A morte torna as pessoas que morrem em boas pessoas. Já não devem fazer mal, acredita-se, pelo que agora são boas.
As que ficam não são tão consensuais, pois têm defeitos activos. Vão ter de esperar a sua hora de passamento.
Isto é válido para as suas obras. Os vivos, de repente, confrontados com a perda, descobrem que estão em falta relativamente aos que obraram e se foram! Sentem o remorso da culpa.
Na
Bertrand, hoje, o segundo lugar do top de vendas de livros era para...
Passos em volta, de Herberto Hélder.
Podemos dizer que são os mercados?
A RTP deve ter pensado que era boa ideia passar, no canal 1 e no chamado horário nobre, o último filme de Manoel de Oliveira,
O Velho do Restelo.
É carregar de cultura!
Enchamos a barriga de poesia e de filosofia.
Quando é preciso, passa-se do zero para os oitocentos, porque o meio termo não existe.
"Mata-se" por míngua e/ou por excesso. Não se morre da doença... morre-se da cura.
E não digam que não falaram da obra dos que agora morreram.
P.S. - A vantagem do filme é ser curto (provavelmente, foi por isso que o escolheram).