"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Uma gaivota nas nuvens

O objectivo inicial era apanhar o barco, o mais interessante foi a gaivota nas nuvens.






Adriano Correia de Oliveira

Faria hoje 73 anos.


Fala do Homem Nascido


Sebastião Salgado - Projecto Génesis


«No princípio, quando Deus criou o céu e a terra, a terra estava sem forma e sem ordem. Era um mar profundo coberto de escuridão; mas sobre as águas pairava o Espírito de Deus. Então Deus disse: "Que a luz exista!" E a luz começou a existir. Deus achou que a luz era uma coisa boa e separou-a da escuridão.» (Génesis 1:1-4)

Depois Deus achou que fazia falta alguém registar as imagens da luz e da escuridão.
Para isso existe Sebastião Salgado.




Duvidosa ética

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) é a instituição a quem compete a coordenação das políticas públicas de ciência e tecnologia.
Nesse âmbito, financia projectos de investigação, equipamentos científicos e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento.
Com o actual Governo, a aplicação das políticas na área da ciência tem passado por cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento e por polémicos processos de avaliação dos centros de investigação.
O seu Presidente (desde 2012),  Dr. Miguel Seabra, demitiu-se anteontem, no meio da polémica sobre o financiamento dos centros de investigação.
Mas não sem antes ter ganho o Grande Prémio Bial de Medicina 2014.
Mas…
Como é que o gestor político - Presidente do FCT - que coordenava as políticas públicas de ciência e tecnologia pode ser candidato a um prémio em que o júri é formado por cientistas avaliados e financiados pela FCT?

Não digo que não seja legal, mas será ético ter concorrido?

A ética já foi... como o provam tantos casos. 
Isto vai ao ritmo de "cada tiro, cada melro" ou "cada cavadela, sua minhoca".
E agora há um Sr. Rogério... 

E "haverão" mais!



O Império dos Pardais (1)

«O Rossio animava-se com o movimento das pessoas. Um bando de pombos esvoaçava incomodado por umas gaivotas atrevidas que haviam deixado a proximidade do Tejo para entrar nos seus domínios; pequenos pardais aproveitavam aquele alvoroço para debicar migalhas perdidas pelo chão, ocupando por sua conta uma das esquinas da praça e espalhando-se por algumas ruas laterais. Miguel observava aqueles pequenitos vivaços que evitavam os conflitos entre os maiores e que se fortaleciam enquanto os outros se desgastavam. Com um sorriso nos lábios pensava: "É assim que os pardais constroem seus impérios."»
João Paulo Oliveira e Costa, O Império dos Pardais

A propósito de tantos (prematuros) candidatos presidenciais... 


terça-feira, 7 de abril de 2015

Dia Internacional de Monumentos e Sítios 2015

Dia 18 de Abril
Tema - Monumentos e Sítios: Conhecer, Explorar, Partilhar


Dia instituído pelo ICOMOS Internacional, que comemora o 50.º aniversário.

 Programa aqui


Hamburg '72

De Hamburg '72, gravação histórica em CD editado recentemente.


Actuação de Keith Jarrett (piano e flauta), Charlie Haden (contrabaixo) e Paul Motion (percussão), na primeira digressão do trio (que pouco depois passaria a quarteto, com Dewey Redman no saxofone).

O CD encontrei-o hoje!
(para minha felicidade)


A minha afinidade com Almada Negreiros















Almada Negreiros nasceu a
7 de Abril.

Angel of Harlem

Homenagem dos U2 a Billie Holiday



Billie Holiday


Nasceu a 7 de Abril de 1915



segunda-feira, 6 de abril de 2015

domingo, 5 de abril de 2015

Terceira Guerra Mundial em pedaços

Sem Ressurreição possível.
"Nous sommes tous... o quê?"




África é um longínquo continente.
A expressão do Papa Francisco é adequada: "Terceira Guerra Mundial em pedaços".


P.S.:


sábado, 4 de abril de 2015

Tenderly





Ressurreição antecipada


Regresso à vida!
Deve ser essa a sensação de quem está condenado à morte e vê a sua pena ser anulada.
O que passará pela cabeça de um homem que é condenado à pena de morte estando inocente?

30 anos de vida numa prisão, num caso de falsa acusação, são uma incomensurável injustiça que nada resgatará.

A história
Estados Unidos - Alabama:
Concluiu-se que a arma confiscada não era a mesma que foi utilizada nos roubos e assassinatos de que um homem era acusado.
Uma juíza rejeitou as acusações, por não haver evidências suficientes para vincular esse homem aos crimes de que era acusado.
Os crimes ocorreram em 1985. As últimas conclusões e consequente libertação (ontem) aconteceram 30 anos depois.

Como é possível alguém ser condenado à morte e passar 30 anos no "corredor da morte", sem que se tenha procedido à análise das provas dos crimes?
E o acusado até teria testemunhas de que se encontrava longe dos locais dos crimes nos momentos em que estes ocorreram!
Que confiança se pode ter num sistema de justiça que assim funciona?

Desde 1973, saíram do corredor da morte 152 pessoas.
Quantas terão sido injustamente executadas acusadas?
Haverá justiça nas condenações à morte?

Gregório Lopes - Ressurreição de Cristo


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Páscoa no Chiado


Marina Tavares Dias apresentou uma interessante imagem do Chiado (Rua Garrett) cheio de gente, no que seria o percurso por 4 igrejas em Sexta-feira Santa (1943). 
Três igrejas do Chiado são, declaradamente, a dos Mártires e as duas do Largo do Chiado (antigo Largo das Duas Igrejas), a da Encarnação e a do Loreto. 
Quanto à 4.ª, fala de uma igreja na Rua Nova do Almada - seria a da Conceição-a-Nova. Mas, mais próxima do Chiado, existia (e existe) a igreja do Sacramento. Seria o circuito mais alargado?
E não seria a visita na Quinta-feira (comemoração do Lava-pés e da Última Ceia)? Parece-me movimento a mais para um dia em que o país, no período do Estado Novo, ficava reduzido a um triste e temeroso (mais do que religioso) silêncio. 
Lembro-me que a maioria dos poucos postos de rádio encerrava a emissão a partir das 15 horas.

Imagino que hoje (e ontem), o Chiado também terá estado cheio de movimento... de turistas.

Os tempos são outros. E a Igreja da Conceição-a-Nova também já não existe, deitada abaixo na década de 50, para ser substituída por um edifício da Caixa Geral de Depósitos (esquina da Rua Nova do Almada com a Rua da Conceição). 
Já se adivinhavam os novos tempos e o poder do capital (a exemplo da Igreja de S. Julião, adquirida pelo Banco de Portugal e com o espaço a ser usado como garagem durante vários anos).

Igreja da Conceição-a-Nova â direita

  

A Santa Cruz


Tríptico de Rogier Van der Weyden (Museu do Prado)


quinta-feira, 2 de abril de 2015

O efeito da morte na cultura

A morte torna as pessoas que morrem em boas pessoas. Já não devem fazer mal, acredita-se, pelo que agora são boas.
As que ficam não são tão consensuais, pois têm defeitos activos. Vão ter de esperar a sua hora de passamento.
Isto é válido para as suas obras. Os vivos, de repente, confrontados com a perda, descobrem que estão em falta relativamente aos que obraram e se foram! Sentem o remorso da culpa.

Na Bertrand, hoje, o segundo lugar do top de vendas de livros era para... Passos em volta, de Herberto Hélder.
Podemos dizer que são os mercados?

A RTP deve ter pensado que era boa ideia passar, no canal 1 e no chamado horário nobre, o último filme de Manoel de Oliveira, O Velho do Restelo.
É carregar de cultura!
Enchamos a barriga de poesia e de filosofia.
Quando é preciso, passa-se do zero para os oitocentos, porque o meio termo não existe.
"Mata-se" por míngua e/ou por excesso. Não se morre da doença... morre-se da cura.
E não digam que não falaram da obra dos que agora morreram.

P.S. - A vantagem do filme é ser curto (provavelmente, foi por isso que o escolheram).


Dia Internacional do Livro Infantil

No dia em que se celebra o nascimento de Hans Christian Andersen.


«Falamos várias línguas e trazemos diferentes experiências,
E no entanto partilhamos as mesmas histórias»


Manoel de Oliveira, segundo Agustina




Manoel de Oliveira



Adeus Manoel de Oliveira (1908-2015)
Posted by Cahiers Du Cinéma (officiel) on Quinta-feira, 2 de Abril de 2015
Homenagem dos Cahiers Du Cinèma


O cinema para além da vida?

Hoje, chegou para Manoel de Oliveira "o dia que vem para todos" - a porta "que tem uma saída mas de que se desconhece a entrada".
Está contrariada a ideia de que era imortal. Agora já não vamos comemorar os anos que fazia acima do século, com a expectativa de haver sempre mais um, e que faziam aumentar a admiração por si.
Fazer 100 anos era algo que aconselhava aos amigos.
Manoel de Oliveira, 106 anos (aparentemente) bem vividos e lúcidos, apesar da sua afirmação, num momento mais amargo, que "a vida é uma derrota", que nascemos contra vontade e não somos senhores do nosso destino.
Ela será mais um mistério, tal como o cinema. Por isso, passou 80 anos a tentar responder à pergunta "O que é o cinema?".
É possível que o Mestre se apresente no (Cine)Paraíso com projectos para rodar mais filmes, sobretudo, tendo oportunidade de encontrar Pascoaes, Camilo, Cervantes e Camões.
Vai ser uma bela conversa!



Almeida Garrett - A Viagem e o Património

O que justificou a ida a Santa Engrácia.


A exposição, evocativa dos 160 anos da morte de Almeida Garrett, sempre está próxima dos seus restos mortais, no Panteão.
O espaço é acanhado - estou a falar do espaço da exposição! - para tanto que haveria a mostrar (como a exposição de Alexandre Herculano no Mosteiro dos Jerónimos). O texto biográfico tem de trepar até a uma altura que não lembra ao careca!
Mas nos tempos que correm, com os mais variados exemplos de falta de memória, mais vale lembrar os bons exemplos de histórica cidadania do que não fazer nada.

«As ruínas do tempo são tristes, mas belas; as que as revoluções trazem ficam marcadas com o cunho solene da História. Mas as brutas degradações e as mais brutas reparações da ignorância, os mesquinhos consertos da arte parasita, esses profanam, tiram todo o prestígio.»


E das janelas de Santa Engrácia e do Terraço sobranceiro vê-se o Tejo.

«As minhas janelas, agora são as primeiras de Lisboa, dão em cheio por todo esse Tejo.»



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Santa Engrácia

Fui eu atrás do Garrett...










Em Órbita há 50 anos

Em Órbita foi um programa histórico da rádio.
Profissionais da área dizem que foi "um dos mais importantes e fundamentais programas da história da rádio em Portugal". A sua primeira emissão foi há 50 anos (1 de Abril de 1965).

Foi uma nova forma de rádio nos tristes anos da década de 60 que marcou uma geração, a procura de criar um gosto, despertar "intimidades afectivas naquelas regiões da alma onde as coisas ganham a força do que é credível" (disse um dos seus criadores, Jorge Gil).
Na sua origem está um grupo de jovens profissionais de rádio.

O programa não teve uma história linear. Sofreu cortes - hiatos no tempo - e passou por várias fases (e estilos musicais, sempre de qualidade), começando pela música popular anglo-americana e terminando com a música clássica, sobretudo de épocas pré-românticas.

Eu era muito novo para seguir a época inicial. Cruzei-me com o Em Órbita na fase em que este fazia a promoção de música antiga executada com instrumentos de época e procurando seguir, também, as práticas interpretativas originais.
Foi uma época em que o programa promoveu a realização de concertos de música antiga.
Não esqueço o impacte que teve para mim a audição das Vésperas de Monteverdi, dirigidas por Jordi Savall. As Vésperas seriam o primeiro CD da minha discoteca, comprado quando ainda nem tinha leitor de CD (pedi a um amigo para me gravar o disco numa cassete!).