"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

domingo, 9 de outubro de 2016

Gente


«É preciso que o homem tenha uma maneira de arder que dê a luz indirecta da arte.»
Agustina Bessa-Luís, Longos dias têm cem anos

Noronha da Costa, sem título

Eduardo Luíz, Relíquia herética

Menez, Jardim

Júlio Resende, Mulheres

Mário Dionísio, O vendedor

Júlio Pomar, Subúrbio I

Júlio Pomar, Subúrbio II

Graça Morais, sem título

A surpresa de hoje ter encontrado tanta gente boa!...

Centro de Arte Manuel de Brito,
Palácio dos Anjos (Algés)


Não me avisaram a tempo

Jodie Foster esteve em Cascais para a inauguração da exposição de fotografia de Alexandra Hedison, no Centro Cultural, Everybody knows this is nowhere.
Alexandra Hedison também esteve, mas a Jodie Foster é que eu conheço... desde a adolescência, de Bugsy Malone e Taxi Driver (ambos os filmes de 1976).


Da Alexandra irei conhecer as fotografias...


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

7 de Outubro - início das aulas

Era a 7 de Outubro que as aulas começavam.
Falamos do pré-25 de Abril.


E aqui venho eu, todo pimpão, do meu primeiro dia de aulas, ao lado da Isabelinha e da Isa, sob o olhar de uma vizinha. 
Outubro de 1964, na praceta, como a minha mãe fez questão de registar nas costas da fotografia. Como só uma mãe faria.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

As comemorações de 5 de Outubro

... Em Cascais e na Parede.


Todos reunidos no cantinho do areal que o mar não ocupava


Cantinhos da Parede - Casa Nunes da Matta

A Câmara Municipal de Cascais divulgou um roteiro republicano da Parede, freguesia onde funcionava a Comissão Republicana do Concelho.
É interessante a existência de um número assinalável de cidadãos que defendiam os ideais republicanos e desempenharam uma acção importante a nível local na concretização desses ideais, tendo pertencido ou não ao Partido Republicano.

Um desses cidadãos foi José Nunes da Matta (1849 - 1945), um dos fundadores do Partido Republicano e elemento do seu directório até 1919.
Fez o curso de oficial da Marinha e dedicou-se à construção naval. Foi professor auxiliar de Ciências na Escola Naval, tendo ascendido à regência da cadeira de Astronomia, Navegação e Meteorologia.
Deputado (1911), presidiu à Comissão de Finanças, no Senado.
Foi nomeado vice-almirante, em 1915. Cedeu terrenos seus para várias instituições de serviço público, como escolas e asilos.
Aquela que foi a sua residência - a Casa Nunes da Matta, como é conhecida - localiza-se perto da estação da Parede, entre a linha do caminho de ferro e a marginal, zona cuja urbanização defendeu.



António Guterres Secretário Geral da ONU

É o que deverá acontecer, dentro de dias.

Parece-me um cargo adequado a António Guterres.
Não se trata de um cargo de grande poder, porque os interesses das grandes potências se sobrepõem.
Não se trata de um cargo de defesa dos interesses nacionais - valores mais altos se levantam (ou deviam levantar).
Não se trata de um cargo especialmente remunerado (de interesse financeiro do próprio).
Mas não deixa de ser um cargo de prestígio, que deveria ser mais valorizado - o papel da própria organização devia ser mais valorizado e respeitado. 
Que António Guterres seja feliz no desempenho das suas novas funções (a confirmar-se a eleição). O país não deixaria de beneficiar com o seu bom desempenho. 



Estação de S. Bento (Porto) - 100 anos

5 de Outubro:
1143 - assinatura do tratado de Zamora
1910 - implantação da República
1916 - inauguração da estação de S. Bento (Porto)

Deve ser a estação que mais turistas atrai, em Portugal.
Os painéis de azulejos, da autoria de Jorge Colaço, contam diversos episódios da nossa história, da história dos transportes e de tradições do nosso país.


Um despacho ministerial de 4 de Agosto de 1902 ordenava a elaboração de um novo plano para o edifício da estação, que viria a ser assinado pelo arquitecto José Marques da Silva.
A estação funcionava em instalações provisórias desde 1896, no sítio antes ocupado pelo Convento de S. Bento de Ave-Maria, quando o primeiro comboio aí chegou, a 7 de Novembro desse ano.

Chegada do primeiro comboio a S. Bento
Estação provisória (1900)
A primeira pedra do novo edifício ainda foi colocada, simbolicamente, pelo rei D. Carlos e pela rainha D. Amélia.
A inauguração foi em 5 de Outubro de 1916, comemorando o 6.º aniversário do regime republicano.



terça-feira, 4 de outubro de 2016

Jornalismo da treta

O que significa, para a senhora (dita) jornalista, ter horário reduzido?
Conhece a dita senhora a legislação que regula o trabalho dos professores?

Apetece-me dizer o que disse um (mau) professor da faculdade a uma colega minha: "Por que razão a senhora não fica em casa a coser meias?"


Gostei de um texto de "resposta".


sábado, 1 de outubro de 2016

Memórias de 1 de Outubro





Dia da Música

Um órgão recuperado...
Igreja de Santa Maria do Pombeiro

E um órgão em Tocatta e Fuga (por Karl Richter)




Nuvens

Bons motivos para capas do fb...






O que o bom senso mandava...

Montar uma exposição com as obras de Miró!


Em Serralves, no Museu do Chiado, onde quer que fosse...


Silêncios

«(...) até agora não se ouviu uma palavra de Wolfgang Schauble sobre a situação do Deutsche Bank. Será que continua mais preocupado com Portugal? Ou que está a meditar na frase de Guillermo Cabrera Infante, “os acontecimentos tinham a brusquidão e o carácter imprevisível dos sonhos”?»
(Nicolau Santos)


Ao nível de César das Neves...





Não sei se ria, não sei se chore...

... se afogue o homem...

Como dizia o Raul Solnado sobre uma personagem das suas rábulas, "se a estupidez fosse música, ele era um saxofone!".




P.S. - Mas César das Neves conseguiu furar o cerco e dar a entrevista!


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Conhecido por Caravaggio

"Um revolucionário do seu tempo - um homem perigoso governado pelo génio, pelo excesso e pela cólera - e que teve a cabeça a prémio".

Michelangelo Merisi nasceu em Caravaggio, a 29 de Setembro de 1571.




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A vida para além do défice




O caminho faz-se caminhando...
Quando parece que estamos submersos por uma acção política centrada - obcecada - no défice, eis que algumas notícias nos acordam, felizmente, para outras realidades. 
O ensino superior e a investigação científica, com todas as limitações, nomeadamente as que foram impostas pelo Governo anterior (e que ainda não acabaram!), vão fazendo o seu caminho e as notícias são muito positivas.

E lembrar os prémios ganhos (ou o reconhecimento internacional) a nível artístico... e também o número de atletas presentes nos jogos olímpicos e para-olímpicos (detesto a designação paralímpicos) e a variedade de modalidades, independentemente do número de medalhas - porque o desenvolvimento da prática desportiva não se mede em medalhas... 

Há alturas em que nos surpreendemos porque, em Portugal, há vida para além do défice.


Obsessões

O problema é que Bruxelas pressiona e não quer que a política funcione de maneira diferente.

Impõem-se medidas e depois acusa-se o Governo de não ter sucesso na sua política. Mas a sua política não é completamente sua: resulta das limitações que lhe são impostas!

E hoje houve notícias do FMI. 
Do FMI Mau - o que quer mais austeridade e que funciona aos dias pares. 
Também há o FMI Bom, que funciona aos dias ímpares e diz que as suas próprias orientações foram excessivas. Mas esse nunca dá ordens!
Isto parece-me um pouco esquizofrénico...


domingo, 18 de setembro de 2016

Cada vez mais cheio de si!...




E logo hoje, em que foi "dos oitchenta aos oitcho" - Rio Ave 3 - Jorge Jesus 1.


Como falar dos livros que não lemos?

Perguntem ao Passos Coelho.



«O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra» (Passos Coelho)

«Nascido num meio onde se lia pouco e ainda por cima não gostando quase nada de o fazer, e sobretudo sem tempo para me consagrar a semelhante actividade, vi-me frequentemente confrontado, pelas circunstâncias a que a vida tantas vezes nos impõe, com situações delicadas onde era obrigado a expressar a minha opinião sobre livros que nunca tinha lido.»
Pedro Passos Coelho Pierre Bayard, Como falar dos livros que não lemos?

E o livro tem tudo para cheirar mal!


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lua


A lua - imagina -
que nem a um poeta 
satisfaz!
- Sonâmbula mulher incompleta
com cabeça de menina 
e corpo de gás...
José Gomes Ferreira, Eléctrico, in Poesia III


Mundo tão concreto. E tão irreal!



Uma nuvem pequenina
saiu-te dos olhos
e pairou por momentos
no ruído azul
do sol velado...

Depois transformou-se na ninfa do Despenteio ao Vento
e vai agora pelos campos
com cabelos de poeira
e túnica molhada de flores amarelas
(...) 


Cansado de tanta lama na Via Láctea,
voltei para a minha nuvem dos Sós Eternos
(...)
José Gomes Ferreira, Eléctrico, in Poesia III


domingo, 11 de setembro de 2016

Recordação do almoço






















E Antero se suicidou...

Continuando na onda das efemérides de 11 de Setembro...

Antero de Quental (1842 - 1891)
pintado por Columbano

Contemplação
Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre ideias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...
Antero de Quental, Sonetos

Actual Pousada da Juventude de Ponta Delgada, aquela que foi
a última morada de Antero quando do seu regresso aos Açores, 
a 12 de Junho de 1891. Na época, era o Hotel Brown.