da Comédia que me dá a possibilidade de transformação. Eu me sinto transformado depois da leitura de certos livros. Mas essa transformação ocorre porque, nos elementos que o texto me dá, eu encontrei a matéria para estimular a minha transformação. É um verbo activo o verbo "ler". É um verbo que preciso de um sujeito que quer transformar-se, que busca transformar-se.»

Alberto Manguel


Imperador Adriano


Admiro a capacidade de quem sabe fazer as devidas correspondências no calendário e afirma peremptoriamente que essa foi a data.

«-Considera Adriano um génio?
- Certamente. (...) Porque ele inova continuamente, ou reforma sem cessar, com uma inteligência rara. (...) Foi inteligentíssimo em tudo. Se olhou muito para o passado, isso não o levou a negligenciar o futuro. Está muito mais próximo de nós do que o típico imperador romano de Suetónio, ou dos filmes e dos romances de grande espectáculo. Num certo sentido, é um homem do Renascimento. (...) Adriano não é fulgurante. É uma das coisas que gosto nele. É sobretudo lúcido, com grande abertura a mundos que não os seus... (...) Um pequeno poeta latino, Floro, dizia, troçando: "O imperador adora passear-se nos países frios, sob a neve cita e a chuva bretã." E Adriano respondia-lhe mais ou menos assim: "Ficai em Roma, nas tabernas, deixando-vos picar pelos mosquitos e falando de literatura."»
Marguerite Yourcenar, De Olhos Abertos - Conversas com Matthieu Galey

Admiro o génio de Marguerite Yourcenar.
Através dele admiro Adriano.


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Yellow Submarine

O meu pai levou-me a ver o filme num cinema que havia ao Arco do Cego.
Delirei com as figuras, as cores e as músicas.
Sou capaz de ter ido ainda em calções...



Apetece-me ser demagógico!

Fico feliz porque os professores são o único problema que pode afectar o Orçamento de Estado de 2019.
Não há mais problemas!







E já não falo das obras na IP3...

P.S. - Ah!... E eu sou professor no Burkina Faso!
(É verdade que tenho vários alunos da "Jamaica"!)


domingo, 22 de julho de 2018

Luz e sombra

«O Homem foge da sua sombra anterior para a sua luz futura.»

Casa de Pascoaes

Por abismos sem fim, vou caminhando...
E o mais profundo abismo é o alto céu.
E que vertigens sempre sinto, quando
Me inclino sobre a luz que amanheceu!

É um abismo a oração que vou rezando.
É um mar sem fundo a flor que renasceu...
Nas palavras que vou pronunciando,
Cada ideia é tão alta como o céu!

Sobre abismos, caminho dia a dia...
Das suas negras trevas se irradia
Uma outra escuridão ainda maior...

Que a mim me diz, nas horas em que cismo,
Que é um abismo junto d´outro abismo,
Meu coração ao pé do seu amor!...
Teixeira de Pascoaes

Foz do Douro




Edward Hopper

Edward Hopper 
(nasceu a 22 de Julho de 1882)











Rooms by the sea

«Talvez eu não seja muito humano. O que eu queria era pintar a luz do Sol na parede duma casa.»


sábado, 21 de julho de 2018

Ach. Brito centenária

Foi ontem que a Ach. Brito completou oficialmente 100 anos.

Achilles de Brito

Os irmãos Affonso e Achilles de Brito foram os fundadores da Ach. Brito & C.ª Lda, uma empresa de sabonetes e produtos de perfumaria, na cidade do Porto (Av. de França, à Boavista).

As actrizes nas latas dos sabonetes Musgo Real (a de Heidi Erich é de 1962)

Em 1925, a Ach Brito viria a adquirir a Claus & Schweder Sucessores, herdeira da primeira fábrica nacional de sabonetes e perfumes (1887), de que Aquiles tinha sido um dos sócios entre 1909 e 1916. Daí vem a associação da Ach. Brito à Claus.  


O sabonete Musgo Real é a minha memória primeira de um sabonete de marca.
A Elizabeth Taylor é outra memória...



quarta-feira, 18 de julho de 2018

Misterioso...

... inacreditável, incompreensível, inaceitável, inadmissível, insuportável, inconcebível, inimaginável, intolerável...


Público de hoje

Obscuro!


Nelson Mandela - 100 anos do seu nascimento



A música pela liberdade... 

Concerto The Nelson Mandela 70th Birthday Tribute, a 11 de Junho de 1988, no estádio de Wembley, pela libertação de Nelson Mandela.




No mesmo estádio, 16 de Abril de 1990, dois meses depois da libertação de Nelson Mandela, Nelson Mandela: An International Tribute for a Free South Africa.
Espectáculo organizado para comemorar a sua liberdade, mas também para intensificar a luta contra o apartheid na África do Sul.



João Semedo e António Arnaut

No espaço de dois meses, a morte levou estes dois resistentes à ditadura e defensores activos do Serviço Nacional de Saúde.


Fica-nos o exemplo das suas vidas.

«Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Segui sempre a minha intuição, nunca me senti a fazer o que não queria. Sim, fui muito feliz, sou e acho que continuarei a ser.»
João Semedo

Fotografia roubada à minha amiga Almerinda


sábado, 14 de julho de 2018

Há coisas que não se compreendem...

... ou que se compreendem bem de mais!

DN de hoje

Público de 8 de Julho de 2018


Os jornais portugueses de hoje


«Os jornais portugueses, uns mais do que outros, deixaram há muito de querer “interessar a todas as classes”, deixando de fora das suas páginas uma parte maioritária dos portugueses, cujos problemas no trabalho, na escola, na casa, na vida quotidiana, de segurança, de violência e crime, não chegam aos jornais em contraponto com uma qualquer performance “artística” que ocupa duas páginas ou com as encomendas das agências de comunicação, cuja origem é ocultada aos leitores. Falta cobertura independente e isenta dos negócios, das empresas, em particular das grandes empresas e dos centros de poder fáctico, como os grandes escritórios de advocacia de negócios. Não é por acaso que todos têm agências de comunicação. A arte e a cultura, tantas vezes medíocre, mas urbana e trendy, tem uma cobertura particularmente acrítica, mas com lugar nobre. O que falta? Um exemplo: em plena luta dos professores, o que é que sabemos da condição de se ser professor hoje, numa escola comum, com alunos comuns, mas reais, os que existem, os que lá estão? Quase nada, muito pouco. Não é glamoroso, eu sei.»

José Pacheco Pereira, Público, 30 de Junho de 2018


Ingmar Bergman - 100 anos

Ingmar Bergman nasceu há 100 anos, em Uppsala, na Suécia.


«No centro de cada um dos seus filmes, é a própria noção de espectáculo e de representação que é incessantemente questionada, como loucura devoradora, ilusão irredutível, face a face com o desejo e a morte, última prova de verdade.»

Foi (é) um dos meus realizadores.
Do tempo em que eu ia ao cinema...


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Bryan Ferry

Bryan Ferry veio actuar no NOS Alive.
Pensar que já o vi em 1982, com os Roxy Music...


Do que ouvi... já se devia ter reformado.
Enfim, aos 72 anos...


Sucessos (e insucessos) educativos

A propósito das “Estatísticas da Educação 2016/2017”, publicadas no princípio deste mês, o Ministério da Educação destacou a “evolução muito positiva das taxas de transição e conclusão dos alunos”. “Há uma redução do insucesso escolar de 19%, 13% e 15% nos 1.º, 2.º e 3.º ciclos de escolaridade, respectivamente, e de 4% no ensino secundário, face ao ano lectivo anterior.”

Motivos? O ministério lembra o que fez, associando, de alguma forma, a sua política aos bons resultados.

«A partir de 2016, o actual Governo colocou em marcha um conjunto de medidas educativas inovadoras e ambiciosas, tais como o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, o apoio tutorial específico ou o reforço da Acção Social Escolar, no sentido de permitir a todos os jovens as condições adequadas para uma escolaridade bem-sucedida, combatendo aliás um dos problemas estruturais que vinham sendo identificados em Portugal, em contraste com a grande maioria dos outros países europeus: as elevadas taxas de insucesso escolar.»

É que isto da educação é atar e pôr ao fumeiro - os resultados são imediatos!
Quanto à política de sucesso do Governo e às suas "medidas inovadoras e ambiciosas"... o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar parece que já foi... Um programa de sucesso e para o sucesso morreu ao fim de dois anos!
Que futuro para o sucesso? Medidas que não custem dinheiro.

Ontem, foram conhecidos os resultados dos exames do 12.º ano, 1.ª fase.
A comunicação social destacou, sobretudo, as descidas verificadas nos resultados de algumas disciplinas. Matemática foi referida pela negativa, embora abaixo tenha estado a História.
Por acaso, o número de disciplinas em que houve quebra nos resultados é igual ao das disciplinas que os melhoraram. E a percentagem de reprovações diminuiu.




Hoje, a notícia foi a quantidade de chumbos nas provas de Matemática do 9.º ano. Matemática, "eternamente"! Embora "chumbos nas provas" seja coisa que não existe - há negativas.
Em Português os resultados foram bem melhores - 87% de positivas, mas os títulos ignoram o que é melhor.

Dos piores resultados se dirá que a culpa foi do trabalho deficiente das escolas (dos professores, leiam-se muitos comentários nos jornais online).
Dos melhores, talvez se fale de facilitismo... ou das boas políticas.

Os sucessos e insucessos estão bem para as garrafas meio cheias e para as garrafas meio vazias.
Mas as análises muitas vezes ficam turvas.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

A NATO e o IP3

Esperava que António Costa explicasse ao Trump que as obras no IP3 não permitem aumentar o contributo de Portugal para a OTAN.
Afinal...





Um momento de convívio entre a comunidade escolar

O título é da autoria do Presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas. O senhor referia-se a isto:




Parece-me é que estão todos doidos!


segunda-feira, 9 de julho de 2018

A perspectiva do rinoceronte




As intermitências da greve

Não é o descongelamento...


Já em Junho se sabia...


Mas outros valores se levantam (o futebol, sobretudo! Mundial, Sporting, Ronaldo... até uma equipa de miúdos na Tailândia!)...

Passado o tempo das promessas, haverá a amnésia de alguns...

Em Setembro estaremos no mesmo ponto...


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Uma luz qualquer que ainda não sabemos explicar

«É a minha música preferida da Sétima Legião. Quando toco aqueles três acordes de abertura e oiço o "Tem mil anos uma história" passa-se qualquer coisa cá dentro, é um daqueles momentos em que uma pessoa sente que vale a pena ser músico. É difícil expressá-lo em palavras, mas se quisesse ser piroso e pedisse para me cantarem uma canção sobre a campa, seria qualquer coisa deste género.»
(Ricardo Camacho, 2000)


No Coliseu dos Recreios, 2012, pelos 30 anos da Sétima Legião.
Eu estava lá!...

«O Ricardo ficou maluco quando a Sétima Legião o convidou para tocar com eles. E ficou mais maluco ainda quando o convidaram para fazer parte da Sétima Legião. Ficou eufórico. E disse-me assim, que nunca mais me esqueci: "Já viste, Miguel? Quem é que não sonha pertencer à banda de sonho?»
«Foi a maior alegria da vida dele ter sido convidado para fazer parte da Sétima Legião, que nós adorávamos. Ele que tinha sido sempre um músico solitário, um compositor, passaria a fazer concertos com a sua banda preferida...»
(Miguel Esteves Cardoso)



«Era um músico fantástico, apesar de se ter dedicado mais à medicina (...) Era ligeiramente mais velho do que nós, já era médico quando a Sétima Legião começou. Durante esses dez anos, fazia bancos durante a noite e depois íamos para os concertos.»
(Rodrigo Leão)



Causa admiração ler agora, nos jornais, o seu currículo (que antes passava despercebido, por só o ligar à música - produtor, compositor, instrumentista):
Trabalhou na unidade pediátrica de transplantes de medula do Instituto Português de Oncologia,  dedicou-se à investigação da sida no hospital Egas Moniz (Lisboa), onde dirigiu o laboratório de virologia. Investigador do Centro de Malária e outras Doenças Tropicais, foi também professor na Escola Superior de Ciências da Saúde e na Faculdade de Ciências Médicas, ambas em Lisboa, e na Universidade Católica no Porto. 
Mais recentemente, trabalhou como investigador convidado no Rega Institute for Medical Research em Lovaina, na Bélgica.


«Uma espécie de caixinha de surpresas» (David Ferreira)


«Penso que uma boa canção é uma boa canção (...) tivemos uma sorte enorme em fazer algo que acabou por penetrar mais facilmente na memória das pessoas e perdurar. Mas, fundamentalmente, elas continuam a ser ouvidas porque são boas canções. É a minha opinião.»

São boas canções!!
Obrigado, Ricardo Camacho.


P.S. - Quando o PÚBLICO lhe perguntou em 2000 o que tinha ficado da viagem da Sétima Legião, Ricardo Camacho respondeu com a inquietude de espírito e um certo tom místico: “Uma luz qualquer que ainda não sabemos explicar. Uma promessa que não promete nada.”


domingo, 1 de julho de 2018

Outros futebóis...

Gauguin, Cézanne, Rodin, Degas, Renoir e Monet;
Daumier, Seurat, Toulouse-Lautrec, Manet e Delacroix.


Velazquez, Cervantes, Miró, García Lorca, Paco de Lucia e Goya;
Buñuel, Picasso, Salvador Dali, El Greco e Antoni Prazer (Placer?)


Da autoria de Gradimir Smudja, cartoonista e pintor sérvio, que reside actualmente em Itália.