"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sábado, 16 de julho de 2016

Mário Dionísio - 100 anos

Professor, pintor, escritor, ensaísta... Homem multifacetado,
Faria hoje 100 anos.

Procurem-no na Casa da Achada - Centro Mário Dionísio


Das grandes praças desertas com cinzas fumegantes
dos patamares suspensos onde o pranto gelou
das esquinas do horror que minou continentes
dissonante um sorriso
vem e cresce na noite
dissonante uma voz
voa e abre na noite
esta flor de surpresa Ainda é tempo.

(...)
Mário Dionísio, Dispersos no tempo

Aula de Mário Dionísio no Liceu Camões (1958)
(a alunos que frequentavam o ano equivalente ao actual 6.º ano)

Pintura representando a filha (Eduarda Dionísio), aos seis anos


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rembrandt

«Rembrandt, mais talvez do que qualquer outro pintor, teve a sua visão, o seu sonho, se quisermos, do mundo que trazia dentro dele e do mundo onde viveu. Depressa sentimos que cada quadro, cada desenho, é um fragmento de um universo rembrandtesco a que pertencemos, mas secretamente e, na maioria dos casos, inconscientemente, como aos nervos, às artérias, aos glóbulos brancos e vermelhos que circulam na noite do corpo.»
Marguerite Yourcenar


Rembrandt nasceu a 15 de Julho de 1606


Pedimos desculpa por esta interrupção

Atentado de Nice...
Golpe de Estado na Turquia...



As sanções seguem dentro de momentos...
Esta é a questão premente para a Europa!


Pois!... Há coisas que não dão jeito nenhum!


E há jornalismo que só serve para encher chouriços (e incentivar o uso do calão)!...

E a reprodução repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva... das imagens destes atentados só contribui para o sentimento de sucesso de quem os comete.


Da festa à tempestade - Cartas de Nice

De Bagão Félix, (por acaso) em Nice

«(...)
Um fio, um acaso, uma aragem pode separar-nos do local errado para uns e do local certo para outros. O sentimento de total discricionariedade. A interrogação sobre esta fronteira. A passagem de um mundo de incerteza e de risco para um tempo dos seus graus mais superlativos: a total imprevisibilidade e o medo pelo medo.

Estou a escrever estas breves palavras na manhã depois de um acto que nos faz interrogar sobre a face mais selvagem do ser humano e do horror da incivilidade destrutiva. Agora é o silêncio nesta bela avenida, apenas interrompido pelos aviões na aproximação ao aeroporto e pelas sirenes das ambulâncias.

O que mais retenho na minha mente e no meu coração é imaginar meninas e meninas que observei naquelas horas, tão felizes agora roubadas nas suas vidas de esperança. E, sempre, a inquietude e interrogação sobre o que chamamos o acaso, o destino, o fado. E eu que tenho fé, pergunto-me: porquê, meu Deus?»
(Expresso)

Matisse - Tempestade em Nice

Mon cher André,
Ta lettre m’a fait bien plaisir. Soigne-toi bien. Ecris-moi un mot de temps en temps […] Salue bien Nice de ma part.

Va manger des pâtes chez Guys aux Ponchettes, dans le Vieux Nice, des sanguins à la cave de Falicon, de la daube chez Boutteau, rue Colonna d’Istria, les raviolis à la blette chez la Bicon, au fin fond de la Promenade desAnglais. Dessine et même, si tu as le temps, peins un peu selon ton sentiment une figure entrouverte ou une voile sur la mer.

Carta de Apollinaire a André Rouveyre (1916)

(André Rouveyre, desenhador/pintor/jornalista/ensaísta, amigo de Apollinaire e de Matisse)

Matisse - Festival das Flores

Nas redes sociais, as pessoas recuperaram a bandeira francesa, já guardada no baú desde o último atentado.
Uma desgraça para nos recompor da aversão aos franceses manifestada na última semana.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Que não haja filhos e enteados


Logo à chegada da selecção nacional de futebol, o Presidente da República recebeu e condecorou os jogadores e a equipa técnica com o grau de comendador da Ordem do Mérito.
Nada contra.
Só espero que tenha a mesma atitude em relação às atletas que foram campeãs da Europa em atletismo.


E todos os que vençam provas deste nível, qualquer que seja a modalidade. 


A vitória será sancionada?



Goldman Sachs - O banco que dirige o mundo

Documentário de 2012



Cherneman da Goldman Sachs

De revolucionário maoísta a chairman da Goldman Sachs, com passagem pelo cargo de mordomo na cimeira das Lajes.
Sigamos o cherne!

«O dr. José Manuel Durão Barroso vai ser presidente da Goldman Sachs International. É o culminar de uma linda carreira, iniciada nos bancos da universidade, onde abraçou a causa maoísta do MRPP, para não muito tempo depois aplicar tais ensinamentos à social-democracia, para onde se mudou de armas e bagagens, chegando a líder do PSD, primeiro-ministro acidental, a que se seguiu uma “tocata e fuga” para presidente da Comissão Europeia. Agora chega o reconhecimento da mais poderosa entidade financeira mundial. É obra!»
Nicolau Santos, Expresso Diário, 8 de Julho

Como disse alguém, o problema não é Durão Barroso "ir para o privado", é ele ter trabalhado para privado quando desempenhava cargos públicos.

«Durão Barroso nunca foi um político, foi alguém que andou na política. Estar na política pressupõe ter como primeiro pensamento servir os outros. Ora, o sócio do Clube Bilderberg, o professor do Instituto Politécnico de Macau, o membro do conselho internacional da Ópera de Madrid, o chairman da UEFA Foudation for Children, o professor convidado da Universidade de Princeton, o homem do Institute of Public Policy de Belgrado, o consultor da McDonough, o administrador do The European, o presidente da Fundação do Palácio de Belas-Artes de Bruxelas, o copresidente do centro europeu para a cultura, o presidente honorário da European Business Summit, o administrador de mais uma série de conselhos e palestrante em tudo o que é sítio nunca esteve interessado em servir a comunidade. O homem sempre foi um facilitador.»
Pedro Marques Lopes, DN, 10 de Julho

Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria...

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...
Alexandre O'Neill


domingo, 10 de julho de 2016

Desportivamente em grande

Bem resumido, pela Rádio Renascença, o dia desportivo de hoje.



A selecção ganhou a traça!

Depois da vitória da selecção nacional de futebol, sobretudo depois de alguma soberba francesa, apeteceu-me ouvir isto.




Quando se podia pensar que ia ser uma hecatombe... 

"O patinho feio tornou-se bonito" (Fernando Santos)


Parabéns aos jogadores, que formaram uma equipa e...
ganharam a t(r)aça!


Como diz a estafada frase, “tudo o que não nos destrói, torna-nos mais fortes”. 


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Frida Kahlo


«Pintar completou a minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido a minha vida pavorosa. A minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor.»
Frida Kahlo, nascida a 6 de Julho de 1907


Vice-campeãs europeias

Hoje


Porque desporto não é só futebol...


A selecção do engenheiro

«Fernando Santos é engenheiro electrotécnico. É um homem da técnica e não da arte. O nosso engenheiro não tem um sistema de jogo, tem um sistema eléctrico.
(...)
Foi com este espírito e desta maneira que comecei a ver o jogo com Gales, através dos olhos de um engenheiro electrotécnico. Não queria voltar a aborrecer-me a ver um jogo da selecção. Penso ser esta a solução para se apreciar a nossa equipa das quinas.
(...)
O sistema táctico/eléctrico do engenheiro Santos voltou a funcionar bem e a energia chegou até à Torre Eiffel para a iluminar novamente com as cores de Portugal. Como se vê, isto de termos um engenheiro electrotécnico como treinador foi-nos muito útil para chegarmos à cidade luz. Esperemos que na final o sistema não vá abaixo por sobrecarga, que não se funda um fusível a ninguém, e não entremos em blackout. Agora diga-me caro leitor, pode ou não haver beleza num sistema eléctrico industrial?»

José de Pina, Expresso


O texto está muito bom!


Júpiter

Apesar de ser o maior planeta
do sistema solar
se o puseres na água
fica a flutuar
Jorge Sousa Braga, Pó de Estrelas



Música à entrada do campo magnético de Júpiter

«Ouça o som arrepiante que Juno captou ao aproximar-se de Júpiter» - título do DN nas redes.
Na net, há muita coisa arrepiante, viral e lindona!

O arrepio sonoro de que se trata é o da gravação do momento em que a sonda Juno cruzou o campo magnético de Júpiter.

Diz o DN que «À medida que os ventos solares desaceleraram e aqueceram com a aproximação da sonda ao gigante campo magnético de Júpiter foi produzido o ruído agora recolhido pelo aparelho. A impressão sonora deste choque foi captada durante duas horas, o que é impressionante já que a sonda, nessa ocasião, estava a viajar a pouco mais de 240 mil quilómetros por hora (...) A magnetosfera jupiteriana , que é considerada a maior estrutura do Sistema Solar, é 20 mil vezes mais forte do que o campo magnético terrestre e está constantemente a ser "bombardeada" por partículas provenientes do Sol, os chamados ventos solares.
Ouça aqui a aproximação da sonda ao gigante gasoso do Sistema Solar»
Está feito o convite.


Eu já tinha ouvido qualquer coisa de semelhante aqui:


Há muitos anos que já fui a Júpiter!
(Timewind é de 1975,
ainda não tinhas nascido, Teresa)


Numa fotografia



Não sejas como a névoa, nem quimera.
Demora-te, demora-te assim: 
faz do olhar
tempo sem tempo, espaço
limpo - do deserto ou do mar.
Eugénio de Andrade, O outro nome da terra


terça-feira, 5 de julho de 2016

Agenda cultural do Presidente

Por Trás-os-Montes, Marcelo Rebelo de Sousa esteve em duas inaugurações: a do Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta (Sabrosa), e a do Museu Nadir Afonso, em Chaves.
Miguel Torga e Nadir Afonso profetas na sua terra.
Em ambas, a presença dos arquitectos dos edifícios: Souto Moura e Siza Vieira.
E muita gente...
E que gente não falte para visitar esses espaços, conhecer a obra e manter a memória





















Não embarco em felicidades

Está na comunicação social:
"Chumbos descem em todos os anos de ensino"

«Últimos dados reportam ao ano lectivo de 2014/15, revelam uma descida generalizada da retenção, mas também a persistência de problemas: logo aos 7/8 anos de idade chumbaram 9,3% das crianças. E o 7.º [ano] é dos que mais dificuldades causam aos alunos. No secundário, há um recorde positivo.
Depois de três anos a subir na maioria dos anos de escolaridade, os chumbos voltaram a descer, revelam os dados mais recentes, relativos a 2014/15. E, desta vez, a queda deu-se em todos os níveis de ensino. No secundário, a taxa de retenção global ficou pela primeira vez abaixo dos 20% (18,3%). E nos três ciclos do ensino básico, há a destacar a melhoria acentuada no 9.º ano: os 10,6% são também um recorde nas últimas duas décadas.» (Expresso, ontem)

Nuno Crato está feliz. Era ele o Ministro da Educação, é natural.
E, naturalmente, atribui à sua "política de exigência" o mérito desta melhoria dos resultados.

No meio deste arremesso de números, não embarco em felicidades!
Houve uma melhoria dos resultados? É bom. Ainda bem que não pioraram.
Se piorassem a culpa era dos professores.
Como melhoraram, o mérito deve ser da política educativa.
As criancinhas... deixai-as estar!

Os números escondem sempre realidades pouco dadas... a números. Ou que os ultrapassam - a realidade é uma coisa muito grande! E espantosa!
Estes resultados não são, na sua grande maioria, dos mesmos alunos que andaram a fazer subir os chumbos nos últimos três anos? O que é que lhes deu, em 2014-2015, para os resultados melhorarem? A exigência do Nuno Crato? Ao fim de três anos de exigência incompreendida, os alunos concluíram que nada podiam fazer contra o rigor de Nuno Crato e encheram-se de brio? Não terão as provas (finais, de exame) sido mais fáceis?
O que acontecerá aos resultados deste ano, em que não houve provas finais no 4.º e no 6.º ano? Se os resultados melhorarem, ainda têm a ver com a (considerada) política de rigor e de exigência em que esses alunos viveram nos últimos anos ou terão a ver com a (considerada) política de facilitismo do actual ministro, a que os alunos se habituaram nos últimos meses?
Os números podem ser manobrados e permitir múltiplas leituras. Incluindo as políticas. E as jornalísticas, assim tipo conversa de café...

A mesma comunicação social que exulta com estes resultados escandalizava-se, há poucos dias, com a passagem de ano de um aluno que apresentava 7 níveis negativos. Mas a lei actual (e a filosofia subjacente) que permitiu aquela transição de ano é a mesma do tempo de Nuno Crato. Que distância vai do apregoado rigor de um ministro ao apregoado facilitismo de outro?

Espantosa realidade por espantosa realidade, prefiro Alberto Caeiro.


A agenda da Comissão sobre os súbditos coloniais

«Maria Luís Albuquerque, afirma, com convicção, que, acaso fosse ela ainda a ministra das Finanças, a pressão sobre Portugal não seria a mesma, a hipótese das sanções não se colocaria. E eu acredito piamente nela. A sério! Estou convicto de que, se se desse o caso da direita ter permanecido no poder, a Comissão não estaria a atuar como está. O que diz tudo sobre a "agenda" da Comissão. E diz alguma coisa sobre Passos Coelho e a sua equipa.» (Francisco Seixas da Costa)

«Há quem queira transformar alguns cidadãos europeus em meros súbditos, coloniais. E cá dentro, há quem queira ser bom aluno de tal estatuto do indigenato.» (José Adelino Maltez)


E tinha os cofres cheios!...


domingo, 3 de julho de 2016

E no Open House deste ano... o complexo dos Coruchéus

"Banda" dos ateliers e da Galeria Quadrum

Escultura de Dorita Castel-Branco

No atelier de Ana Galvão




E no Open House deste ano... a Câmara Municipal de Lisboa


Desta varanda se anunciou a República








Ao que dizem... a Islândia não esmagou a França

Mas a Islândia ganhou na segunda parte!
2 - 1

7 golos fotos:








Luís Raposo eleito presidente do ICOM

O arqueólogo e museólogo português Luís Raposo foi hoje eleito presidente do ICOM (Conselho Internacional de Museus) na Europa.
O ICOM é uma organização não-governamental, criada em 1946, que mantém relações formais com a UNESCO e tem estatuto consultivo no Conselho Económico e Social das Nações Unidas.
O antigo director do Museu de Arqueologia vai liderar este organismo durante 3 anos.


«Às vezes na vida temos a sensação de atravessamos desertos, de sermos como que estrangeirados. Em verdade eu nunca me senti assim e quando ocasionalmente estive mais isolado aproveitei para reflectir e eventualmente reformar-me nas minhas convicções. Mas sempre, sempre tive a felicidade de partilhar ideias e ideais com muitos outros. Aqui em Milão somos quase duas dezenas de portugueses que hoje todos estavam comigo. Comentei isto com o nosso Presidente do ICOM Portugal: temos sorte de sermos o país e a gente que somos. Poucos se nos comparam na franqueza e generosidade militantes com que encaramos a nossa relação social. Sabemos rir, sabemos chorar muito melhor do que outros. Vivam os museus e os profissionais de museus portugueses.»
Luís Raposo


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Que a Islândia vos esmague!



Já não nos bastava a ameaça de sanções, o Schäuble a fazer aumentar os juros da dívida e depois o director-geral da entidade responsável pelos resgates aos países que integram a União Europeia, a dizer que o único país que o preocupa neste momento é Portugal, ainda vêm estes points...

Por que razão não lhes atiram com um microfone?


Salgueiro Maia



Salgueiro Maia faria hoje 72 anos.

Ontem, o Presidente da República atribuiu-lhe, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, num gesto que classificou de "reparação histórica".

"Pode demorar tempo. Pode haver quem, por distracção, por considerar que é mais importante o que não é, não preste a homenagem devida no tempo devido. Mas há sempre a hipótese de reparar. Essa reparação histórica, esse reconhecimento histórico está feito".








Demorou! Mas que nos possamos sentir reconfortados com a justiça que foi feita à sua memória.