Desta varanda se anunciou a República
"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
domingo, 3 de julho de 2016
Luís Raposo eleito presidente do ICOM
O arqueólogo e museólogo português Luís Raposo foi hoje eleito presidente do ICOM (Conselho Internacional de Museus) na Europa.
O ICOM é uma organização não-governamental, criada em 1946, que mantém relações formais com a UNESCO e tem estatuto consultivo no Conselho Económico e Social das Nações Unidas.
O antigo director do Museu de Arqueologia vai liderar este organismo durante 3 anos.
«Às vezes na vida temos a sensação de atravessamos desertos, de sermos como que estrangeirados. Em verdade eu nunca me senti assim e quando ocasionalmente estive mais isolado aproveitei para reflectir e eventualmente reformar-me nas minhas convicções. Mas sempre, sempre tive a felicidade de partilhar ideias e ideais com muitos outros. Aqui em Milão somos quase duas dezenas de portugueses que hoje todos estavam comigo. Comentei isto com o nosso Presidente do ICOM Portugal: temos sorte de sermos o país e a gente que somos. Poucos se nos comparam na franqueza e generosidade militantes com que encaramos a nossa relação social. Sabemos rir, sabemos chorar muito melhor do que outros. Vivam os museus e os profissionais de museus portugueses.»
O ICOM é uma organização não-governamental, criada em 1946, que mantém relações formais com a UNESCO e tem estatuto consultivo no Conselho Económico e Social das Nações Unidas.
O antigo director do Museu de Arqueologia vai liderar este organismo durante 3 anos.
«Às vezes na vida temos a sensação de atravessamos desertos, de sermos como que estrangeirados. Em verdade eu nunca me senti assim e quando ocasionalmente estive mais isolado aproveitei para reflectir e eventualmente reformar-me nas minhas convicções. Mas sempre, sempre tive a felicidade de partilhar ideias e ideais com muitos outros. Aqui em Milão somos quase duas dezenas de portugueses que hoje todos estavam comigo. Comentei isto com o nosso Presidente do ICOM Portugal: temos sorte de sermos o país e a gente que somos. Poucos se nos comparam na franqueza e generosidade militantes com que encaramos a nossa relação social. Sabemos rir, sabemos chorar muito melhor do que outros. Vivam os museus e os profissionais de museus portugueses.»
Luís Raposo
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Que a Islândia vos esmague!
Já não nos bastava a ameaça de sanções, o Schäuble a fazer aumentar os juros da dívida e depois o director-geral da entidade responsável pelos resgates aos países que integram a União Europeia, a dizer que o único país que o preocupa neste momento é Portugal, ainda vêm estes points...
Por que razão não lhes atiram com um microfone?
Salgueiro Maia
Salgueiro Maia faria hoje 72 anos.
Ontem, o Presidente da República atribuiu-lhe, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, num gesto que classificou de "reparação histórica".
"Pode demorar tempo. Pode haver quem, por distracção, por considerar que é mais importante o que não é, não preste a homenagem devida no tempo devido. Mas há sempre a hipótese de reparar. Essa reparação histórica, esse reconhecimento histórico está feito".
Demorou! Mas que nos possamos sentir reconfortados com a justiça que foi feita à sua memória.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Pressão
«Qualquer pessoa com dois dedos de testa económica sabe que o que o Governo português está a fazer vai dar resultados positivos no défice. Controlar o défice público nunca foi um problema, excepto em situações de grave crise financeira internacional. É simples e claro. A austeridade é estúpida porque é mesmo assim. Chega, comprime a economia, reduz o défice externo e dificulta a correcção do défice público, mas, quando é retirada, descomprime a economia e, por essa via, etc., etc. Daí a pressão. Caso contrário, para quê fazê-la? Se tivessem a certeza de que as coisas irão dar mal resultado, ficariam calados. Essa pressão é clara. Não foi por acaso que Schauble falou depois de o FMI ter estado em Portugal e que o FMI esteve em Portugal na véspera de uma cimeira europeia em que Schauble iria falar. Que esta gente sem escrúpulos faça disto, ainda se percebe, pois eles são só isso. Que essa gente tenha colaboradores solícitos internos, nas televisões e nos jornais, já se percebe menos. Entretanto, deve ser quase desesperante governar assim, sob indevidas pressões, de agentes externos, de colaboradores internos, mas tem de ser. E deve ser muito difícil para as pessoas que podem não perceber bem o que se está a passar serem assustada quotidianamente desta maneira. Que país é este? Ponham a mão na consciência. Muitos dos colaboradores internos porventura não saberão o que estão a fazer. Então, perguntem ao vizinho de baixo, ao homem do café, que eles talvez expliquem. Quando é que isto vai acabar? Quando é que Portugal vai dar a voz que deve dar nesta Europa todos os dias mais um bocado de pantanas. A conversa sobre as "multas", sobre outro "resgate", sobre o "corte dos fundos estruturais" são, simplesmente, conversas de perseguição, de pressão, de gente que tem determinados intuitos políticos, de indevido controle político. Pense-se nisso. E não se colabore.»
Pedro Lains, aqui
terça-feira, 28 de junho de 2016
Era uma mulher sem vida, feita de plástico e cheia de ar
Chamada a socorrer uma mulher aparentemente inconsciente na sua casa, a polícia de Amesterdão actuou. Os agentes, munidos de desfibriladores, arrombaram a porta, pois ninguém respondeu aos toques da campainha.
Confirmava-se a informação passada pelos vizinhos à polícia: uma mulher estava imóvel, em roupa interior, próximo da janela.
Uma mulher, quer dizer... tratava-se de "uma mulher sem vida, feita de plástico e cheia de ar - uma boneca sexual", como descreveram os polícias.
A boneca foi retirada da janela, não fosse assustar algum outro vizinho.
Confirmava-se a informação passada pelos vizinhos à polícia: uma mulher estava imóvel, em roupa interior, próximo da janela.
Uma mulher, quer dizer... tratava-se de "uma mulher sem vida, feita de plástico e cheia de ar - uma boneca sexual", como descreveram os polícias.
A boneca foi retirada da janela, não fosse assustar algum outro vizinho.
(notícia do JN de hoje)
We have far more in common than which divides us
mas...
Parlamento Europeu em dia de acaloradas discussões e incontáveis patacoadas.
Continuamos no caminho do disparate!
97 anos depois da assinatura do Tratado de Versalhes, a Europa volta a destrambelhar!
Portishead
Um tributo a Jo Cox
A selecção do país das sagas
Com sentido de humor...
E o mau humor de quem perdeu...
Terá sido a própria Federação Islandesa de Futebol
a colocar esta "informação" nas redes sociais
E o mau humor de quem perdeu...
domingo, 26 de junho de 2016
A vaca leiteira campeã
O post não tem a ver com o Campeonato da Europa e o apuramento de Portugal para os quartos de final...
Não podia ignorar este concurso!...
As vaquinhas não me perdoavam.
Esta Irina dá cerca de 50 litros de leite por dia.
Grande vaca!...
P.S.: Lembrei-me (o leite tem destas coisas...):
Não podia ignorar este concurso!...
As vaquinhas não me perdoavam.
Esta Irina dá cerca de 50 litros de leite por dia.
Grande vaca!...
P.S.: Lembrei-me (o leite tem destas coisas...):
Foi na leitaria de bairro antiquado
que pela primeira vez
me apaixonei
pela irrealidade
(...)
Lawrence Ferlinghetti
(poeta americano da Geração Beat)
E foram duas de ouro...
Será, talvez, o Cristiano Ronaldo da canoagem.
Ou o Cristiano Ronaldo será o Fernando Pimenta do futebol.
Dois títulos europeus em dois dias consecutivos.
Retiro a notícia de uma publicação generalista on-line. Jornais ditos desportivos, como A Bola, que há uns bons anos lia com gosto, ignoram olimpicamente o que se passa no desporto.
Quer dizer... Sabem tudo das transferências do mundo do futebol, seja aqui ou na China, e das tricas e dos bastidores... do que não é, exactamente, desporto. Mundos paralelos das negociatas...
Jornalismo rasteirinho!
Mas é esse que dá dinheiro...
Ou o Cristiano Ronaldo será o Fernando Pimenta do futebol.
Dois títulos europeus em dois dias consecutivos.
Retiro a notícia de uma publicação generalista on-line. Jornais ditos desportivos, como A Bola, que há uns bons anos lia com gosto, ignoram olimpicamente o que se passa no desporto.
Quer dizer... Sabem tudo das transferências do mundo do futebol, seja aqui ou na China, e das tricas e dos bastidores... do que não é, exactamente, desporto. Mundos paralelos das negociatas...
Jornalismo rasteirinho!
Mas é esse que dá dinheiro...
Continuem, estupidamente!
E daqui a algum tempo estarão... finalmente sós!...
Uma comunidade de
Continuem a olhar apenas para os números dos orçamentos, desvalorizem as pessoas e depois admirem-se do que possa acontecer.
Continuem a marrar contra a parede! (coisa que nem as vaquinhas deste blog fazem!)
Presidente historiador
Esperemos que o conhecimento da História, nomeadamente a do passado mais próximo (a que ele se tem dedicado), lhe seja útil.
E que a eleição seja uma boa prenda para ele, para os islandeses e... para os professores de História.
sábado, 25 de junho de 2016
Ian McDonald
Ian McDoanld, multi-instrumentista, fundador dos King Crimson, faz hoje 70 anos.
Esteve na composição de todas as faixas de In the Court of the Crimson King, o (grande) disco inaugural do grupo (1969), tocou vibrafone, os instrumentos de sopro (saxofone, flauta e clarinetes) e de teclas (mellotron, cravo, piano e órgão) e fez coros.
Ainda compôs uma música para o segundo disco dos KC, On the wake of Poseidon, mas já não participou na sua gravação e só voltou a tocar em Red, anos mais tarde, como músico convidado.
Tocou nos Foreigner e com muita (e boa) gente mais e parece que ainda está no activo.
Cheers!!!
Esteve na composição de todas as faixas de In the Court of the Crimson King, o (grande) disco inaugural do grupo (1969), tocou vibrafone, os instrumentos de sopro (saxofone, flauta e clarinetes) e de teclas (mellotron, cravo, piano e órgão) e fez coros.
Ainda compôs uma música para o segundo disco dos KC, On the wake of Poseidon, mas já não participou na sua gravação e só voltou a tocar em Red, anos mais tarde, como músico convidado.
Tocou nos Foreigner e com muita (e boa) gente mais e parece que ainda está no activo.
Cheers!!!
Moonchild
(de In the Court of the Crimson King, em versão reduzida
- a original, completa, não está disponível)
- a original, completa, não está disponível)
O vídeo que a acompanha parece-me reproduzir fielmente
o espírito poético da composição de McDonald.
o espírito poético da composição de McDonald.
Teria sido preferível fechar o bar mais cedo?
Não se enganam assim os cidadãos normais e decentes!
(os 16 milhões que votaram pela continuidade são anormais e indecentes!)
O futuro também será dos bem bebidos?
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Expo 40
«Em 29 de Março desse ano uma nota oficiosa da Presidência do Conselho de Ministros anunciara, para 1940, um ano de majestosas comemorações patrióticas, que eram de independência do país no século XII e da restauração dessa independência no século XVII - 1143 e 1640, nas contas da História.
Aloísio leu com muito gosto o anúncio oficial em toda a largura da primeira página do Diário de Notícias, entre notícias optimistas da guerra de Espanha e uma declaração do chanceler Hitler de que "nenhuma fronteira da Europa correspondia à necessidade dos povos"; era logo depois do "Anschluss" austríaco. E mais uma vez ele admirou a acção do Doutor Salazar, e, sobretudo, a sua oportunidade. Não era o anúncio da Exposição a resposta que um país seguro de si, do seu bom direito e, sobretudo, da sua razão histórica, podia dar ao mundo em luta de forças sem perdão?»
Aloísio leu com muito gosto o anúncio oficial em toda a largura da primeira página do Diário de Notícias, entre notícias optimistas da guerra de Espanha e uma declaração do chanceler Hitler de que "nenhuma fronteira da Europa correspondia à necessidade dos povos"; era logo depois do "Anschluss" austríaco. E mais uma vez ele admirou a acção do Doutor Salazar, e, sobretudo, a sua oportunidade. Não era o anúncio da Exposição a resposta que um país seguro de si, do seu bom direito e, sobretudo, da sua razão histórica, podia dar ao mundo em luta de forças sem perdão?»
José-Augusto França, A Guerra e a Paz
A 23 de Junho de 1940 foi inaugurada a Exposição do Mundo Português.
Blue - Joni Mitchell
Blue
45 anos depois da sua edição
tão sedutor, ainda...
45 anos depois da sua edição
tão sedutor, ainda...
"Blue, songs are like tattoos"
Francisco Grandella
Francisco de Almeida Grandella nasceu a 23 de Junho de 1853.
Filho de um médico da província, veio aos 11 anos para Lisboa, onde se tornou um importante comerciante e industrial. Foi o criador dos Armazéns Grandella, no Chiado, a primeira grande superfície comercial em Portugal.
A Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica, local onde mandou construir um bairro para os seus trabalhadores, dedicou-lhe uma exposição e o vídeo que se segue.
Filantropo, Francisco Grandella, que chegou a ser vereador, pelo Partido Republicano, da Câmara Municipal de Lisboa (1908-1912), fundou o Teatro da Rua dos Condes e o célebre Club dos Makavenkos.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Desconfiança em relação aos professores
«Há uma enorme desconfiança dos políticos em relação aos professores, partilhada por todas as equipas ministeriais dos últimos 15 anos.»
«Se os contratos de associação têm marcado o debate nos últimos tempos, o tema está longe de ser o mais importante, consideram. O pior, diz Paulo Guinote, professor de História no 2º ciclo do ensino básico e um dos subscritores, é a "permanente instabilidade em quase tudo", a "manutenção do controlo burocrático sobre o trabalho dos professores" e a falta de autonomia das escolas.»
Paulo Guinote (professor), em entrevista ao Expresso on line (hoje)
Ui, se há!...
Manifesto pela Escola Pública
Manifesto pela Escola Pública
(assinado pelos autores de conhecidos blogues sobre educação)
(assinado pelos autores de conhecidos blogues sobre educação)
Pela Escola Pública
Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social fundamental para a coesão nacional, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.
A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de actuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva das políticas educativas em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade da resposta da Escola Pública.
Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:
Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino – considerando o nível de desigualdade social instalado, importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.
Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar – dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.
Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo – o ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.
Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística – para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.
Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais – a resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.
Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, sempre que necessário.
Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades.
A promoção de uma Educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, a revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas e uma verdadeira autonomia das escolas e agrupamentos.
Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais e não pedagógicos ou educacionais.
A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.
A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade para, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se auto-governar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.
Portugal, 21 de Junho de 2016
Subscrevem (por ordem alfabética):
Alexandre Henriques – ComRegras
Anabela Magalhães – Anabela Magalhães
António Duarte – Escola Portuguesa
Assistente Técnico
Aventar
Blog DeAr Lindo
Duilio Coelho – Primeiro Ciclo
José Morgado – Atenta Inquietude
Luís Braga – Visto da Província
Luís Costa – Bravio
Manuel Cabeça – Coisas das Aulas
Nuno Domingues – Educar a Educação
Paulo Guinote – O Meu Quintal
Paulo Prudêncio – Correntes
Ricardo Montes – Professores Lusos
Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social fundamental para a coesão nacional, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.
A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de actuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva das políticas educativas em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade da resposta da Escola Pública.
Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:
Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino – considerando o nível de desigualdade social instalado, importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.
Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar – dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.
Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo – o ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.
Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística – para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.
Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais – a resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.
Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, sempre que necessário.
Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades.
A promoção de uma Educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, a revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas e uma verdadeira autonomia das escolas e agrupamentos.
Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais e não pedagógicos ou educacionais.
A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.
A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade para, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se auto-governar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.
Portugal, 21 de Junho de 2016
Subscrevem (por ordem alfabética):
Alexandre Henriques – ComRegras
Anabela Magalhães – Anabela Magalhães
António Duarte – Escola Portuguesa
Assistente Técnico
Aventar
Blog DeAr Lindo
Duilio Coelho – Primeiro Ciclo
José Morgado – Atenta Inquietude
Luís Braga – Visto da Província
Luís Costa – Bravio
Manuel Cabeça – Coisas das Aulas
Nuno Domingues – Educar a Educação
Paulo Guinote – O Meu Quintal
Paulo Prudêncio – Correntes
Ricardo Montes – Professores Lusos
Poemarma
Que o poema tenha rodas motores alavancas
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.
Que o poema cante no cimo das chaminés
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.
Que o poema esprema a gema do seu tema
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.
Que o poema corra salte pule
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês
Que o poema se meta nos anúncios das cidades
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
Que o poema seja encontro onde era despedida.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua
.
Que seja experimentado muito mais que experimental
que tenha ideias sim mas também pernas
E até se partir uma não faz mal:
antes de muletas que de asas eternas .
Que o poema fique. E que ficando se aplique
A não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
Voltado para dentro. E sem castelos.
Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.
Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.
Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.
Que o poema cante no cimo das chaminés
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.
Que o poema esprema a gema do seu tema
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.
Que o poema corra salte pule
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês
Que o poema se meta nos anúncios das cidades
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.
Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
Que o poema seja encontro onde era despedida.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua
.
Que seja experimentado muito mais que experimental
que tenha ideias sim mas também pernas
E até se partir uma não faz mal:
antes de muletas que de asas eternas .
Que o poema fique. E que ficando se aplique
A não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
Voltado para dentro. E sem castelos.
Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.
Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.
Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.
Manuel Alegre
O microfone do CMTV nunca será poema!
Um que devia ir parar ao lago...
... com os pés atados a um bloco de cimento.
Novo paradigma de gestão e de formação:
«O coach pediu desculpa num vídeo, dizendo: “Este incidente também me deu uma grande lição, ao lembrar-me de que devo melhorar os meus métodos de ensino”.»
Novo paradigma de gestão e de formação:
«O coach pediu desculpa num vídeo, dizendo: “Este incidente também me deu uma grande lição, ao lembrar-me de que devo melhorar os meus métodos de ensino”.»
Tanta humildade, meu Deus!...
Tanta anormalidade!
Se um microfone incomoda muita gente...
«(...) quanto à avaliação jurídico-moral do gesto, a doutrina divide-se: há quem ache que esta é a maior ameaça à liberdade de imprensa desde o ataque terrorista ao Charlie Hebdo e há quem ache que o jornalista da CMTV também devia ter ido à água.» (Observador)
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terça-feira, 21 de junho de 2016
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