"Foi você que pediu votou nele?"
"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Gute nacht
Não dou palpites sobre os (possíveis) resultados das soluções políticas que venham a ser adoptadas.
Mas há coisas que nos desopilam os fígados.
E enquanto o pau vai e vem...
Mas há coisas que nos desopilam os fígados.
E enquanto o pau vai e vem...
domingo, 25 de janeiro de 2015
Michel Giacometti, a música e o cante
O etnomusicólogo nascido a 100 metros da casa de Napoleão, em Ajaccio, na Córsega, palmilhou Portugal - não digo de lés a lés porque não terá chegado a ir aos arquipélagos* - à descoberta do povo que canta, consciente de que "a música traduz não só o sentimento do Povo, mas também toda a complexidade da sua vivência".
*Corrijo: percorreu Portugal de lés a lés. O arquivo sonoro do Museu da Música Portuguesa contém documentação fonográfica com gravações feitas, também, nos Açores e na Madeira por Michael Giacometti e Veiga de Oliveira.
*Corrijo: percorreu Portugal de lés a lés. O arquivo sonoro do Museu da Música Portuguesa contém documentação fonográfica com gravações feitas, também, nos Açores e na Madeira por Michael Giacometti e Veiga de Oliveira.
«Cheguei com 30 anos a Portugal, depois de ter viajado por dezenas de países, ter falado línguas e dialectos estrangeiros, ter vivido com camponeses da Europa, de África e e parte da Ásia. A certa altura senti a necessidade de fazer uma pausa, para a síntese. Podia ter ido para a minha terra, mas ela não me dizia nada, saí de lá com poucos meses de vida.»
A nossa sorte - a de quem se interessa pelo património - foi o seu enorme trabalho de recolha das tradições musicais e dos próprios instrumentos.
Foi ter captado uma alma.
E quando falhei (por descuido - atraso na compra dos bilhetes) o espectáculo de cante alentejano no CCB, encontrei esta pequena exposição no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria (Monte Estoril)
Pensando bem, no CCB, os grupos corais estão deslocados - o espectáculo devia ser numa adega (com direito a vinho tinto, a uns enchidos e a uns bons queijinhos)!
sábado, 24 de janeiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
O livro que desceu do céu
No passado dia 6, o livreiro que habitualmente vai à Paulo da Gama, já conhecedor de alguns dos meus gostos, disse-me que tinha, por um preço muito baixo, um romance sobre a origem do Corão e da religião islâmica.
Ele próprio já o lera e achara muito interessante. Fez um pequeno resumo do livro e, a propósito, falámos sobre os conflitos permanentes no Médio Oriente ao longo da História.
O preço era mesmo de saldo, porque o livro, editado em 2007, está longe de ter sido um sucesso de vendas.
Vista de olhos dada, um preço tão em conta, obra comprada.
No prefácio, o autor, professor universitário, nascido em Nápoles em 1961 e convertido ao islamismo em 1990, escreve:
«Há algum tempo que estava interessado em escrever uma história sobre a origem do Islão que tivesse a fluidez de um romance ocidental e os conteúdos da sabedoria oriental. (...) Espero que esta história proporcione horas agradáveis de leitura. Se, no fim, o Oriente e o Ocidente estiverem mais próximos e o desejo de conhecimento prevalecer (ainda que pouco) sobre a desconfiança e o medo, sentir-me-ei amplamente recompensado pelo esforço que fiz.»
O romance reflecte a preocupação de destacar a existência de origens comuns e, portanto, de relações estreitas entre islamismo, judaísmo e cristianismo.
No dia seguinte deram-se os atentados de Paris e todos os acontecimentos conhecidos.
Não parece que o Oriente e o Ocidente estejam mais próximos, nem que prevaleça o desejo de conhecimento do outro. A desconfiança e o medo estão melhor instalados.
Não sei como se sentirá o autor.
Lembrei-me disto hoje, porque os acontecimentos me despertaram a curiosidade de ler o livro e, andando com o livro na mala, se tivesse proporcionado que, na aula de hoje com o 6.º D, eu lesse a passagem do prefácio acima transcrita quando o tema da aula passou a ser os acontecimentos em França.
Por coincidência, estávamos em aula quando se iniciou a cadeia de acontecimentos de 4.ª feira passada.
Da conversa com os alunos, destaco a pergunta de um deles: "Porque temos medo?" e a indignação revelada por outro (também mais informado) a propósito da utilização de crianças nos atentados bombistas na Nigéria.
Na contracapa do livro afirma-se: «É que, com a ajuda do conhecimento, é possível construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente e encontrar a estrada da tolerância e da paz.»
Alguns jovens, como os que participaram na discussão de hoje, ainda me fazem acreditar que sim.
«E se todas as árvores da Terra fossem uma pena e o mar a tinta, e ainda que o ampliassem sete mares, as palavras de Deus não se esgotariam. Deus é poderoso e sábio.» (XXXI, 27)
Ele próprio já o lera e achara muito interessante. Fez um pequeno resumo do livro e, a propósito, falámos sobre os conflitos permanentes no Médio Oriente ao longo da História.
O preço era mesmo de saldo, porque o livro, editado em 2007, está longe de ter sido um sucesso de vendas.
Vista de olhos dada, um preço tão em conta, obra comprada.
No prefácio, o autor, professor universitário, nascido em Nápoles em 1961 e convertido ao islamismo em 1990, escreve:
«Há algum tempo que estava interessado em escrever uma história sobre a origem do Islão que tivesse a fluidez de um romance ocidental e os conteúdos da sabedoria oriental. (...) Espero que esta história proporcione horas agradáveis de leitura. Se, no fim, o Oriente e o Ocidente estiverem mais próximos e o desejo de conhecimento prevalecer (ainda que pouco) sobre a desconfiança e o medo, sentir-me-ei amplamente recompensado pelo esforço que fiz.»
O romance reflecte a preocupação de destacar a existência de origens comuns e, portanto, de relações estreitas entre islamismo, judaísmo e cristianismo.
No dia seguinte deram-se os atentados de Paris e todos os acontecimentos conhecidos.
Não parece que o Oriente e o Ocidente estejam mais próximos, nem que prevaleça o desejo de conhecimento do outro. A desconfiança e o medo estão melhor instalados.
Não sei como se sentirá o autor.
Lembrei-me disto hoje, porque os acontecimentos me despertaram a curiosidade de ler o livro e, andando com o livro na mala, se tivesse proporcionado que, na aula de hoje com o 6.º D, eu lesse a passagem do prefácio acima transcrita quando o tema da aula passou a ser os acontecimentos em França.
Por coincidência, estávamos em aula quando se iniciou a cadeia de acontecimentos de 4.ª feira passada.
Da conversa com os alunos, destaco a pergunta de um deles: "Porque temos medo?" e a indignação revelada por outro (também mais informado) a propósito da utilização de crianças nos atentados bombistas na Nigéria.
Na contracapa do livro afirma-se: «É que, com a ajuda do conhecimento, é possível construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente e encontrar a estrada da tolerância e da paz.»
Alguns jovens, como os que participaram na discussão de hoje, ainda me fazem acreditar que sim.
«E se todas as árvores da Terra fossem uma pena e o mar a tinta, e ainda que o ampliassem sete mares, as palavras de Deus não se esgotariam. Deus é poderoso e sábio.» (XXXI, 27)
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Parabéns ao Rei Escarlate
1969, ano um.
A 13 de Janeiro começaram a ensaiar na cave do Fulham Palace Cafe.
A 6 de Julho (o que é que esta data me faz lembrar?) já tocaram num concerto organizado pelos Rolling Stones, no Hyde Park (Londres).
Em Agosto gravaram o primeiro álbum, In The Court of the Crimson King, o da célebre capa.
Em 10 de Outubro foi o lançamento desse disco.
Aqui a versão de In The Court of the Crimson King apresentada na BBC, a 6 de Maio.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Júlio Pomar
A economia está doente
Já que aqueles que fazem parte do "arco da governação" (ou nos controlam) não o dizem... diz o Papa, lembrando que a mensagem sobre "o cuidar dos pobres" é uma mensagem da Igreja e que quer S. Ambrósio quer o Papa Paulo VI afirmaram que "a propriedade privada não pode ser um direito absoluto e incondicional".
«Hoje em dia os mercados financeiros contam mais do que as pessoas», o que é sinal de que a economia está doente. (Papa Francisco, em entrevista ao La Stampa, segundo informação do i)
«Hoje em dia os mercados financeiros contam mais do que as pessoas», o que é sinal de que a economia está doente. (Papa Francisco, em entrevista ao La Stampa, segundo informação do i)
| Pescaria - Rodrigo Rocha |
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Lua cheia (e o Pico)
Dizem que, em Janeiro de 1839, Louis Daguerre fotografou a Lua pela primeira vez.
Daguerre dominava a técnica que envolvia máquinas e o efeito da luz.
Dizem que, depois de ter observado, pela primeira vez, a Lua ampliada através de um telescópio, a prosa de Galileu nunca mais foi a mesma. Revelava melancolia...
Vasco Graça Moura afirmava que "A poesia é uma questão de técnica e de melancolia".
Mas não sabia o que predominava mais...
Daguerre dominava a técnica que envolvia máquinas e o efeito da luz.
Dizem que, depois de ter observado, pela primeira vez, a Lua ampliada através de um telescópio, a prosa de Galileu nunca mais foi a mesma. Revelava melancolia...
Vasco Graça Moura afirmava que "A poesia é uma questão de técnica e de melancolia".
Mas não sabia o que predominava mais...
| Praia do Almoxarife (ilha do Faial), 2005 |
Pintor Europeu das Ilhas
Foi este o cognome que Vitorino Nemésio atribuiu ao seu amigo António Dacosta, pintor nascido em 1914, na cidade de Angra do Heroísmo.
Assinalando o centenário do seu nascimento, o Centro de Arte Moderna apresenta uma exposição que abarca a obra de António Dacosta, das obras de juventude, marcadas por paisagens da Terceira natal, às suas últimas produções, em Paris.
«A sua obra, entre o delírio e a cena aberta, entre a memória, as séries e o rumo a sul, cresceu pluralmente desde os primeiros ensaios, surpreendentes, surgidos durante 1928, decisivos sinais da sua tendência para as artes. Insular, talvez ainda vivesse as observações da marcenaria e do restauro, quer do seu pai, quer do avô dedicado a esta última profissão.»
Foi também lançado o primeiro catálogo digital de um artista português - www.dacosta.gulbenkian.pt
Assinalando o centenário do seu nascimento, o Centro de Arte Moderna apresenta uma exposição que abarca a obra de António Dacosta, das obras de juventude, marcadas por paisagens da Terceira natal, às suas últimas produções, em Paris.
«Não se deixa de fazer as coisas que se traz em si.»
«A sua obra, entre o delírio e a cena aberta, entre a memória, as séries e o rumo a sul, cresceu pluralmente desde os primeiros ensaios, surpreendentes, surgidos durante 1928, decisivos sinais da sua tendência para as artes. Insular, talvez ainda vivesse as observações da marcenaria e do restauro, quer do seu pai, quer do avô dedicado a esta última profissão.»
Rocha de Sousa
Foi também lançado o primeiro catálogo digital de um artista português - www.dacosta.gulbenkian.pt
sábado, 3 de janeiro de 2015
Objecto não voador identificado
Diz a Wikipédia que a 3 de Janeiro de 1496 Leonardo da Vinci testou sem sucesso uma máquina voadora que tinha construído.
Afirmou Mário Cláudio sobre Leonardo, "(...) ele é um apocalipse de fracassos. E, ao mesmo tempo, uma enciclopédia de curiosidades (...)"
Afirmou Mário Cláudio sobre Leonardo, "(...) ele é um apocalipse de fracassos. E, ao mesmo tempo, uma enciclopédia de curiosidades (...)"
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Henrique Pousão, um percurso fulgurante
Henrique Pousão nasceu a 1 de Janeiro de 1859, em Vila Viçosa.
Em 1872 foi viver para o Porto, onde iniciou os seus estudos em Belas Artes.
«Artista singular na pintura portuguesa do século XIX, Henrique Pousão inicia uma precoce carreira como aluno brilhante na Academia Portuense de Belas Artes, onde ganha um concurso de pensionista do Estado no estrangeiro, em 1880. Nos três anos seguintes, absorve com particular originalidade os estímulos que recebe nos diferentes locais por onde passa, Paris, Roma, Nápoles e ilha de Capri.
(...) Muito depressa, Pousão distancia-se do ensino académico e enceta uma pesquisa plástica independente, apurada num rigor compositivo muito próprio e no valor autónomo da cor, intensificada pela luz mediterrânica que encontra em Itália.
É um percurso fulgurante que será interrompido com a sua morte precoce, aos 25 anos de idade. Mas a excepcional produção que nos legou revela a surpreendente originalidade de um estudante promissor, que em pouco mais de quatro anos se torna num mestre da pintura portuguesa.»
«(...) Pousão, aprendiz libertado de academias e sem mestres na sua experiência mediterrânea, foi mais longe que qualquer outro pintor português da sua geração, no caminho de um esquema pictórico actual.»
Regressou a Portugal num estado de saúde já muito debilitado.
«Quando já não podia sair de casa, no final do ano de 1883, pinta um pequeno estudo, Aspecto da casa do primo Matroco. É uma pintura minuciosa e sensível, semelhante a uma estampa japonesa (...).
Os últimos dias passa-os acamado na sala de estar da casa, tuberculoso, pintando quadros de flores. Papoilas, margaridas, amores-perfeitos. Flores primaveris, que ele pedia a familiares que fossem buscar ao quintal da casa. E é assim que um promissor paisagista, um dos maiores pintores portugueses do século XIX, termina os seus últimos dias, pintando flores campestres.»
«(...) a sua vida foi breve e talvez feliz, porque fez o que desejou e morreu pintando, logo depois de três anos de França e de Itália.»
Em 1872 foi viver para o Porto, onde iniciou os seus estudos em Belas Artes.
| Auto-retrato (1878) |
(...) Muito depressa, Pousão distancia-se do ensino académico e enceta uma pesquisa plástica independente, apurada num rigor compositivo muito próprio e no valor autónomo da cor, intensificada pela luz mediterrânica que encontra em Itália.
É um percurso fulgurante que será interrompido com a sua morte precoce, aos 25 anos de idade. Mas a excepcional produção que nos legou revela a surpreendente originalidade de um estudante promissor, que em pouco mais de quatro anos se torna num mestre da pintura portuguesa.»
Carlos Silveira, Henrique Pousão
| Casas brancas de Capri (1882) |
| Cecília (1882) |
«(...) Pousão, aprendiz libertado de academias e sem mestres na sua experiência mediterrânea, foi mais longe que qualquer outro pintor português da sua geração, no caminho de um esquema pictórico actual.»
José-Augusto França, A arte em Portugal no século XIX
![]() |
| Janela das persianas azuis (1883) |
Regressou a Portugal num estado de saúde já muito debilitado.
«Quando já não podia sair de casa, no final do ano de 1883, pinta um pequeno estudo, Aspecto da casa do primo Matroco. É uma pintura minuciosa e sensível, semelhante a uma estampa japonesa (...).
Os últimos dias passa-os acamado na sala de estar da casa, tuberculoso, pintando quadros de flores. Papoilas, margaridas, amores-perfeitos. Flores primaveris, que ele pedia a familiares que fossem buscar ao quintal da casa. E é assim que um promissor paisagista, um dos maiores pintores portugueses do século XIX, termina os seus últimos dias, pintando flores campestres.»
Carlos Silveira, Henrique Pousão
| Aspecto da casa do primo Matroco Uma das suas últimas pinturas, em casa do primo Manuel Matroco (Vila Viçosa), onde viria a falecer, a 25 de Março de 1884 |
José-Augusto França, A arte em Portugal no século XIX
Aos amigos
«Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.»
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.»
Herberto Hélder
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
O abraço saiu-me aqui
«Que tristeza isto de a gente escrever! Secos como paus na vida, e sai-nos depois a ternura pelo bico da pena! Comigo é assim. E como ninguém me lê - ninguém dos que eu mais desejava que recebessem ternura de mim (minha Mãe, meu Pai, minha Irmã, uns pobres amigos rudes que tenho na minha terra e uns infelizes que encontro por este mundo) -, fica tudo em letra morta. Hoje todo eu fui uma sede ardente de abraçar um infeliz que calcorreava às apalpadelas as ruas escaroladas da Nazaré. Um dia como uma estrela, aquela maravilha ali para se ver, e o desgraçado cego de nascença! Mas o abraço saiu-me aqui, na tinta.»
Feliz 2015
Miguel Torga, Diário, vol. I (Agosto de 1938)
Feliz 2015
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
O tempo de J. S. Bach... por Casals
Look!
É fácil, (ou)viste?
Pau Casals nasceu a 29 de Dezembro de 1876.
É fácil, (ou)viste?
Pau Casals nasceu a 29 de Dezembro de 1876.
Diário de Notícias - 150 anos
Saiu pela primeira vez há 150, visando "interessar a todas as classes, ser accessível a todas as bolsas, e comprehensível a todas as intelligencias".
"Registra com a possível verdade todos os acontecimentos (...)". A verdade possível!...
Um jornal "de todos e para todos", que procurava ser independente através da publicidade, das assinaturas e das vendas feitas por ardinas.
O DN continua a sair diariamente.
A verdade possível...
Mais antigo, penso que só o Açoriano Oriental, fundado em 1835.
Metropolitano de Lisboa - 55.º aniversário
A inauguração do Metropolitano de Lisboa foi há 55 anos.
A abertura ao público, que podia viajar gratuitamente neste dia, provocou filas enormes. E nem todos conseguiram fazer a sua primeira viagem neste dia.
Os primeiros "Metros", de duas carruagens, faziam o percurso entre os Restauradores e Entre Campos ou Sete Rios.
Um filme de divulgação passou na televisão e nos cinemas (antes do filme principal), informando sobre o funcionamento do Metropolitano.
A abertura ao público, que podia viajar gratuitamente neste dia, provocou filas enormes. E nem todos conseguiram fazer a sua primeira viagem neste dia.
Fotografias do blog Restos de Colecção e do site da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
sábado, 27 de dezembro de 2014
O choque da realidade (ou com a realidade?)
António Arnaut, velho militante socialista (um dos fundadores do PS), indignou-se, porque um livro que enviou a José Sócrates não chegou ao destinatário.
A crítica parecia fazer sentido, parecia haver uma atitude censória, de prepotência por parte das autoridades prisionais. Tão mau ou pior do que durante o período da ditadura.
Afinal, a decisão não foi arbitrária e baseou-se em legislação aprovada perto do final do mandato de José Sócrates como primeiro-ministro (Abril de 2011). O Ministro da Justiça era, então, Alberto Martins, velho (mas não tanto) militante socialista, que se distinguiu como dirigente estudantil em Coimbra, nas lutas académicas de 1969, e que, por isso, conheceu a prisão. Tem obra publicada sobre os direitos dos cidadãos e foi merecedor da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Em bom pano cai a nódoa? Excessos legislativos num país excessivamente legista?
Ironia de se ser vítima de (auto-)erro legislativo?
Os princípios abstractos da lei em choque com... a chocante realidade.
Há dias, ao que ouvi, foi o Primeiro-Ministro a "vivenciar" os apertos de uma urgência num hospital público. Chocou, muito provavelmente, com a realidade resultante da política de contenção de despesas do Ministério da Saúde.
Face à discussão gerada e às alterações defendidas (num e noutro caso), parece-me ser boa política os Primeiros-Ministros em exercício ou os ex-ditos testarem o que vão fazendo enquanto governantes.
Porque, com a ligeireza com que se legisla ou se governa, se cometem indignidades, contrariando direitos elementares.
A crítica parecia fazer sentido, parecia haver uma atitude censória, de prepotência por parte das autoridades prisionais. Tão mau ou pior do que durante o período da ditadura.
Afinal, a decisão não foi arbitrária e baseou-se em legislação aprovada perto do final do mandato de José Sócrates como primeiro-ministro (Abril de 2011). O Ministro da Justiça era, então, Alberto Martins, velho (mas não tanto) militante socialista, que se distinguiu como dirigente estudantil em Coimbra, nas lutas académicas de 1969, e que, por isso, conheceu a prisão. Tem obra publicada sobre os direitos dos cidadãos e foi merecedor da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Em bom pano cai a nódoa? Excessos legislativos num país excessivamente legista?
Ironia de se ser vítima de (auto-)erro legislativo?
Os princípios abstractos da lei em choque com... a chocante realidade.
Há dias, ao que ouvi, foi o Primeiro-Ministro a "vivenciar" os apertos de uma urgência num hospital público. Chocou, muito provavelmente, com a realidade resultante da política de contenção de despesas do Ministério da Saúde.
Face à discussão gerada e às alterações defendidas (num e noutro caso), parece-me ser boa política os Primeiros-Ministros em exercício ou os ex-ditos testarem o que vão fazendo enquanto governantes.
Porque, com a ligeireza com que se legisla ou se governa, se cometem indignidades, contrariando direitos elementares.
Comendo em Montalegre
São uns excêntricos estes montalegrenses!
Deve ser do que põem nos enchidos, das malgas do tinto... ou dos fumos!
Deve ser do que põem nos enchidos, das malgas do tinto... ou dos fumos!
Bailando na XXIV Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso
(22 a 25 de Janeiro)
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Jean Ferrat - C'est si peu dire que je t'aime
Jean Ferrat chant Aragon.
Jean Ferrat nasceu a 26 de Dezembro de 1930.
Não votem em mim!!!
As eleições que se lixem!
Verdadeiro momento de lucidez...
A acreditar no título do Público, Passos Coelho teve um gesto de rara humildade quando pediu aos eleitores que não deitem tudo a perder nas próximas eleições legislativas, isto é, "NÃO VOTEM EM MIM - Não façam esse disparate!"
Só pode ser isso o que ele quis dizer, não pode ser outra coisa!...
Verdadeiro momento de lucidez...
Só pode ser isso o que ele quis dizer, não pode ser outra coisa!...
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Nascimento de Jesus
«DAQUI A ALGUMAS HORAS CELEBRA-SE EM TODO O MUNDO a maior festa do ano. Cada lar é um templo: Deus está presente e desce até ao coração de todas as criaturas, que nessa hora suprema esquecem os agravos e as injúrias para comungarem, com lágrimas nos olhos, o mesmo pão, em torno da mesma mesa, junto ao lume que as aquece. Se há festa ao mesmo tempo cheia de grandeza e de humildade, de ternura e paz, de alegria e de imensa tristeza também - pois que de ano para ano a Morte leva um, depois outro - é esta...»
Raul Brandão, in O Dia, 24 de Dezembro de 1903
(A pedra ainda espera dar flor)
(A pedra ainda espera dar flor)
Feliz Natal
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Crepúsculo quotidiano
Por hoje já foi o bastante
por hoje basta d'evaporar bílis em espírito
alambique contra-instantes
basta d'espírito sem corpo e alma
um dia mais que vence a morte
embate terrível entre vida e morte
vence-se a morte e não a vida
empate entre elas
e nós resultado d'empate
vamos indo graças a Deus
Ao cair da Luz na sua fronteira com as trevas
começa o espectáculo
o número do limite possível anima-se d'indefinido
o homem julga querer
e lê perfeitamente o que não pode
ainda? Há milénios.
De Deus e do Seu Sagrado não é a dúvida
mas no resto é
fazer fim do meio
e próprio de meio o que não é fim
nisto vamos graças a Deus
O frete de ser excede qualquer
e não se esboça outro
a dupla coluna do Céu e da Terra aos lombos de Atlas
mirra-nos o físico, larga-nos a alma, incendeia-nos o espírito
e foca-nos
foca-nos o tríduo pelo menos.
(...)
por hoje basta d'evaporar bílis em espírito
alambique contra-instantes
basta d'espírito sem corpo e alma
um dia mais que vence a morte
embate terrível entre vida e morte
vence-se a morte e não a vida
empate entre elas
e nós resultado d'empate
vamos indo graças a Deus
Ao cair da Luz na sua fronteira com as trevas
começa o espectáculo
o número do limite possível anima-se d'indefinido
o homem julga querer
e lê perfeitamente o que não pode
ainda? Há milénios.
De Deus e do Seu Sagrado não é a dúvida
mas no resto é
fazer fim do meio
e próprio de meio o que não é fim
nisto vamos graças a Deus
O frete de ser excede qualquer
e não se esboça outro
a dupla coluna do Céu e da Terra aos lombos de Atlas
mirra-nos o físico, larga-nos a alma, incendeia-nos o espírito
e foca-nos
foca-nos o tríduo pelo menos.
(...)
Almada Negreiros
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
O 6.º elemento
Discretamente, em músicas emblemáticas, o saxofone lá estava.
Encaixava ali, não era um elemento estranho.
Dick Parry faz hoje 72 anos.
Encaixava ali, não era um elemento estranho.
domingo, 21 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Manoel de Oliveira, O Velho do Restelo e Pascoaes
Manoel de Oliveira cumpriu os seus 106 anos.
E o seu Velho do Restelo estreou.
Num banco do nosso século, no jardim do Passeio Alegre, Dom Quixote, Camões, Camilo Castelo Branco e Teixeira de Pascoaes conversam.
Diz a produtora da curta-metragem que se trata de "um mergulho livre e sem esperança na História", a partir de um texto de Pascoaes.
Quase que aposto que o texto é de O Penitente, visão da vida de Camilo Castelo Branco, onde Cervantes/D. Quixote e Camões são frequentemente chamados ao drama da humanidade portuguesa.
«Camilo, pálido e trémulo, recebe, na memória assombrada, o desenho da borrasca, um desenho caótico ou do Caos... É o belo horrível visto e imaginado, ou visto em imagem, essa fêmea grávida, nos miolos dum Poeta. A imagem do mar pariu os Lusíadas; e a da alma humana o D. Quixote. Cervantes viu-a, como se ela fosse uma estrela. E a nossa própria imagem não somos nós num efeito quimérico de luz?»
Poderá ser este o ponto de partida...
Curiosidade...
O Penitente, grande livro!
E o seu Velho do Restelo estreou.
Num banco do nosso século, no jardim do Passeio Alegre, Dom Quixote, Camões, Camilo Castelo Branco e Teixeira de Pascoaes conversam.
Diz a produtora da curta-metragem que se trata de "um mergulho livre e sem esperança na História", a partir de um texto de Pascoaes.
Quase que aposto que o texto é de O Penitente, visão da vida de Camilo Castelo Branco, onde Cervantes/D. Quixote e Camões são frequentemente chamados ao drama da humanidade portuguesa.
«Camilo, pálido e trémulo, recebe, na memória assombrada, o desenho da borrasca, um desenho caótico ou do Caos... É o belo horrível visto e imaginado, ou visto em imagem, essa fêmea grávida, nos miolos dum Poeta. A imagem do mar pariu os Lusíadas; e a da alma humana o D. Quixote. Cervantes viu-a, como se ela fosse uma estrela. E a nossa própria imagem não somos nós num efeito quimérico de luz?»
Poderá ser este o ponto de partida...
Curiosidade...
O Penitente, grande livro!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
O 90.º aniversário de Mário Soares
Podemos gostar mais ou gostar menos de Mário Soares, concordar ou discordar dele, mas estou certo que terá um lugar na História. O século XX português não seria o mesmo sem ele.
De quem nos (des)governa agora, a História não se lembrará ou apontará os seus nomes como sendo os dos principais responsáveis por um período negro do país.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
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